Akashi é um dos personagens mais amados de Kuroko no Basket, e isso não e difícil de se notar. Basta observar os fóruns, as redes sociais, as fanfics, as fanarts, os doujinshis. Eu nunca entendi completamente de onde vinha tamanho amor a um personagem que não tinha outra função além de ferrar com a vida de todo mundo, e não é daquela forma divertida que nos faz amar os antagonistas e vilões, mas de uma forma ruim. Meu principal palpite eram os velhos clichês de que “a vida o deixou assim”, “esse não é o Akashi de verdade”, “ele vai se redimir no fim”. Bem, pelo visto acertei todas elas, mas isso não muda o fato de que eu ainda não o aceito como é. Na verdade, esse pequeno flash back apenas me deu a confirmação de que o poderoso rei Akashi, dominante sobre todos ao seu redor, é na verdade fraco. A pessoa mais fraca de toda a história. E a sua necessidade em alterar a própria personalidade de acordo com a corrente situação, a destruição de seu espírito ante a iminência da derrota, a completa incapacidade em confrontar o sistema à qual foi moldado desde o seu nascimento e o total desconhecimento sobre quem ele é, de verdade, só pioram esse fato. Eu não confiaria, jamais, em alguém que pode mudar da água para o vinagre por simples conveniência pessoal e abandonar não só seus princípios, mas todos os seus companheiros, por motivos egoístas sempre que precisar. Nem todo mundo é Kuroko e Midorima, Seijuro, e vai chegar um momento em que você ficará completamente sozinho. Para sempre.

A maior vantagem presente em um shounen cuja temática sejam os esportes de equipe é que dá pra trabalhar o poder do companheirismo de uma forma bem menos forçada do que as outras histórias. Quando um personagem consegue derrotar um chefão de fase aparentemente invencível porque foi estimulado por seus companheiros, fica forçado. Quando um desafio épico só é superado pelo uso do poder da amizade, nem sempre convence. Mas não é assim no basquete. Aqui, não adianta querer vencer um jogo sozinho, ou deixar tudo nas costas de uma única pessoa, porque por melhor que ela seja, não dá conta de outros cinco sozinha. Aomine precisou aprender isso. Akashi precisa aprender isso. E agora, por incrível que pareça, é a Seirin quem finalmente entendeu a necessidade do trabalho em grupo, além dos benefícios que ela traz. Por exemplo: um novo poder pro Kurocchin.

Pra bater de frente com Akashi, os garotos precisavam de uma nova técnica, isso era óbvio. Tentaram usar o Kuroko, foi ultrapassado. Tentaram trabalho em time, necas. Tentaram a zona do Kagami, mas não foi o bastante. Se eles não aprendessem algo depressa, seria o fim. E olha, podem falar mal o que for do time, mas não subestimem suas técnicas. Se Akashi está agora jogando completamente sozinho, é porque os adversários foram capazes de quebrar as jogadas de todos os outros membros do time, tornando-os inúteis a seus olhos. O rei é o único que falta cair, mas também é o mais complicado. Seu Emperor Eye (uma das minhas técnicas favoritas, aliás, já o viram sendo usado em um jogo real?) já era um empecilho, mas agora na zona ele se tornou imparável. A última solução encontrada por eles foi abandonar a ideia de que seu ás enfrentasse o capitão sozinho, e voltar a agir como um time (oh, rly?). Dito isso, quando este avança para tentar executar mais uma cesta, é defendido por Kuroko e Kagami em conjunto. E eles desenvolvem um sistema que é até interessante e nos faz pensar o porque diabos não pensaram nisso antes: é o Emperor Eye versão Kuroko, que eu carinhosamente chamo de Divisão de Tarefas.

 

Qual a sensação de não se estar mais no controle, captain?

Qual a sensação de não se estar mais no controle, captain?

 

Emperor Eye, na base, é tipo uma previsão do futuro, mas na real é só uma antecipação extremamente precisa dos movimentos de seu adversário. Já a versão do Kuroko consiste em adivinhar qual será o caminho que Kagami irá tomar, e seguir o oposto. Um dos dois certamente fechará Akashi. Tão simples e funcional, cara… Mas apesar de ter esse nome, eu pessoalmente não consigo ver como uma antecipação dos movimentos, mas apenas seguir uma tática: se ele vai prum lado, eu vou pro outro. Um dos dois vai acertar. É lógica, cara. Mas claro, tomar a bola do Akashi é um mérito impossível de não reconhecer, e a cara de bunda dele quando foi roubado valeu por metade do meu dia. Isso o afetou a ponto de começar a falhar e errar suas jogadas. Deve ter sido um golpe bem duro para alguém que jamais enfrentou a derrota durante toda a sua vida, heim? Mas quem diria, uma única ofensiva e ele se torna mais inútil do que qualquer membro de seu time! Esse mundo dá voltas, amigo. E Mayuzumi não perde tempo em esfregar isso na sua cara, com toda a razão do sistema solar.

 

A coisa só piora, e o placar está quase empatado.

A coisa só piora, e o placar está quase empatado.

 

A primeira vez em que esteve próximo da derrota foi na ocasião em que Murasakibara o desafiou, e ele mudou completamente desde então. O choque em ter sido sobrepujado por Kagami e Kuroko é um fator de transformação ainda mais poderoso, que o fez repensar sua vida desde o começo para decidir que tipo de pessoa ele precisaria ser de agora me diante. Essa reflexão no banco o salvou de ser retirado do jogo, o que seria ridículo e suicida. Mas parece que o rapaz conseguiu encontrar uma nova personalidade, e uma nova motivação para jogar. Ele ainda quer a vitória, claro, mas não sei mais se é a todo custo como antes. Esse Akashi que surgiu agora é diferente dos dois anteriores, mas tenho a impressão de que é tarde demais para que a Rakuzan mantenha o seu primeiro lugar invicto. Mesmo que faltem apenas cinco minutos e a diferença seja de uma cesta, a Seirin mantém como vantagem as quebras das técnicas deles e a eficácia do trabalho em equipe. Então, a menos que esse recém-chegado seja capaz de transformar o seu time que nem aconteceu com a Teiko no ginasial (só que de modo inverso, e em menos de meio quarto), podem dar adeus à Winter Cup, boys.

 

Perdeu até o respeito de seus subalternos. Agora, não te resta mais nada.

Perdeu até o respeito de seus subalternos. Agora, não te resta mais nada.

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