Estamos recrutando redatores, clique aqui e se candidate, vagas limitadas!

Já o resto, quanta diferença! Esse episódio tem duas sacadas históricas muitíssimo interessantes, mas pelo menos uma delas é só um fanservice para quem gosta de história (oi, Kondou!), já a outra tem potencial para ser bastante importante ainda no enredo, mas também pode ser coisa de um episódio só. A ver.

O título alternativo com o qual trabalhei para esse artigo, e que quase foi o escolhido, era algo como “O Suzaku é um idiota e a Karen é uma idiota“. Bom, os dois são idiotas – no sentido médico da palavra mesmo, indivíduos com capacidades cognitivas extremamente reduzidas. Só isso explica a forma de pensar deles.

E ah, escrevi mais um capítulo do meu exercício de futurologia sobre as irmãs Cornelia e Euphemia no final desse artigo!


Anime21 Diário

Informe o seu e-mail para receber gratuitamente as atualizações do blog!


Falando em fanservice

Não vou seguir a ordem da introdução, prefiro começar o artigo propriamente dito falando sobre a idiotia de dois importantes personagens.

O Suzaku não fez nada nesse episódio e poderia ter passado mudo que se vestir de gato teria sido a única vergonha que teria sofrido, e nem culpa sua foi, a presidente que é maluca mesmo. Mas ele tinha que abrir seu bocão pra falar bobagem. Reconheço que não foi culpa apenas dele, o Lelouch que deu corda pro garoto. Mas ele que se enforcou. O Lelouch certamente manterá ainda por um bom tempo a esperança que o amigo torne a reconsiderar a proposta do Zero, e por isso perguntou o que ele pensava de sua outra identidade e sua novíssima Ordem dos Cavaleiros Negros, esperando, decerto, que as ações em nome dos fracos fossem amolecer um pouquinho o coração de pedra do amigo. Mas que nada.

E mais uma vez o Suzaku poderia ter parado por aí que ainda estava tudo bem para ele. Mas ai! Ele teve que se explicar! Lelouch disse o óbvio, que talvez Zero e seus homens estivessem fazendo o que achavam que a polícia (e por extensão, todas as forças de defesa) não era capaz de fazer. E isso logo depois do episódio do hotel me faz crer que ele tem um bocado de razão. Ok, o Suzaku provavelmente teria conseguido afundar aquele edifício sem ajuda nenhuma, mas quem iria garantir a segurança dos reféns se os terroristas estivessem sozinhos e no comando do lado de dentro? Principalmente depois da Euphemia ter se revelado – dessa parte ele não sabia, mas ele sabia que ela estava lá dentro e portanto sabia que ela ser descoberta era uma possibilidade real. Sejamos francos, Suzaku: sem o Zero os reféns não teriam saído ilesos.

Devia ter parado por aí que ainda tava no positivo, Suzaku

Mas vamos lá, posso aceitar que como um soldado ele próprio defenda as forças de segurança acima de tudo. Devemos sim trabalhar para que elas melhorem se ainda não são boas o suficiente! Posso ser totalmente à favor disso. Mas o Lelouch não fez a pergunta por hipótese, mas sim falou de casos concretos: a Ordem dos Cavaleiros Negros deveria deixar de agir em todos os momentos em que agiu, enquanto a polícia ainda não era competente o bastante (e continua não sendo)? Imagine-se na cena de um crime em andamento: você tem a oportunidade de derrotar o bandido, mas ao invés de fazer isso você escolhe ir até o policial que está lá sem fazer o que deveria e diz para ele fazer algo a respeito? É essa a sugestão do Suzaku. Se ele tivesse criticado os métodos do Zero eu até poderia conversar a respeito, ainda que eu não tenha visto um britaniano agir de forma delicada e proporcional em nenhum momento, então acho difícil cobrar isso apenas de quem se opõe a eles. Suzaku acertou, porém, ao duvidar das intenções dos pretensos heróis, mas depois de falar asneiras tão grandes eu não posso senão chamá-lo de idiota.

