(Quem não lembrou de Gugure! Kokkuri-san ao assistir Kamisama no mínimo não assistiu ao primeiro, porque convenhamos, uma raposa branca fazendo dancinhas? Normal.)

Kamisama está em seu episódio 2, e eu, como uma boa redatora universitária atolada de atividades que sou, calhei de não conseguir postar o artigo do episódio 1 em tempo. Pois bem, teremos um dois em um desta vez. Não acostumem.

Quem já assistiu a primeira temporada está mais do que habituado com os nossos protagonistas e personagens secundários de personalidades, digamos…peculiares. No primeiro episódio, como é de praxe em continuações, logo nos primeiros minutos há o vislumbre de um personagem ainda não apresentado que, obviamente, será importante em breve. Paralelamente, ocorre a costumeira cena de está-tudo-em-paz-mas-todo-mundo-sabe-que-logo-mais-as-coisas-vão-mudar. E mudam, muito rápido inclusive. O porta-voz do fim da calmaria é o conhecido traveco Otohiko, mensageiro do Festival Izumo, na qual  deuses de todo o país se reúnem. Sendo a deusa oficial do templo Mikage, obviamente Nanami está convidada a se juntar a eles…caso passe em um teste. Ela, uma deusa humana, sem nenhum controle eficaz sobre seus poderes, deve chocar um ovo e criar um shikigami. Caso após uma semana o mesmo nasça saudável, ela estará aprovada. Um roteiro nada original, mas eficaz. No mesmo dia, porém, o ovo racha. E nasce. O novo integrante da feliz família Mikage é um macaco minúsculo e sem poder, que imediatamente se torna mais uma dor de cabeça para Tomoe.

 

Retrato de um lar amoroso e equilibrado.

Retrato de um lar amoroso e equilibrado.

 

Imaturo como é, o shikigami não é capaz de ajudar sua deusa quando esta cai em mais uma armadilha dentro da escola. Fala sério, desde Hogwarts eu não via um lugar tão perigoso para se estudar! O ataque fere Tomoe, que tomou o seu lugar como protetor de Nanami, além do macaquinho, da própria Nanami e de sua amiga sensitiva Ami. Sendo como é, uma garota teimosa, orgulhosa e persistente, ela se frustra com a própria ineficiência e resolve lutar de novo usando o seu poder de purificação (que todos sabemos não ser lá essas coisas.). No entanto, Otohiko, que por ironia do destino aparenta ser a pessoa mais sensata dentro desse bando de impulsivos, ensina-a a usar seu novo servo. Ela o nomeia Mamoru, e o torna a personificação de seus poderes. Eu poderia passar meia hora rindo do fato de um macaquinho recém-nascido ser mais eficiente que uma deusa humana, mas seria sacanagem com a esforçada garota. Mas bem, funciona, o ambiente é enfim purificado e todos estão a salvo, a Nanami está aprovada para participar do Izumo, desenvolveu mais de seus poderes e ainda ganhou um gesto carinhoso do homem que ama no final das contas. Nada de muito surpreendente porém, convenhamos, é bem mais do que a maioria das garotas em shoujos consegue em uma temporada inteira.

Este primeiro episódio foi bastante corrido, mas não chegou a ser desnecessário. Foi uma cadeia de eventos preparatórios para o arco inteiro, incluindo aí a presença constante da imagem do antigo deus Mikage nos flashbacks dos personagens. Será que ele retornará?

