Como o título bem supõe, apesar de todos os problemas que teve, esse anime conseguiu apresentar um ótimo final e, se não compensou seus erros e defeitos, ao menos se confirmou como algo satisfatório dentro de sua proposta. Dá no máximo para dizer que ele foi bom e nada mais que isso, mas não é como se todo anime tivesse a obrigação de ser excelente, não é mesmo? Se a obra te diverte e quer dizer alguma coisa acho que isso já é um belo feito. Sem mais demora, vamos à análise do final de Tenshi no 3P! e depois as suas considerações finais.

“Afinal, é a sua música.”

Na primeira parte do episódio acompanhamos o processo de criação da música da Jun, desde a escolha dos acordes a composição da letra. Foi interessante ver o Nukui dando a ela liberdade criativa para pôr seus sentimentos na música, pois a forma dele enxergar o processo criativo não está ligada a conceitos de certo ou errado, mas sim à honesta expressão do artista. Um ponto positivo desse episódio, e da obra como um todo, foi exatamente esse respeito e seriedade ao tratar da música. Outra coisa boa desse momento foi ver a convicção da guitarrista em fazer tudo sozinha, mostrando certa evolução da personagem, já que ela mesma se queixava tanto da sua indecisão desde o começo da história.

Outra coisa que exemplificou bem esse cuidado e carinho ao lidar com a música foi o belo e rico arranjo que o protagonista preparou para a irmã como acompanhamento para o teclado, conseguindo dar outras cores a uma música que já era ótima. Além de ter sido uma forma de evidenciar a gentileza dele e a capacidade que a música tem de aproximar ainda mais as pessoas. Dá para sentir uma verdadeira conexão entre todos esses personagens, e isso se deve em grande parte ao fato de eles compartilharem o interesse pela música de diferentes formas.

Fazer música é igual comer, se for junto fica sempre melhor!

Outro bom momento dessa primeira parte foi a pescaria do Nukui com a Sakura, a qual, se não compensa a perda de tempo de tela que a personagem sofreu, ao menos serve para reforçar as qualidades do protagonista, o carisma da garota e causar a última situação cômica de duplo sentido do anime em um momento propício para isso. Se acontecesse depois destonaria muito do clima vigente e pareceria forçado, o que felizmente nunca foi um problema para o anime já que todo o seu fanservice e a sua “comédia duvidosa” não atrapalhou o andamento da história em si.

Confesso que fiquei frustrado pelo possível romance entre ele e a Sakura não ter ido para lugar nenhum, me parece que ela gosta dele e que ele ou não se deu conta disso ou percebeu, mas apenas quer “curtir o momento” e não definir nada ainda. Até porque isso causaria a discórdia entre as garotas e ele não deve estar nenhum pouco afim disso. Talvez o erro tenha sido em parte meu por ter esperado demais de um romance, mas o anime também deu sinais indicativos disso, então pelo menos metade ponho na conta do roteirista que abriu essa possibilidade apenas para deixá-la de lado em seguida. Aliás, esse foi um dos pontos negativos dessa obra, ter, em alguns momentos, aberto mão de coisas interessantes em prol de clichês e resoluções fáceis. Com mais “ambição” de quem a escreveu essa história poderia ter sido bem melhor!

Apesar dos pesares, foi um enorme prazer torcer por essa personagem!

A segunda parte do episódio, e a última do anime, começa com o Master reconhecendo tudo o que o Nukui construiu de bom com as garotas até ali, o que foi bom para, se não passar uma sensação de um grande objetivo alcançado, ao menos mostrar que tudo o que ele fez por aquelas garotas valeu a pena e deu frutos não só para elas como também para ele e para outras pessoas a sua volta. Tenshi não é o tipo de anime que cativa seu público por ter uma meta sólida e interessante, mas sim pelas situações que apresenta e alguns ótimos momentos.

Verdade, ele foi um bom protagonista que fez toda a diferença na história!

