Just Because! – ep 10 – O dia dos que um dia devem vir a namorar

Eu esperava algo diferente desse episódio e confesso que fiquei feliz pelo anime ter mantido o pé no chão e ter sido bem coerente e consistente com o que vinha apresentando até aqui no que tece ao desenvolvimento dos seus casais – diria até que uma dessas “saídas” não foi assim tão previsível ou clichê. Só porque é dia dos namorados não quer dizer que todos os caras vão receber chocolate!
Sim, eu falo exatamente da, de certa forma, resolução da situação entre a Horikawa e o Haruto. Confesso que pensava que agora as coisas entre eles iam ficar realmente “românticas” e que no final do anime eles namorariam e dariam aquele “jeitinho mágico” de resolver o problema da distância, mas olha, isso não seria tão realista quanto a garota apontar que há dificuldades nesse namoro a distância e que ela tem que se organizar em sua nova vida antes de querer namorar.
Eu não precisei mudar de cidade ou de estado para estudar, mas conheço pessoas que precisaram e sei que há muitas coisas pelas quais se tem que passar e coisas que se tem que fazer ao se morar sozinho e decidir se acostumar a essa nova vida, além de se adaptar ao ritmo da universidade, me parece o tipo de atitude mais sensata. Não que um relacionamento a distância não fosse possível nesse tipo de situação, mas há diversos detalhes a serem considerados – o preço da passagem para um ver o outro com certeza é um deles –, além de que deve ser difícil manter um bom relacionamento com alguém que você mal começou a namorar e do qual já teve que se afastar. Não faz sentido ela começar um namoro agora com o Haruto, é difícil criar um laço forte o suficiente para resistir a distância, o que seria diferente caso eles já namorassem há algum tempo.
Nesse sentido o anime me surpreendeu, mas foi mais por eu não ter me tocado que essa seria a saída mais coerente para a situação dos dois, não namorar agora, mas ela dar uma chance a ele no futuro. E não, essa atitude dela de “adiar o namoro” não foi incoerente, pois se pensarmos que ela é uma garota que não tem experiência no amor e acabou se interessando pelo garoto justamente porque ele se interessou por ela – isso acontece às vezes, da pessoa nem gostar da outra, mas se apaixonar depois de tomar conhecimento dos sentimentos que a outra pessoa tem – faz sentido ela querer tentar alguma coisa com ele no futuro, quando já estiver com a vida estabilizada e conseguir encontrar formas viáveis de fazer esse namoro dar certo. É claro que podem acontecer diversas coisas nesse meio tempo e eles sequer acabarem namorando – então sim, é inocente e romântico da parte dela, mas como essa garota poderia não ser inocente e romântica, né? –, mas ao menos ficamos com a “promessa” entre os dois, a bela cena da entrega do chocolate de dia dos namorados e, espero eu, algum trecho no final mostrando eles namorando felizes no futuro.
Por outro lado, há um casal que com certeza vai ser formado até o final do anime, e o que houve quanto a ele nesse episódio foi realmente interessante não só pelo Eita não ter recebido chocolate – aquele pedacinho acho que não conta muito, né – quando tudo apontava para que ele recebesse ao menos um, mas porque ficaram cada vez mais claras as intenções da Natsume, o fato de que as qualidades do protagonista geram seus maiores defeitos e a “incoerência coerente” que é o amor.
Como falei no artigo anterior, estava na cara que aquele papel de parede no celular do Eita ia provocar uma cena de ciúmes na Natsume, o interessante disso foi que ao ver a garota chorar ele ficou sem entender direito, mostrando que ele é muito perceptivo quanto ao que as outras pessoas precisam, mas não necessariamente quanto ao que elas sentem e acho que isso se deve justamente a ele não acreditar que o mesmo que ocorreu com ele possa estar ocorrendo com ela – todo o processo que é descobrir que está apaixonado e querer ficar com a pessoa. Não me parece ser complexo de inferioridade nem nada do tipo, acho é que ele já se acostumou tanto a ser o “Rei da Friendzone” que não se dá conta o quanto está na cara que não está mais nela e está é colocando as duas garotas nela ao mesmo tempo. A incapacidade dele de “dispensar” a Komiya ao mesmo tempo em que ele fica bobo e feliz por ter uma garota gostando dele são provas cabais de toda a sua inexperiência e inocência no que se refere a relacionamentos amorosos, pois ele fica feliz por estar experimentando uma sensação que nunca sentiu antes sem se dar conta de que isso pode acabar machucando as duas outras pessoas envolvidas – uma delas a garota da qual ele gosta faz anos.