Então, vamos ao segundo episódio. Tomoe mostra o seu lado mais ridículo quando aparenta ciúmes do pequeno Mamoru, depois que este aparece com uma novidade (nem tão nova assim, maldita abertura cheia de spoilers): ele toma forma humana. Uma criança, pra ser mais exato, mas o apego da dona para com o filhote não é nada bem visto pela raposa. E o vento não está nem um pouco a eu favor, já que poucos instantes depois ele é atormentando por Mizuki pelo fato de nunca ter sido convidado a participar do Festival Izumo. Afinal de contas, ele é uma raposa selvagem. Os deuses superiores não devem aceitar nem um pouco a presença de um ser inferior próximo a eles. Mas a provocação traz um novo problema à tona: quem será o acompanhante dela durante o evento? Tomoe é a escolha óbvia, no entanto a experiência de Mizuki o torna um candidato à altura. Enquanto decidem quem tomará a vaga, Nanami parte para comprar passagens de avião (completamente dispensáveis como ambos frisaram, mas como é ela quem manda na casa…). Claro, a saidinha desacompanhada não acaba muito bem: deuses banidos a perseguem e atacam por acharem um insulto uma deusa humana ser convidada ao Izumo. Um desconhecido extremamente atrevido está entre eles. A sequência seguinte é clássica: o rapaz é ferido e Nanami, enfurecida, usa Mamoru como seu pokemón particular, vencendo com certa facilidade até. Esta cena, por si só, é curiosa: será que ela sempre teve esse poder guardado e só não conseguia utilizá-lo por insegurança/método errado, ou os seus poderes como deusa estão mais fortes a cada vez que ela os utiliza da maneira correta? Nanami será capaz de se transformar completamente em deusa algum dia? Quem sabe.

Ao voltar para casa, ela descobre que Tomoe venceu a disputa com Mizuki e ganhou o direito se acompanhá-la a Izumo, mas não importa. Ela nega, e escolhe a serpente branca. A reação de incredulidade de Tomoe é impagável, e seu mau humor pode ser sentido a dezenas de metros de distância. Afinal, além de ter de ficar longe dela e tomar conta do templo, ele precisa tomar o seu lugar na escola para que os demais não notem que ela não está. Pobre tengu Kurama, sofre gratuitamente com as chamas de ódio da raposa ressentida… Mas, no meio da fúria, Tomoe lembra da declaração de amor de Nanami, que rolou no final da temporada passada. A reação dele é a de quem na verdade nunca esqueceu disto, mas prefere não pensar no assunto. Minha cara raposa, por favor pare com isso. Todos percebemos que seus sentimentos por sua…que termo eu deveria usar? Dona? Deusa? Mestra? Companheira? Substituta de seu grande amor platônico? Enfim, por ela ainda são indefinidos. Você gosta, mas não ama. Ao menos não ainda, e não a ponto de admitir e muito menos de consumar isso, e não é um beijo ocasional que me convencerá do contrário. Mas fingir que a declaração nunca aconteceu é sacanagem das brabas.

Mas voltando à protagonista, ao chegar no Izumo (sozinha, depois acompanhada e então sozinha mais uma vez), ela encontra com alguns deuses das oito miríades – ou seja, 8 mil – e como era de se esperar, eles a tratam como escória. Pelo visto, a decisão de não levar o seu mascote de orelhinhas fofas foi a mais sábia. Perdida em um mundo mágico desconhecido, ela caminha sozinha até receber uma ajuda que de misteriosa não tem muita coisa. É o Mikage ali, ou ao menos alguém relacionado a ele. Fala sério, entidade brilhante, sem mostrar o rosto, usando uma borboleta como avatar. E um dos grandes mistérios nem tão misteriosos assim do anime é que ele está acompanhando os passos de sua sucessora o tempo todo, de perto ou de longe. Pois bem, ela conseguiu. Chegou ao festival, apesar de atrasada. E é aí que se dá a melhor cena deste episódio: a deusa humana, rechaçada pelas divindades superiores, chega atrasada ao festival anual e anuncia a si própria, de cabeça erguida e em alto e bom som. Impossível não gostar da Nanami gente, ela tem personalidade.

 

Não, eu não usarei a piadinha clássica.

Não, eu não usarei a piadinha clássica.

 

Agora, resta aguardar a próxima segunda-feira. Mas por hora, sabemos que a temporada se focará na interação da protagonista com os deuses consolidados, e a sua aceitação no panteão, o paradeiro de Mizuki e mais uma ou outra rixa ocasional com youkais. Romance? Pode ser, mas eu não me focaria nem um pouco nisto.

  1. O motivo de ver e amar tanto assim este anime são estes personagens… Principalmente a Nanami, porque ela age da melhor forma o possível… Mesmo que ela não saiba de fato fazer algo… Ela o faz, e faz com muito orgulho. E independentemente do resultado ela fica feliz com ele pelo simples fato de que o fez, nunca abaixa a cabeça ou desiste.

