Depois de uma semana sem Shingeki no Kyojin nada mais justo do que assistir um bom episódio não é mesmo? E o que me diz de dois então? É ainda melhor, com toda certeza. Ainda mais quando são dois episódios repletos de coisas interessantes como estes dois foram.

A conversa entre Eren, Armin e Mikasa ao contrário do esperado não teve nada de revelador. Estava mais para o contrário. Foi uma conversa bem confusa que apenas complicou ainda mais as coisas. Tudo que foi dito pelo Eren durante essa conversa não parece condizer com a realidade, em especial tendo em vista os episódios passados.

Não tenho problemas com a função dessa cena mas ela realmente me incomodou. O problema é que essa cena criou um conflito e tentou nos transmitir sentimentos. Essa que ao mesmo tempo é incompreensível e confusa. O ponto é que esse último fato dificulta a execução daquele primeiro. Assim, o que temos são sentimentos confusos de um conflito igualmente duvidoso. Resultado? A cena não consegue se expressar corretamente.

E outra coisa que me incomodou foi a batalha entre o Levi e o Zeke. Sim, a batalha teve várias cenas muito boas e tensas. Mas um monte em especial me incomodou. Sim, o CG continua desconfortável, mas até aí nenhuma novidade.

O culpado desse incômodo foi a trilha sonora da cena, por sinal uma péssima escolha musical. Ela não combinou nem um pouco com a cena e de forma alguma casou com aquilo que é Shingeki no Kyojin. Ela me trouxe uma sensação de desconforto que me tirou da cena, tanto que só fui capaz de retornar a ela pouco antes de seu fim.

E enquanto toda essa batalha ocorria as coisas continuavam agitadas no outro núcleo narrativo. Chamo a atenção para o Floch e para a facção Yeager. Em especial para como os jovens cadetes foram facilmente seduzidos por eles. E não apenas isso, mas em sua revolta contra os velhos costumes, estes personificados na figura do instrutor Shadis.

Há duas coisas de fácil observação na história da humanidade, especificamente falando durante e após o período da modernidade. A primeira é que o espírito revolucionário sempre terá apoiadores fervorosos dispostos a fazer o que for necessário para alcançar os seus objetivos. A segunda é que a juventude sempre serão os primeiros a se deixar seduzir por essas causas.

Que causas? Bem, isso não faz a menor diferença. A mais famosa das revoluções é a Revolução Francesa, que foi guiada pelos princípios iluministas de “liberdade, igualdade e fraternidade”. Destaco aqui a liberdade pois ela se relaciona com o anime.

Enfim, essa não foi a primeira e nem a última grande revolução feita pelo homem. Ela se encontra entre a revolução americana e a comunista, ambas com ideais completamente distintos. As ideologias mudam, mas os homens continuam os mesmos.

E por que raios estou falando sobre isso? Porque não apenas o Yeager está encabeçando essa revolução como o seu pai também já havia feito o mesmo. E isso nos leva ao episódio número quinze. Aqui nós temos um conflito (não escancarado pelo anime) que é uma grande problemática. Se trata do fato de lutar pela liberdade, em especial sobre a questão do “o que é ser livre?”.

Mais do que discutir esse questionamento em nível objetivo (o que seria um grande desafio) eu farei em nível subjetivo. E quando digo “subjetivo” quero dizer sobre aquilo que determinado personagem (nesse caso o Zeke) entende como liberdade. O que para ele é ser livre. E é impossível falar disso sem citar um ponto ainda maior e importante que é abordado pelo anime: a própria vida. Pois bem, é aqui que entra o passado do Zeke.

O pequeno Zeke era apenas uma criança que queria o carinho de seu pai. Ele não queria muito, apenas um sorriso sincero e um pouco amor já bastava. Amor que encontrou na figura do senhor Ksaver. Este que por ver no Zeke o seu falecido filho ele de fato o tratou como tal. Eu entendo os sentimentos do Zeke de se revoltar contra o ideal de liberdade do seu pai, mas de onde ele tirou o seu próprio já é algo bem duvidoso.

Mas não é como ele pensou mas aquilo que ele pensou que merece ser comentado. Sua forma de ver a vida nada mais é que um niilismo, a ausência de qualquer sentido na vida. Isso porque para o Zeke estar vivo é sofrer e fazer os outros sofrerem. Enquanto vivermos nunca poderemos ser livres, enquanto vivermos… é esse o grande problema em sua visão.

Talvez, o que melhor justificaria essa sua visão de mundo é a sua criação. Não um acontecimento ou outro, mas a criação como um todo. O Zeke foi criado para ser o salvador de Eldia, ele era tratado como um objeto e não como uma pessoa. Ele não podia ser quem de fato era e nem falar aquilo que de fato pensava.

Ou seja, ele não era livre, ele apenas vivia como queriam que ele vivesse. Ao mesmo tempo que quando seu pai o viu como uma falha ele perdeu também o seu sentido de existir. E então aquilo que ele chamava de vida se esvaziou de sentido, perdeu o seu porquê.

E agora ele revela o seu plano de eutanásia, que nada mais é do que a negação total da vida. É um plano diabólico, cujo propósito é apagar todo um povo da face da terra. Essa visão de mundo começa com a negação da liberdade, pois não é possível ser livre nesse mundo cruel repleto de sofrimentos e dores. Mas se encerra com a negação da própria vida, o próprio valor da existência é colocado em xeque.

E se o Eren já havia agido estranho ao atacar os seus amigos foi igualmente estranho ele aceitar a visão de mundo do Zeke. Pois está claro que ele está disposto a lutar. E que está disposto a viver. Mas aquilo que ele realmente planeja é algo que o próprio Eren ainda terá que nos dizer. É isso, até mais.

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    Realmente a batalha deixou muito a desejar. Queria muito que esse momento tivesse sido mais explorado. Porém seria esperar demais, já que até mesmo no mangá essa passagem foi extremamente rápida e até mesmo pequena se comparada à tudo que estava acontecendo.

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