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O que três adolescentes estranhos, uma motoqueira sem cabeça, um bar(super)man, um médico clandestino (e seu amoroso papai), um carinha que está além dos humanos e acha legal misturar três jogos de tabuleiro numa partida só, otakus, gangues para todos os gostos, irmãs alucinadas (gêmeas ou não), estereótipos russos dos mais variados, um distrito de Tóquio e uma cabeça – sim, aquela que faltava – têm a oferecer? Bem, eu sou Luiz Henrique, novo redator aqui no Anime21 – primeira interrogação: o que esperar dos meus textos? Primeiro conselho: não perca seu tempo esperando; se você chegou até aqui, o resto é se lambuzar com o que Durarara!! E (x2) tem a dizer sobre quem somos, onde vivemos e algo sobre como russos podem ser estereotipados.


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Expor mais personagens por minuto em um episódio inicial do que qualquer mente livre de narcótico poderia conceber é apenas a sacada inicial que a obra tem pra representar uma das mais populosas e irreverentes porções da capital japonesa: todas as pontas, inicialmente soltas, vão simbolizando a grande dinamicidade, o barulho, a movimentação que cabe a um bairro dessas proporções. Mas a confusão é gradativamente (isso a depender do personagem – torça pra que os que te atraiam mais se resolvam ou se encaminhem logo, mas adianto: são bem poucos os sortudos) elucidada, dando àquele meio, na medida em que a rede humana (e sobrenatural) vai se desenhando, o conceito geográfico de lugar.

Tendo tudo isso em consideração, pode se chegar a outro aspecto trazido metaforicamente pelo autor (sim, a obra é um poço quase sem fim de metalinguagem e de afins): a personificação imagética do distrito de Ikebukuro na vivência das pessoas que o compõem e que o dinamizam, sendo assim, em minha opinião, uma sacada inteligentíssima: na representação dessa unidade de espaço, dar ao próprio espaço a possibilidade de tornar-se o mais próximo de um protagonista em toda sua desenvoltura e simbologia.

Essa simbologia da mudança e da rede intricada de acontecimentos que não podem encontrar um fim em si, uma vez que (pertencendo ao mesmo meio) estão destinados (pelas tramas do autor) a compartilharem sentidos, ganham mais razão de ser ainda quando analisado sob a óptica dos grupos que figuram por Ikebukuro. As gangues, grupinhos e até famílias e redes de comunicação mafiosas da trama funcionam como mais um ponto de ancoragem (uma ligação mais profunda) entre o individual (o integrante de quaisquer desses grupos, com seus medos, taras e afins) e o distrito/protagonista em si.

Distrito com mais gente insana por metro quadrado

Além disso, o autor instiga e põe em pauta, muitas vezes e sob muitas ópticas, a dicotomia ficção e realidade (com sua respectiva transposição para sobrenaturalidade e humanidade – mesclando características inerentes a cada parte e fazendo você se questionar sobre sua “monstruosidade” interior). Isso fica inicialmente claro ao juntar uma Dullahan, alunos do ensino médio, uma espada parasitária e outros plots com níveis de normalidade duvidosos, porém, ganha maior poder quando é reavaliada, com muita irreverência e uma despretensão calculada, pela dupla (casal; eu shippo, você shippa, todos shippam) de otakus em seus diálogos cotidianos ou pela simples existência de Shizuo, cuja origem de suas habilidades permanece sob o domínio da dúvida entre o real e o sobrenatural.

Outras conotações que colocam Durarara!! entre as obras muito bem pensadas que nos pegam de surpresa não só apenas por trazer outro contraponto cultural por meio dos russos (que, sendo de fora, nos mostram gradativamente que podem enxergar a situação dos habitantes ao redor do seu restaurante de sushi (russo; eu também não sabia que isso existia) sob uma perspectiva mais astuta e mais calma), como também distribuir uma quantidade quase infinita de possibilidades aos aspectos das tecnologias cotidianas no desenrolar das ações de seus personagens.

Ao mesmo tempo em que esses aparatos dão originalidade positivamente à série (uso fluído e interessantíssimo (demorei bastante pra associar os nicknames aos personagens…) de chats, e-mails e afins) a obra também não se esquece de suas facetas negativas (demonstradas pelo autor como escolhas oriundas do usuário): a falsidade ideológica e o uso de alternativas de manipulação, monitoramento e amedrontamento virtuais que encontram sentidos em determinados stalkers e praticantes de parkour (só pode; no mínimo).