    Basicamente, ela não é do tipo personagem-feminina-shoujo que estamos tão habituados a ver: “está tudo bem, eu tenho o meu amado do meu lado agora e então ele me protegerá, eu não preciso mais olhar por mim mesma”, ou “tudo que importa é ele e eu, ele e eu, e sempre ele e eu, juntos e etc” e ainda “se ele está aqui, não há necessidade de fazer as coisas por mim mesma”, não é nada assim em Kamisama. A Nanami, como você disse, é cheia de personalidade e é totalmente apaixonante vê-la desenvolver toda sua capacidade e fazer coisas que qualquer pessoa sã faria… A diferença é esta, apesar de estar numa situação nonsense (deusa da terra, apaixonada por uma raposa selvagem, borboletas-Mikage, uma cobra, simples e do nada, DAFUQ? <3) ela age daquela forma humana que estamos sempre esperando ver em animes deste gênero…

    Escrevi linhas e linhas só para realçar o fato de que Nanami é aquela protagonista que sempre falta em animes shoujo (não considero Kamisama SÓ um anime shoujo, até porque não é só), ela sempre traz aqueles sentimentos e ações que sempre queremos ver. E ela os traz com sensibilidade, com caráter, com amor a si própria acima de tudo e isto é maravilhoso. É ótimo. Eu estou adorando ver este anime por principalmente ter esta diferença comparando-o aos outros… E é claro, os conflitos do Tomoe tanto no presente quando do passado e os ciúmes/e sentimentos dele por Nanami, a maneira que o Mizuki age o tempo todo, Mikage aparecendo como borboleta, o sr.lady-guy-lady (como Nanami chama no anime em inglês, haha) o Kurama sendo queimado vivo pela raposa selvagem e tudo mais <3 <3 <3

    Mas enfim, seu review foi super lindo e ácido, bem humorado daquele jeito que eu gosto mesmo. E eu estou super feliz por ter descoberto este site (graças a Kamisama), e falando em geral sobre a temporada… Acho que vai ser incrível, está com tudo e as cenas estão todas fantásticas… Bem encenado, com pitadas de humor hilárias (Gentee, Mizuki e Tomoe poderiam abrir um show de stand-up, não é?) e muito fanservice para todos os tipos ( alguém mais notou quão sexy é o Tomoe transformado em Nanami, mas ainda usando aquelas suas próprias orelhinhas fofas de raposa e sua atitude habitual/irritada? Mas ele é ainda mais sexy com sua forma normal… tanto de yokai ou de familiar <3) (ou ainda qualquer outro personagem principal masculino neste anime merece destaque aqui <3)… MAS PARA QUEM NÃO VIU, deve ver e dar uma chance a este anime especial 🙂

    • Fábio Mexicano Godoy

      Nanami é de fato PROTAGONISTA de sua história, isso é, com efeito e infelizmente, raro em romances shoujos de sucesso recentes. Acho que foi isso, mais do que o cenário em si (que é muito interessante por si só) que me cativou.

      E preciso agradecer a Lidiane por entrar para meu blog e trazer mais leitores =)

      E momento curiosidade: quando se refere ao Otohiko, em japonês Nanami diz ojisan-obasan-ojisan (preste atenção, dá para ouvir claramente), que quer dizer tio-tia-tio (ou homem-mulher-homem, senhor-senhora-senhor…), semelhante à legenda em inglês que você citou. As legendas em português que são chatas e complicam a fala dela desnecessariamente.

    • Apesar de o Tomoe ser o centro das atenções, foi a Nanami quem fez com que eu me apaixonasse por este anime. A personalidade dela é muito boa, e faz com que a história não se arraste como infelizmente acontece bastante com shoujos envolvendo garotas adolescentes. Ela me diverte, estou apaixonada por Kamisama.
      Fico feliz por ter gostado do artigo, é um imenso incentivo para continuar escrevendo sobre o anime cuja temporada promete tanto. Espero que mais gente deixe de lado preconceitos bobos e dê uma chance, vale muito a pena. :3

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