Talentless Nana (Munou na Nana) é um anime do estúdio Bridge que adapta o mangá escrito por Loose Boy e ilustrado por Iori Furuya. É um thriller sobrenatural para o qual você deve dar uma chance.

Na história adolescentes foram reunidos em uma escola para portadores de habilidades especiais com o objetivo de serem treinados a fim de combater monstros chamados de inimigos da humanidade. Entre esses adolescentes superdotados um indivíduo tentará prevalecer usando apenas de sua inteligência e capacidade de manipulação. Será mesmo possível enganar a todos?

Nanao é o ponto de referência que o telespectador tem nessa estreia, mas certamente não é o principal personagem da trama, esta é Nana, uma estudante transferida que rapidamente chama a atenção de todos na sala e faz amizade com o garoto.

Eu já tinha ideia de que algo aconteceria no final desse episódio, mas não sabia exatamente o que e sinto que mesmo sem saber de nada, assistindo com atenção dá para a pessoa perceber que tinha algo de muito errado ali.

Porque muitos momentos e detalhes ali contribuíram para aquela baita cena no final que não teve nada de abrupta. Por exemplo, já na apresentação dos novos alunos deu para notar a diferença de atitude nos dois e isso fica mais claro quando o Kyouya aparece atrás de informações sobre os outros, invesigando eles. O próprio Nanao fala em um infiltrado, mas abaixa a guarda de uma forma que nem chegou a desconfiar.

Se você puxar pela memória (imagino que já tenha assistido o episódio) vai perceber que a Nana usa a “habilidade” no Nanao quase que o tempo todo e só em momentos chave para desvendar o personagem, para assim tê-lo na palma de sua mão, como ela bem revela. Não cheguei a perceber que ela não tinha um poder logo de cara, apesar do título, nisso eu lesei…

Em compensação, desde o começo a atitude dela não me enganava, nâo só pelo interesse no Nanao, mas também pela simpatia e curiosidade excessivas. Na cena anterior ao clímax ela perde as estribeiras e praticamente grita que algo de “inesperado” vai acontecer. Entre aspas, porque se torna até previsível uma virada, o único elemento incomum talvez seja ela não ter se intitulado uma inimiga da humanidade.

Pelo contrário, ela acusa que as “crianças especiais” sejam os reais inimigos, especialmente o Nanao, que queria liderar e tinha potencial para fazer mais, como matar um milhão segundo as anotações dela. isso só faz sentido se a situação for inversa, que os inimigos não sejam os montros, mas os próprios humanos, ou que seja algo ainda mais complexo que não consigo imaginar agora. O fato é que existe uma guerra de narrativas na história e que a Nana é capaz de matar a fim de defender seu ponto de vista. Será descoberta?

Não sei, só acho que se for ainda vai demorar muito, pois mesmo que o Kyouya desconfie, vai precisar de provas. Tentar desmascarar a falta de um “talento” na Nana pode ser um caminho, mas alguém só vai ter essa ideia se surgir uma suspeita e a capacidade de dedução e sagacidade da assassina não devem dar brecha para tal. Além disso, o roteiro vai trabalhar a favor da personagem, porque esticar essa situação é mais interessante, isso se alguém morrer mesmo…

Porque o Nanao pode voltar, não duvido disso, mas é quase óbvio que se ocorrer não deve ser logo. Pode ser uma surpresa para desmascarar a Nana? Eu não sei. Em todo caso, se ele apenas morrer e não voltar mais é um bom sinal, o desenrolar menos clichê e o que deve acentuar a desconfiança de quem está de olho, tornando a trama mais um jogo de gato e rato.

Não vou me ater tanto ao desenvolvimento do Nanao pelo personagem ter sido descartado da trama, mas posso dizer que não desgostei da forma como a relação com o pai dele foi explorada pela Nana e os próprios motivos do personagem, cujo grande erro foi ter confiado demais nela. Inclusive, não teve a estranha cena em que a Nana quase morre e ele a salva? Não foi só um “teste de potencial” da parte dela, mas o que facilitou o cenário para ela matá-lo.

É por essas e outras que dá para ver como a história foi pensada nos mínimos detalhes, e se o episódio foi quase previsível com relação ao desfecho, isso se deveu muito a atenção aos detalhes, as pistas do que estava por vir. Já a execução, principalmente da cena derradeira, compensou o título internacional muito do mal bolado que entrega a falta de poderes da Nana, a qual não notei só por desleixo mesmo.

Por fim, Talentless Nana não inventou a roda, mas é um anime com um baita potencial que merece elogio só por ter um plot clichê em mãos e buscar ir bem além disso, tanto que os poderes acabam sendo algo mais secundário, não que não sejam importantes.

Sem poderes não acho que o Nanao representaria a ameaça que representava segundo a Nana, o que não justificaria as ações dela. Outro ponto muito interessante do anime é a chance de acompanhar a história tendo a vilã como a grande referência.

Se o Nanao não voltar, como não deve voltar, nada garante que passemos a ver a história sob a ótica dela, mas é certo que ela não vai morrer pelo menos até o final do anime e que a gente tem que saber o que a levou a falar aquelas coisas antes de jogar o garoto do penhasco.

Por que os heróis seriam os verdadeiros inimigos? Quem colocou a Nana lá? Nós temos que torcer por quem, pelos supostos heróis ou pela suposta vilã? A Nana pode achar que não tem nenhum talento, mas me parece ter talento mais que o suficiente para enterter a mim e também a você.

Até a próxima!

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