Em seguida tivemos o show da banda principal e depois a apresentação da nova banda, que ao meu ver foi ótima no quesito musical e ainda melhor pelo final que rendeu a imagem da capa desse artigo e simbolizou que, enfim, a Kiriyume aceitou a Lien de famille, que ela finalmente reconheceu que também formou um laço com as garotas – e tudo isso graças a música! Mostrar essa conexão dessa forma condiz com a personalidade tsundere que ela tem e se não “apaga” seus momentos irritantes ao menos me faz pensar que no geral ela não foi uma personagem assim tão ruim.

Pare fechar com chave de ouro a Lien de famille canta a nova música, que além de ser bela e animada, também é bem simples e doce – assim como muitas vezes foi o anime, e foi exatamente nesses momentos que ele mais brilhou. Esse final não poderia ter sido melhor, pois ele além de focar na música e nos personagens, foi estruturalmente bem escrito e bem produzido, conseguindo trabalhar bem seus temas (confiança, laços, amor a música), enquanto mostrou certo progresso na história (a evolução da guitarrista e a formação da nova banda).

No final, a nova banda não vence a disputa, mas sai de cabeça erguida e ainda firme e forte com a ideia de fazer música; a Lien de famille dá mais um passo em direção ao seu amadurecimento musical e o anime se encerra com a constatação óbvia e perfeita do Nukui de que a música é uma coisa maravilhosa – eu como um apaixonado por música que sou não poderia concordar menos com isso, sendo que foi exatamente essa paixão o que mais me motivou a comentar o anime. A produção entendeu a sutileza do momento e deixou a música de abertura rolando até o fim enquanto passou cenas que resumiram toda a série, concluindo assim a adaptação de light novel com carisma e personalidade e mostrando o melhor entrosamento entre forma e conteúdo visto nela até agora. Foi um final excelente para um anime que, se não me marcou tanto pela história, podem ter certeza que deixou sua música gravada no meu coração!

Lien de famille – a banda que é uma verdadeira família

Considerações finais

Tenshi no 3P! é um ótimo exemplo de que não se deve “julgar um livro pela capa”, de que às vezes uma história pode ter momentos ruins e mesmo assim ter coisas muito boas, de que a música aproxima as pessoas e pode mudar suas vidas para melhor!

Se deixar as brincadeiras de duplo sentido e o fanservice um pouco de lado – isso se você não se divertir com essas coisas, como eu me diverti –, além de certas tomadas de decisão duvidosas de quem escreveu a história, vai se deparar com um anime de história simples e honesta que quando entende a essência do que quer passar consegue fazer isso de forma satisfatória e se não se vende pela consistência de seu roteiro ou seu primor técnico, se esforça para tentar compensar isso com sentimentos que transbordam através de suas músicas e das ações de seus personagens. No geral foi um bom anime que mereceu as três estrelas e meia.

Não se trata de uma ótima história nem de um ótimo anime, mas sim de uma história que conseguiu mostrar o seu melhor quando deveria e tornou o seu pior suportável para quem, como eu, conseguiu se afeiçoar a esses personagens e partilhar de ao menos uma coisa em comum com eles. Uma coisa simples e essencial, mas que fez toda a diferença: a música.

Celebrar o mediano, o que é apenas – e no máximo – bom, o que tem seu valor apesar de tão distante da perfeição não é mediocridade e sim aceitar que histórias podem e devem ser tão humanas quanto quem as escreve, suscetíveis a erros e acertos, mas que só podem ter seu valor decidido pelo quanto de dedicação, amor e verdade um autor pôs naquilo e o quanto do mesmo seu público está disposto a dar em troca.

Se estiverem com paciência para algo de qualidade inconsistente, mas com altos bem mais altos do que baixos e com o qual você pode se envolver e aprender a amar, deem uma chance a esse anime. Eu não me arrependi por ter feito isso, tenho certeza de que para alguns de vocês também não será em vão!

Viva a música! Celebrem a vida com uma canção!

Eu não consigo mesmo deixar de amar esse anime, e digo isso do fundo do meu coração! ❤

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