E a idiota mais óbvia e mais ativa do episódio foi a Karen. Acho que nem tem muito o que “explicar”, tem? A mãe dela, uma japonesa que foi amante de seu pai, continua trabalhando como empregada na casa dela ainda que seja desqualificada para o trabalho de tão desastrada que é e maltratada por ter sido a amante do chefe da casa. Maltratada inclusive pela própria filha! Não é preciso exatamente ter um Prêmio Nobel para adivinhar porque a mulher se sujeita a tanto, ou é? É mais claro que a luz do sol que ela quer ficar perto da Karen, sua filha! Sua única filha depois que o irmão mais velho dela morreu. Mas a Karen precisou vê-la delirando drogada para descobrir isso. Agora a pobre coitada foi condenada a 20 anos de prisão porque buscou nas drogas uma fuga para o cotidiano infernal que ela vivia, impingido a ela inclusive por sua própria filha amada. Idiota, Karen, é o que você é.

Menos idiotia e mais sagacidade, por favor! As referências históricas do episódio. Foram dois exercícios de paródia histórica muito divertidos. Um deles foram as próprias drogas: estão sendo inseridas no Japão (agora apenas uma colônia britânica) pelos chineses. Qual é a graça disso? Ora, durante sua expansão imperial no mundo real, foi a Inglaterra quem levou a droga para o extremo oriente, com resultados terríveis na maioria dos casos. De fato, chegaram a travar guerras contra a China porque essa ousou proibir seu lucrativo tráfico de ópio – adequadamente chamadas de Guerras do Ópio, que levariam ao Tratado de Nanquim que forçou a China a abrir seus portos para os britânicos e a ceder Hong Kong por tempo indeterminado. Em Code Geass, é a China quem exporta drogas devastadoras para uma colônia britânica. Dei um sorriso maroto ao ouvir isso. Assim como o tráfico de ópio levou às Guerras do Ópio, talvez possamos esperar desdobramentos interessantes no anime para além da pura ironia.

Já a outra paródia histórica é só uma piada mesmo. Cornelia deixou o Japão para ir até El Alamein, que está sob ataque da União Europeia. No mundo real, também houve batalhas em El Alamein e, se está lendo meu texto até agora e eu estou conseguindo me fazer entender, você já deve saber que o Reino Unido participou delas, não sabe? E que provavelmente em papéis trocados! E é isso mesmo. El Alamein foi uma vitória decisiva para os Aliados na Segunda Guerra Mundial. Foi a primeira vitória britânica na guerra e interrompeu o avanço alemão no norte da África. No mundo real, os ingleses (e neozelandeses, australianos, indianos e sul-africanos que combateram como parte da Commonwealth – é justíssimo mencioná-los) foram os mocinhos, enquanto os vilões foram os nazistas e italianos, comandados por ninguém menos do que o mítico General Rommel, a Raposa do Deserto. Em Code Geass, como sabemos, os britanianos é que são os vilões e Cornelia partiu para defender El Alamein.

O que se encaixa com as minhas últimas previsões para o futuro das irmãs! Será que a morte da Euphemia será o clímax da primeira metade dessa temporada de Code Geass? Sem a Cornelia por perto, Euphemia se tornou de fato a governante do Japão. Vai dar qualquer merda aí e por causa do Lelouch ela vai morrer, não tenho dúvidas. Estou interessado é com as circunstâncias em que isso ocorrerá: quem quer que seja responsável pela morte da princesa será jurado de morte por sua irmã. Se for Zero, então Cornelia caçará o terrorista com mais afinco do que nunca – e Suzaku também, lógico. Mas se for assim, Suzaku não terá motivo nenhum para se afastar de Lelouch – e essa é uma oportunidade boa demais para o anime desperdiçar. Embora a Villetta já esteja no rastro do Lelouch, não acredito que ele vá ter sua identidade descoberta tão cedo. Será que há como a culpa pela morte da Euphemia recair sobre os “dois” (Zero e Lelouch) sem derrubar a máscara?

Aproveita bem Cornelia, pode ter sido a última vez que viu a irmãzinha viva

  1. Obrigado pela aula de História, rs.

    Eu estou assistindo os episódios junto contigo agora. Engraçado que quando eu tinha meus 16, nem me dei conta do quão forçado foi essa estupidez da Karen com relação à mãe dela. Está muito na cara! Se eles queriam dar esse efeito dramático, que tivessem criado uma relação entre mãe e filha mais transparente. A Karen poderia ficar irritada ao ver a mãe submissa daquela maneira só por causa dela, e a partir daí criar uma outra dinâmica.

