Bom dia!

O último artigo de Wake Up, Girls! Shin Shou foi publicado há quase um mês, e foi sobre o episódio 6. Depois disso veio o “episódio 7”, que não foi um episódio. Foi uma mistura de especial com as dubladoras-idols e recap, enfim, nada que merecesse um artigo. Depois começou minha maratona de provas de final de semestre na faculdade e fiquei sem tempo nenhum.

Agora estou com todo o tempo do mundo (foi difícil, mas consegui passar em todas as disciplinas) e estou tirando o atraso dos vários artigos que deixei de publicar. Obrigado antecipadamente por continuar comigo!

No episódio 8 finalmente o trio de garotas que ainda formará o grupo idol novo entrou para a Green Leaves e (meio que) começaram sua carreira. As Wake Up, Girls! mergulham em seus ensaios para a turnê nacional. E o Clube I-1, passando por uma grave crise, começa uma grande reforma interna. A idol virtual Makina X continua apenas “existindo”, mas sua própria “existência” já é sinal de mudança, e ela começou a aparecer mais no próprio anime, o que indica de forma indireta que sua importância no mundo fictício de Wake Up, Girls! está crescendo. O episódio 9 foi basicamente reforço disso tudo.

A coisa sobre idols, ou sobre ser uma idol, é que é uma carreira muito curta. É preciso ser jovem e cheia de energia e abrir mão de ter uma vida social, afinal de contas. Ninguém aguenta isso por muito tempo, e mesmo que aguente, a juventude é algo que passa rápido. Ex-idols seguem carreiras mais sólidas e duradouras como cantoras, atrizes, ou até um pouco de ambos, mas sem aquele brilho específico, especial, que só uma idol tem. Claro que pode haver exceções, e tecnicamente cada idol já é uma exceção em um universo ainda maior de garotas que um dia sonharam em ser idol e só algumas poucas conseguiram, mas é a regra. É o normal. Idols são, afinal, moda.

Grupos como Wake Up, Girls! nascem e morrem todos os dias. As WUG ainda têm muito fôlego pela frente, mas sem querer o Green Leaves já está preparado para quando essas garotas não forem mais, bem, garotas. Um trio de garotas ainda mais jovens e cheias de vontade se uniu à agência! Uma estratégia mais ousada é criar uma gigantesca fábrica de idols, como fez o Clube I-1, mas não é algo que todo mundo possa fazer. As marcas deixam de vincular-se às idols em si, e podem sobreviver, geração após geração, “formando” (um eufemismo para demitindo) suas antigas idols. Mas como já disse, criar algo assim não é para qualquer um. É um projeto grande, caro, que não pode se dar ao luxo de sequer correr o risco de falhar.

Entram em cena as idols virtuais, que não envelhecem, e se e quando perderem a fama não será necessário mandar ninguém para a rua, basta criar um novo modelo 3D, novas músicas, uma nova voz sintética, e pronto. E tecnicamente, depois da primeira, o processo para criar novas é muito simplificado, reaproveita-se muita coisa em termos de programação. Não é fácil fazer, mas é mais barato e menos arriscado que o modelo de fábrica. É mais caro que o modelo tradicional, mas é mais durável e mais lucrativo – não se está lidando com uma pessoa real, não há nenhum custo de administração de pessoal, pode-se realizar “shows” simultâneos em vários lugares, etc.

Claro que um anime exatamente sobre isso seria tão chato quanto esse meu artigo, hehe, mas Wake Up, Girls! mostra não isso exatamente, não é sobre a indústria, os processos de decisão e sobre as grandes mudanças, mas como as idols, as pessoas em torno de quem essa indústria se move, são afetadas por isso. A Junko, dona do Green Leaves, faz questão de blindar suas garotas das dificuldades financeiras – e fica uma fera com Matsuda por achar que a culpa delas terem descoberto que as vendas para a turnê vão mal foi dele (e bom, porque ela sempre fica uma fera com ele por qualquer motivo, ou mesmo sem motivo).

Ayumi não vai desistir!

Há um paralelo entre isso (a blindagem das idols em relação à administração e finanças da agência) e à “blindagem” que as idols devem manter entre suas vidas e preocupações privadas e o público geral: uma idol deve sorrir. Sempre sorrir, não importa a situação, não importa o quanto estejam perdidas ou sofrendo. Essa foi a lição que Ayumi, Otome e Itsuka precisaram aprender para finalmente serem aceitas pelo Green Leaves.

A situação do Clube I-1 é muito mais dramática. Mudanças profundas estão acontecendo porque fazer apenas o mesmo de sempre – lançar músicas e fazer shows – não estava dando resultado. O grupo principal vai ser reformulado. Shiraki é sincero quando diz para a Moka que ela apenas deu azar, depois de informá-la da decisão de removê-la da posição central. Foi isso mesmo: azar. Não faltou esforço nem talento, ela fez tudo o que tinha que fazer e provavelmente ainda mais, mas o grupo não vai bem, então ela foi sacada.

O Next Storm talvez acabe sem a Shiho. É o azar. Os ingressos para o show final do WUG, no Estádio de Sendai, não estão vendendo porque o show vai ser no mesmo dia que um mega-show do Clube I-1. Azar. Yoshino percebe que nem com todo o empenho dela e das colegas no palco as WUG conseguem chamar a atenção de todo mundo que já estava no show. Provavelmente foram lá para ver outro grupo ou banda que se apresentaria no mesmo palco, antes ou depois. Azar.

Essa onda de azar na verdade é a manifestação das vagas da moda, das ondas de opinião, a força-motriz por trás das mudanças grandes e pequenas que acontecem em uma indústria como a de idols. É possível se esforçar ao máximo, se preparar ao máximo, e ainda assim nunca se estará pronto o bastante, preparado o bastante. Quando isso acontece, só se pode mesmo atribuir os infortúnios ao azar. As Wake Up, Girls! ainda têm bastante fôlego e estão enfrentando um de seus maiores desafios. Será que no final a sorte lhes sorrirá?

As Wake Up, Girls! estão se esforçando!

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