[sc:review nota=5]

Obrigado, Death Parade, por responder uma das minhas perguntas. É sim possível que ambas almas penadas reencarnem ou vão para o vazio. Mesmo quando relações complicadas entre seres humanos estão envolvidas, mesmo com um pouco de mentira envolvida, é perfeitamente possível que todos sejam no final julgados boas almas e enviados para reencarnar. Suponho que o inverso simétrico também seja possível, e imagino que episódio tenso seria um em que ambos não prestassem e acabassem jogados na lata do lixo do vazio eterno.

Esse episódio não ocorre imediatamente após o anterior. Pelo entrosamento entre Decim e a Mulher de Cabelo Preto (ela ainda não tem nome) já era possível imaginar, mas pela conversa entre os dois fica claro que várias coisas se passaram desde então. Ela só não ganhou um nome, pelo visto. Não sei, mas está me parecendo que o destino dela possa ser o grande enredo por trás do enredo de Death Parade. Estou chutando? Estou mesmo. Chame isso de sensação ou intuição, se preferir. Eu não confio muito na minha intuição, de todo modo, então devo estar errado, mas gosto de pensar que estou certo até que o anime me prove que estou errado. É mais ou menos divertido. Mas também, senão isso, qual seria a grande história de Death Parade? Porque tem de haver uma, não tem? Quero dizer, eles não vão só julgar uma dúzia de pares de fantasmas, e aí o anime vai acabar e boa? Eu espero que não. Então estou chutando isso: a grande reviravolta da história terá a Mulher de Cabelo Preto em seu epicentro.

Os mortos da vez novamente são um casal, mas dessa vez mais jovem que o anterior e desconhecidos entre si. Ou isso é o que eles acreditavam. O rapaz se chama Shigeru Miura e a garota não se lembra sequer do próprio nome. Ela não esqueceu apenas os momentos que antecederam o acidente, mas toda sua vida. É uma situação desesperadora que ela encara de forma bastante japonesa: não sai correndo por aí, não se mostra desesperada, não exige respostas de ninguém. Apenas responde quando perguntada que não se lembra de nada e que isso a incomoda e assusta muito. Esse é o primeiro momento em que Miura se sente tocado no coração e decide jogar com ela para ajudá-la a se lembrar.

Como o título do meu artigo sugere, tocar no coração é algo importante e bastante literal nesse episódio. Pela pista de Death Billiards, o curta-metragem que deu origem à série, os jogos não são escolhidos aleatoriamente. Assim, só posso crer que o boliche desse episódio não foi uma escolha acidental. Antes deles apertarem o botão já estava decidido que esse seria o jogo. Quem toma essa decisão? O próprio Decim? É verdade que ele recebe todas as memórias dos mortos e estaria teoricamente habilitado para fazer essa escolha, mas no episódio anterior pareceu simplesmente inadequado que Decim tome esse tipo de decisão. Ele não entende seres humanos o suficiente para isso. Então quem? Bom, há meia dúzia de personagens que aparecem na abertura mas não deram as caras na história ainda, então possibilidades abundam. Mas estou divagando.

O jogo da vez é boliche. Praticamente igual ao boliche que eu conheço, exceto que você só joga a bola uma vez, se não derrubar todos os pinos de uma vez só já era, e não entendi como funciona a pontuação do strike. Não sou especialista em boliche, então talvez exista mesmo uma forma real de jogar boliche que é idêntica a apresentada no anime. O único detalhe com certeza único desse boliche é que os jogadores devem usar as bolas fornecidas, e dentro da bola de cada um há uma representação do coração do outro. Ao colocar os dedos dentro da bola eles podem sentir o calor do corpo do outro e seu rítmo cardíaco, que reflete seu nervosismo, tensão, entre outras coisas que batimentos cardíacos refletem. Assim, eles literalmente tocaram o coração um do outro. E acredito que isso não seja por acaso!

Um clima romântico surge entre os dois jovens cheios de hormônios (bom, estariam cheios de hormônios se estivessem vivos), e Miura faz uma aposta com a garota: caso ele vença, eles sairão em um encontro! Pouco depois a garota recobra suas memórias: ela é Chisato Miyazaki, amiga de infância de Miura! Eles brincavam no parque juntos quando mais novos, mas um dia Chisato se mudou e eles nunca mais se encontraram. É uma reunião do destino! Ainda que depois de mortos, o que eles ainda não sabem. Eles eram realmente bons amigos, eram crianças ainda então não gostaria de dizer que se amassem já tão cedo, mas o anime inequivocamente insinua que esse seja o caso. Tudo isso em consideração e com o jogo quase no fim, Chisato promete errar seu último lançamento para que Miura vença. É a forma dela de aceitar o encontro que ela sempre quis.

Antes de seu último lançamento, contudo, Miura recupera mais um fragmento de memória: ela não é Chisato, mas Mai Takada, uma outra amiga que brincava no parque junto com ele e Chisato. Ele hesita um pouco, parece surpreso com a lembrança, mas logo se levanta como se tudo estivesse bem. E ele só pôde se levantar assim porque realmente estava tudo bem. Mai, durante seu último lançamento (aquele que ela prometeu jogar para fora; e jogou mesmo) recupera suas próprias memórias. Ela é Mai, não Chisato. Ela sempre amou Miura (essas crianças japonesas…), mas ele só tinha olhos para Chisato mesmo depois dela ter ido embora. Por isso, anos mais tarde, ela fez uma cirurgia plástica para ficar com o rosto de Chisato. Sim, ela queria de certa forma “enganar” Miura. Não imagino que ela pretendesse em momento algum fingir ser quem não era, só queria copiar o rosto mesmo, só queria ser notada. E funcionou: em seu último dia de vida, Miura a notou no boliche onde estava com amigos. Ouviu deles que ela era Mai, e mesmo assim a seguiu no ônibus. Depois de muita reflexão, decidiu abordá-la. Nesse momento quis o destino que um acidente os separasse para sempre.

Ou não. Eles foram para o Queen Decim, recuperaram suas memórias, Mai primeiro ficou infeliz por não ser Chisato, mas depois pôde ter após a morte toda a felicidade que nunca teve em vida quando Miura mesmo sabendo quem ela era ainda assim a desejou. Eles tiveram seu primeiro e único encontro ali, depois de mortos. Em vida eles já haviam tocado o coração um do outro, um infortúnio os matou, mas eles puderam tocar o coração um do outro mais uma vez depois de mortos e ficaram juntos pelo menos uma vez antes de seguir adiante.

    • Fábio Mexicano Godoy

      Foi para quebrar o clima, descontrair. O anime tava meio tenso àquela altura, com toda aquela coisa de eles gostam um do outro mas só tiveram chance de ficar juntos depois de mortos e a mina tinha até passado por cirurgia plástica para chamar a atenção do cara e etc.

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