    • Fábio
      Fábio "Mexicano" Godoy

      Achei horrível mesmo a relação entre a Karen e sua mãe e como ela se desenvolveu nesse episódio. Code Geass tem algumas narrativas muito boas, mas tem umas porcarias que nem essa também. Por enquanto (já tendo assistido até o episódio 15) estou achando o conjunto ligeiramente acima da média.

  2. Depois de ler este artigo, mais de quatro vezes seguidas, eu comecei a rever o meu ponto de vista que eu tinha em relação à Karen. Depois de ver, este episódio 9 de Code Geass, oito anos depois, de o ter visto pela primeira vez, reparei em tanta coisa de mal, que não tinha reparado 8 anos atrás. A atitude da Karen para com a sua mãe, é estúpida e irracional. Por muitos ressentimentos que a Karen tenha com a sua mãe, não é motivo para ela tratar a mãe, como se esta fosse um animal indesejado. Isso das governantas, terem filhos dos seus patrões não era nada fora do normal, em muitas eras que este mundo já viu. Como tu bem referiste no artigo, a mãe da Karen só se sujeitava aquilo, porque queria estar ao lado da sua filha, mesmo que para isso tivesse que se usar droga para se abstrair daquela realidade, afinal o ser humano não é feito de ferro. Agora que vejo os teus artigos semanais de Code Geass, é que começo a reparar, como Code Geass está cheio de coisas que eu não suporto num anime. O principal deles é o fanservice, a cena da Karen, neste episódio, deitada na cama nua, qual a necessidade desta cena, isso mesmo nenhuma.
    Eu nem era para comentar este episódio, mas mal vi, que fui evocado na introdução do artigo, não poderia deixar passar este artigo sem um comentário. Adorei a tua pequena aula de história, principalmente a parte do ópio. O Império Britânico, sempre foi cruel com aqueles que o desafiavam, os chineses que o digam. Nem o exército nem a marinha, chinesa, naquela altura tinham como enfrentar um dos maiores impérios que o Mundo já tinha visto até então. Aqueles que decidiram fazer frente aos interesses britânicos, não pensaram muito nas consequências que viriam ao desafiar o Império Britânico. Imagina que do nada tinhas a Marinha Britânica à tua porta, os chineses bem batalharam, mas o que uma frota de barcos de guerra de madeira, poderiam fazer contra os couraçados ingleses, nada. Os chineses além da derrota, ainda tiveram que abrir os seus portos a eles (muito semelhante ao que os americanos fizeram com o Japão) ainda tiveram que ceder uma parcela de terra ao ingleses, neste caso Hong Kong. O comércio de ópio era uma grande fonte de renda para o Império Britânico, eles produziam o ópio nas suas colónias na Índia de forma bem barata, e exportava-no para a China, para a sua metrópole Londres, e mais tarde para o Japão (aqui já o Japão estava na Era Meiji) onde o vendiam bem caro. A maneira como eles exportavam o ópio, sempre me faz lembrar do comércio triangular, que Portugal fazia na altura dos descobrimentos. Portugal nos descobrimentos ia ao Brasil e à Índia buscar matérias primas, como especiarias e açúcar, depois iam a África e trocavam essas mesmas matérias primas por escravos e depois voltavam à metrópole, era quase como um ciclo vicioso. O ópio servia para muitas coisas, desde para tratamento de problemas nos olhos, como para uso recreativo (como no caso dos chineses). A parte do El Alamein, nem eu diria melhor, neste caso explicaria melhor. Rommel é uma lenda, no que se trata a feitos militares, a alcunha de raposa do deserto não veio do acaso. Como tu bem escreveste no titulo do artigo, este episódio fez uma boa paródia histórica. E a Corneleia que aproveite todos os segundos que tenha, para estar com a sua irmã Euphemia, pois esta já tem uma death flag atrás dela, bem evidente.
    Como sempre, mais um excelente artigo, de Code Geass Fábio.

    • Fábio
      Fábio "Mexicano" Godoy

      Como respondi ao Luiz acima, a relação da Karen com sua mãe é horrorosa mesmo. Code Geass mandou muito mal nesse episódio. Quanto ao fanservice, é curioso como só há fanservice eventual, não é como aqueles animes que têm fanservice quase o tempo todo, em geral é uma cena por episódio só, quando tem, mas é sempre algo que soa completamente desnecessário, e aí acaba chamando muito mais atenção. Me contaram que na segunda temporada o fanservice passa a ser mais para o público feminino, e não se estou curioso para descobrir como isso vai se dar, hahaha!!

