Arte continua dando seu melhor e agora oficializada como aprendiz, parecia que tudo seria muito mais fácil, só que não. O preconceito continua, as tarefas difíceis também, mas se serve de alento para a protagonista, ao menos ela ganhou dois novos amigos na sua luta diária, além de outras coisinhas que eu falo mais adiante.

O segundo episódio nos mostra como a Arte começa a lidar com sua nova, a jogando mais uma vez nas oficinas de outros mestres, esses que ainda a desprezam pelo simples fato da moça ser o que é, uma mulher.

Apesar de dura, penso que a experiência teve seu valor ao continuar mostrando a ela que vai ser muito difícil mudar a mente de todos, independente dos seus talentos e da aprovação que venha a ter por parte de alguns – como está acontecendo aos poucos.

Engraçado que as pessoas daquele período eram tão rígidas quanto aos seus padrões, que ao ver a protagonista em uma situação problemática, nenhuma se habilitou a tentar ajudar, já que para todos ela estava desafiando as leis naturais e merecia o suposto castigo que a vida estaria lhe aplicando.

Como uma oposição a esse comportamento, Angelo aparece como alguém dócil e que gosta de ajudar o próximo, mas quando se meteu no caminho da Arte ele descobriu que as vezes a gentileza pode machucar bastante, não só quem a recebe, mas as vezes quem a oferece.

Sua intenção era boa e louvável, no entanto a falta de entendimento impediu naquele momento que o jovem enxergasse o óbvio sobre a garota. A Arte quer ser reconhecida como a artista que é, logo uma bondade como a dele – que ressalta a cada 10 segundos a importância dela ser uma mulher que precisa de um apoio masculino -, acaba tendo o efeito reverso.

O pior é que o personagem é genuinamente bom e inocente, então você fica até com pena por ele se sentir confuso com todo o resultado da sua ação, mas ele vive num meio que involuntariamente o torna assim. A determinação da menina é tamanha, que ela insiste em conseguir o apoio da oficina do mestre do Angelo, conseguindo arrancar a simpatia do mesmo com muita luta e serviço braçal, sob os olhos atentos do rapaz e de outros homens dali.

Falando em luta, a Arte já tinha mostrado aptidão artística, mas conseguiu me surpreender ainda mais com os seus dotes manuais ao reconstruir o seu quartinho. Não sei durante quanto tempo ela praticou outras coisas além do desenho – considerando que seu tutor parecia lhe ensinar apenas sobre isso -, só que aquela produção não me pareceu uma mera proeza do protagonismo.

Bom, uma vez que entendeu os sentimentos da nova amiga, ele não só admira mais a sua força, como ainda ensina as irmãs – que por sinal são folgadíssimas e mimadas, por isso ele é tão prestativo, coitado – e desenvolve uma pequena paixonite pela moça. Ainda não posso dizer que comprei muito essa ideia romântica, mas enfim, vamos ver como as coisas andam nesse sentido, até porque esse assunto me parece ser o último no qual ela tem algum interesse.

Na sequência vemos os dois protagonistas num dia de Carnaval, que por incrível que pareça, sempre foi o que é até hoje, com a diferença de que não se tinham trios e afins, mas a estrutura envolvendo dança, música, bebida e a mistura de todos sem distinção e podendo fazer de tudo é a mesma.

Engraçado que eu pensei o que a festa teria de importante enquanto evento, sendo no final apenas um pretexto para que o Leo e a Arte conseguissem algo que nada tinha a ver com ela. Para não passar em branco, ao menos ela serviu para vermos a menina disfarçada e nos apresentarem a intrigante Veronica.

A amiga do artista chama atenção por sua beleza, mas também por seu status, sendo uma cortesã bem conhecida. Ela me desperta curiosidade quanto ao que pode acrescentar na vida da protagonista já que assim como ela deve enfrentar as suas dificuldades tendo em vista a sua condição.

Naquela época a marginalização da prostituição se reduziu em certo grau, pois muitos começaram a ver tal ato como uma diversão da aristocracia vigente – e talvez até necessário, visto que muitas amantes por vezes tinham mais classe, conhecimento e talentos que as esposas.

Ali muitas poderiam fazer fortuna se tivessem as alianças corretas, porém ainda assim existiam outros problemas e acredito que a Veronica também os enfrente cotidianamente, compartilhando assim como a Arte, o feito de ser uma mulher forte, uma sobrevivente – logo quero ver como ela influenciará sua vida.

Esquecendo esses detalhes, o Leo tinha a intenção de acompanhar com sua discípula uma dissecação – ato que era proibido pela igreja, a profanação de um cadáver. Achei interessante a saída utilizada e admito que não sabia sobre o assunto, mas o Carnaval tinha a função de ocultar essa prática proibida e certamente muitas outras, aproveitando a distração geral e a movimentação excessiva nas ruas.

Embora fundamentalmente a ideia fosse refinar as habilidades da protagonista, a situação acabou fazendo com que a Arte começasse a despertar um sentimento leve pelo seu mestre. O jeito como isso começa a se construir é bem sutil, porque ela própria não sabe que isso é o que parece ser, justamente por romance não ser lá sua área de interesse – como eu já tinha dito antes.

Um detalhe que me pegou é que analisando bem, mesmo o Angelo também estando próximo, acredito que ela não o viu como alguém a se notar, diferente do Leo que já é mais maduro. Acho que muito disso se deve exatamente ao fato de ele representar tudo aquilo que ela valoriza numa pessoa e que ainda não conseguiu visualizar no outro logo de cara, vamos acompanhando para ver aonde dá – só espero que não atrapalhe a jornada pessoal dela.

Bom, em meio a tantas mudanças e novidades, finalmente a futura artesã consegue avançar na profissão recebendo tarefas maiores e até mesmo mandando ver na pintura. Houve ali uma dificuldade, mas a compreensão da lição não era difícil e depois de uns dias perdidos, ela captou o que precisava desenvolver caso quisesse se aperfeiçoar. Com a tarefa cumprida finalmente a Arte recebe o seu novo contrato e uma posição melhor, conquistando mais um degrau da sua escalada.

Algo que venho gostando bastante no anime é a delicadeza com que ele trata o seu conteúdo histórico e a forma realista como faz a protagonista enfrentar as suas barreiras, sem grandes exageros, mas permitindo que ela avance conforme suas forças lhe permitem, mantendo um nível de coerência.

A química entre os personagens de forma geral também é legal e confesso que depois desses três excelentes episódios, não tenho queixas a registrar e torço para que muitos tenham se sentido igual fazendo a regrinha, porque Arte tem sido um anime incrível.

Agradeço a quem leu e até o próximo artigo se assim não adiarem mais um na temporada!

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