Homem x Mulher, que dicotomia chata, mas que infelizmente ainda se mantém até hoje – graças a mentalidade de muitos. Desde sua estreia, esse é um dos pontos de maior foco do anime e nesse episódio não foi diferente, na verdade foi até mais intenso que nos anteriores, mostrando mais uma vez como é difícil para a nossa querida Arte levantar a bandeira do sucesso.

Quando se trata de mostrar um pouco da realidade de luta pelo espaço da mulher, por mais que algumas obras usem ferramentas e caminhos diferentes, no final existe um clichê que não tem como ser abandonado e é sobre ele que o episódio trata: os machões que ficam aborrecendo a protagonista mulher porque esse é o papel deles e só.

Normalmente tem alguns animes em que esse tipo de personagem acaba até fora de contexto, porque eles se inserem em outros momentos nos quais esse tipo de figura simplesmente não se encaixa, acabando apenas como uma caricatura chata e desnecessária, erro esse felizmente evitado aqui.

No período histórico retratado, isso além de muito comum era recorrente, então nem se quisessem poderiam fugir desse fundo. Ainda que seja incômodo ver as cenas de deboche machista, é compensador ver uma menina de seus 15 anos sambar na cara da sociedade, fazendo exatamente aquilo que aqueles que a criticam deveriam fazer, que é trabalhar – e no braçal ainda.

Algo que me chamou bastante atenção com os eventos ocorridos logo no começo do episódio, foi a questão de como os outros mestres e suas oficinas lidam com a morte de seus colegas e as decorrências disso.

Bom, o ponto positivo é que de algum modo a classe me pareceu bem unida e até solidária, já que levava em conta a condição na qual a família do companheiro se encontrava com a perda, colaborando rapidamente e da melhor forma possível.

Por outro lado, também tive a nítida impressão de que esse auxílio era superficial e meio que uma obrigação inevitável, já que ficou meio subentendido nas falas de cada um, que dividir a responsabilidade pelos “pertences” de outro era um fardo pesado – do qual eles adoram se queixar, mas tudo bem.

Dentro dessa polêmica, a Arte é notada mais uma vez como a aprendiz que está fora do seu devido lugar porque é uma mulher UAU e aí começa a ladainha entre ela e os machões jogadores de “calcio” – que não é o cálcio dos ossos, fica a dica.

Mesmo sendo algo irrelevante no geral, ainda fiquei curioso, porque olhando rapidamente o jogo me pareceu um mix desengonçado entre luta livre, rugby e talvez futebol, mas como não teve jogo propriamente dito, fui instigado para saber o que era essa coisa.

Me impressionei ao ver que era basicamente o que eu pensava, com o adendo de que o mais importante nem era exatamente a vitória em si, mas sim o orgulho individual em jogo – item que homem machão mais valoriza, olha que conveniente.

Para fechar com chave de ouro, as regras parecem liberar tudo, exceto covardias como golpes por trás, bater em jogador que já está no chão, um contra vários e afins. Como naquela época violência e gore gratuitos eram considerados diversão, não me admira esse jogo ter feito tanto sucesso com o povo – quem sabe tenha até influenciado os esportes de hoje.

Enfim, voltando ao problema central, em função da sua condição de mulher, a protagonista corre seu risco e aí que entra a força de vontade dela, em conjunto com o empenho do Leo em fazer da moça a melhor artista já vista.

Como a história já nos mostrou antes, Leo admira a aprendiz pelo seu espírito forte e sua dedicação pura a arte, assim como ele em sua época. Do mesmo jeito que ambos partilham qualidades, eles dividem os mesmos sofrimentos, barreiras e preconceitos, o que o leva a tornar ela mais resiliente e focada para crescer.

Confesso que apesar de entender e concordar com o princípio das ideias dele na execução do trabalho conjunto, deu uma pena ver a Arte literalmente se acabar, apenas para conseguir um pouco de respeito como aprendiz – mesmo que ela já esteja articulada e acostumada com as pressões das recepções calorosas que recebe.

Ainda que seu empenho tenha sido grande, as limitações existem e estão ali visíveis, só a boa vontade não vai tornar a trajetória dela mais fácil – e fico feliz que o anime não corra disso, mesmo que no fim ela vença.

Com o trabalho duro a menina conquista a oportunidade de fazer parte dos aprendizes e dá mais um passo para seu reconhecimento, mas o personagem que apareceu nos últimos minutos já me pareceu um potencial problema.

O tal Lorde Yuri tem uma aura de mistério por seu olhar afiado, mas o visual dele me transmite uma vibe meio suspeita, de conquistador barato que vai fazer merda. Pode ser só impressão, mas como já estamos na metade da obra, penso que já é hora de um “vilão” maior dar as caras e ele parece providencial para o papel.

Agradeço a quem leu e até a próxima pessoal!

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