Só os mestres… (E essa pazinha aí, ein? Pesadão…)

Agora é hora de falar do casal principal da série (esses dois, todos shippam mesmo): Shizuo e Izaya. Partindo do pressuposto de que Ikeburu é aquele ente que respira, se entrelaça e evolui (ou regride; Mikado feelings) com seus habitantes, esses dois também têm seus espaço metafórico nesse organismo. O embate entre força, violência e apoio (personificada por um) e astúcia e manipulação (personificada pelo outro), como duas faces ou pedaços de um mesmo ser apontam para algo de complementaridade e/ou necessidade, corroborada pelo incessante desejo de se encontrarem esbanjado ao longo de todo o anime.

Indo além e vendo esses dois como partes da cidade, poderíamos traçar um paralelo entre Izaya e algo que todas as grandes cidades têm em comum: manipularem utilizando recursos de qualquer natureza, e imporem a suas partes comportamentos ou situações que beneficiem ou entretenham (um lunático ou uma grande vendedora de armas, por exemplo; fica a critério do seu diálogo com a nossa pequena dicotomia de lá de cima), alguns pelas finalidades mais questionáveis. Ou seja, toda cidade tem, em seu âmago, um pouco de Shizuo e um pouco de Izaya (além de um pouco de Saika (entrando como um misto de amor e veneração – algo que envolva chauvinismo quando tiver sua simbologia transposta a um personagem do tamanho de Ikebukuro)). Mas cabe a suas outras partes (seus habitantes) decidirem quem domina.

Sim, o grande casal (pelo menos até Mikado tomar alguma vergonha naquela cara…)

Até o momento não deve ter sido difícil perceber que esse não é nem de longe um anime convencional, certo? E nem tocamos em assuntos técnicos (com esquemas de cores ótimos, character designer muito bom e com animação acima da média pra o tipo de anime, bem como uma trilha sonora com toques de blues e jazz que dão um clima muito gostoso às cenas). Mas pra confirmar ainda mais a distinção dessa obra ainda temos leves pitadas de críticas específicas ao longo de atitudes caricatas ou tão reais que questionamos sua representação fictícia: o ar poluído de Tóquio (e um manual de como passar 24 horas por dia usando uma máscara de gás); o (sub)mundo por trás das idols; o protagonismo das mulheres (não aconselho chamar nem a pequena Akane para um possível x1).

Após todas essas considerações e divagações (espero que estejam me acompanhando), chegamos ao tema que considero o mais latente (e estressante também) na obra, se estendendo desde o passado mais longínquo, na cronologia da obra, que você pode imaginar, até o futuro pouco provável em que animem o resto do material original: segredos e falta de comunicação!!! Os meios de comunicação além de aproximarem tecnologicamente as vidas, reforçam o distanciamento dos pares próximos (muito comum na vida cotidiana e agitada dos ritmos urbanos), dando aos espectadores mais de 50 episódios do mais puro: por que você não diz logo essa merda toda pra ele(a)!?!? E: eles realmente conseguiram arrumar uma maldita guerra…(!) com a Yakuza!?

Por fim, minha avaliação do conjunto da obra está nas estrelas que eu dei. A essa altura do campeonato (se não foi a primeira coisa que fez) você com certeza está se perguntando: depois de tudo isso, deu essa nota!? E a resposta é: eu ia dar 3,5 estrelas (sendo isso o que eu considero na média). Mas desperdiçar / mal executar muitas linhas e conflitos em comparação com seu potencial e premissas (de certa forma) inovadoras e influentes, me fez dar 3 estrelas para esse anime; de qualquer maneira fica a dica: depois do episódio onze (final do primeiro arco) meu interesse decaiu, com pouquíssimas ressalvas, sendo, mesmo assim, uma recomendação (validada ao menos pela intenção) interessante de ser conferida.

Famigerado episódio 11: quando as pessoas ganham cor, a metáfora vira um fato

Para enriquecer sua leitura, eu recomendo fortemente que você dê uma olhada em algumas coisinhas, como:

O que diabos quer dizer Durarara!! (E por que duas exclamações!?)

Dullahans estão mais presentes nos animes do que você pensava

Quais as chances de Durarara!!! ter um novo anime?

Um passeio pelas mentes dos habitantes de Ikebukuro

Do mesmo autor, diretor só que mais louco

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