      Quanto aos fatos históricos e à história de Code Geass, ah, puxa, a Cornelia não foi para El Alamein ainda no final das contas – ou foi mas voltou antes do próximo episódio começar. Dessa forma acabou servindo apenas para informar que a União Europeia está existe, está viva e é inimiga de Britannia. Ok, não voou dizer que foi inútil, mas me encheu de expectativas e me frustrou depois, hehe.

      Um fato curioso sobre o comércio de ópio no oriente é que vários países da região até hoje têm uma legislação muito dura contra o tráfico de drogas (incluindo pena de morte para tráfico mesmo que pequeno em muitos casos) por causa do trauma da época do comércio de ópio. A Inglaterra fez muito mal mesmo ao oriente.

      • A Inglaterra fez tanto mal, a tantos países, principalmente no Oriente. O comércio do ópio, foi uma das chagas que o Império Britânico fez no mundo.

      • Fábio
        Fábio "Mexicano" Godoy

        Comparado ao imperialismo britânico, os Navios Negros e a subsequente presença americana no Japão não foram nada. Aliás, esse era um dos argumentos dos EUA: ou seriam eles, ou seria uma das potências europeias, cujos efeitos daninhos já eram bastante evidentes e conhecidos.

      • Quanto à questão dos Kuro Fune, eu estou de acordo, com o que escreveste. Se bem, que os japoneses, não queriam comerciar com os americanos, a onda deles eram mais os holandeses. Antes da guerra civil, que viria dar origem à Era Meiji, a medicina, os relógios, engenharia, os japoneses, sugavam os conhecimentos que os holandeses levavam para lá. Nunca houve problemas com os holandeses, mas quando chegaram os Navios Negros, é que a situação saiu fora de controle. Pensando que não, no meio desses Kuro Fune, estavam navios de guerra ingleses, era uma frota combinada. Só mesmo para incitar o medo, nos governantes do Japão. O mais engraçado, senão triste, desta história, é que quem assinou o Tratado de comércio com os gaijin, foi o Shogunato, mas quem é que teve o acesso a armamento bélico europeu na guerra civil, foram os pró-Imperador. O Shogunato foi completamente abandonado, pelas potências estrangeiras, aliás estas mesmas.incitaram a guerra, só para vender armamento. Os americanos e ingleses, treinaram e equiparam o exército pró-imperador, com a melhor tecnologia bélica, disponível na altura. Já o exército do Shogunato, não teve essa sorte, este teve apoio dos franceses, mas o equipamento que a Franceses deram, era obsoleto. Na batalha de Toba Fushimi, o exército do Shogunato tinha quinze mil homens, versus cinco mil homens do exército pró-imperador. O Shogunato nesta batalha sofreu uma derrota imensa, o que lanças e espadas, podiam fazer contra rifles, canhões, obuses e metralhadoras gattling, nada, os samurais e soldados que lutaram ao lado do Shogunato Tokugawa, eram apenas bucha para canhão, mais nada.

      • Fábio
        Fábio "Mexicano" Godoy

        Com os holandeses não havia problemas porque eles comercializavam em pequena escala, apenas em Nagasaki (que eu acho que tinha outro nome na época, mas posso estar enganado), não é?

        Os ingleses não operavam seguindo essa lógica. Acho que não é exagero dizer que os americanos de fato podem ter salvo os japoneses de uma intervenção muito pior (e fun fact: o mesmo ocorreria de novo ao final da Segunda Guerra, quando a ação fulminante dos EUA – as bombas – fizeram a URSS cancelar sua invasão programada à Hokkaido; consegue imaginar um Japão dividido, com seu norte comunista?).

        Ei, dá uma lida no meu artigo mais recente de Code Geass? Eu dei uma olhada na minha bola de cristal e quero saber se estou prevendo muito errado =D

      • Teria sido bem interessante, ver o Japão divido em dois. O lado comunista seria bem interessante. Como seriam os japoneses comunas, seria um fenómeno interessante. Agora fora de brincadeira, ainda bem que os americanos agiram antes dos russos, mesmo eu discordando do uso das bombas atómicas, foi bom os E.U.A tornarem o Japão, num protectorado. Vou dar uma vista de olhos, no teu artigo mais recente de Code Geass, para ver se o teu dom de previsão está correcto.

Comentários