Ele não é má pessoa por isso, é errado julgá-lo por não conseguir arriscar a amizade com a garota que está afim dele ou não conseguir se expressar devidamente para a garota que ele gosta, afinal, esse tipo de indecisão é algo comum nessa fase da vida – por mais que a pessoa seja gente boa ou gentil, às vezes ela não consegue “pôr as cartas na mesa” com quem está a sua volta –, o importante é que ele não dá esperanças infundadas para a garota que está interessada nele, pois ela sabe o que ele quer e entrou de cabeça nessa história somente por sua conta e risco.
Aliás, as atitudes contraditórias da Komiya são a maior prova de como o amor é algo “incoerentemente coerente”, pois se pensarmos que há dois aspectos comuns a esse tipo de sentimento amoroso – o aspecto “egoísta” de que esse amor tem que satisfazer ao seu desejo em primeiro lugar e o aspecto “altruísta” de que ele tem que satisfazer o desejo do ente amado antes de tudo –, é fácil ver que as atitudes dela em prol de se aproximar do Eita e fazê-lo ver o quanto ela é legal e amável são fundamentadas na parte egoísta do seu amor, enquanto a sua atitude de tirar a foto do papel de parede do celular dele, pedir desculpas por causar o mal-estar com a Natsume e ir atrás de vários amuletos para dar sorte a ele na prova que ele vai fazer – sério, ela não cansa de ser fofa não? rs – justamente para estudar na mesma universidade que a Natsume ia estudar mostram que parte de seus sentimentos são fundamentados no amor altruísta, no amor que pensa no que a pessoa amada quer para si e que acredita que ajudá-la com isso é o certo. É contraditório? É, mas se pensarmos que amor é um constante conflito e tentativa de conciliação entre satisfação própria e satisfação de quem se ama as atitudes dela até que se mostram “coerentes”.
- É com atenção aos detalhes que de um episódio pro
- outro Just Because! prova ainda mais o seu valor!
Ao mesmo tempo em que ela quer fazer o Eita gostar dela, ele quer apoiá-lo na história dele com a Natsume, ela não quer destruir nada, mas mostrar a ele que há mais de um caminho para a sua felicidade. Depois desse episódio fica realmente difícil não entender as atitudes da Komiya, ou se não entendê-las ao menos valorizá-las como uma tentativa bastante honesta de fazer alguém feliz tentando ser feliz no processo. Nós todos sabemos que no final o mais provável é ela acabar não ficando com ele e se machucando por isso, mas se ela pensar que ao menos tem o carinho e a amizade dele e que foi capaz de ajudá-lo a ser feliz tenho certeza de que ela não vai se arrepender de nada do que fez e de que isso também vai ser um alento para o público que tanto torceu por ela.
Sim, foi outro ótimo episódio de Just Because! – e por sinal um dos melhores –, pois até quando os personagens “fazem merda” tem motivo, faz sentido com o que foi mostrado anteriormente e dá contornos interessantes a história. O roteiro desse anime é muito bom, pois ele sabe como não ser apenas um amontoado de clichês ou algo completamente original e diferentão. Ele balanceia bem isso, o que é realista, pois romance na adolescência/no início da vida adulta é assim, tem muitos detalhes recorrentes a vários outros romances de várias outras pessoas em vários outros lugares, mas também uma boa quantidade de acontecimentos, ações e reações particulares dessas histórias – que só seriam possíveis naquela situação e com aqueles personagens.
Por último, só gostaria de falar que adoro a forma como são usados os personagens secundários nesse anime, pois, ou eles dão um empurrãozinho na história – a amiga da Horikawa e a gata da Komiya são belos exemplos disso kkk – ou servem para trabalhar o background de um personagem – as amigas da Natsume fazem bem isso ao se preocuparem com ela – ou são bons alívios cômicos – a dupla do clube de fotografia até que é bem engraçadinha – que, ainda que sejam apenas alívios cômicos, recebem chocolate quando nem o protagonista recebe. Pode parecer algo bobo e insignificante, mas isso é dar uma “recompensa” para os personagens já dentro da história, algo simples e até “banal”, mas que prova que quem escreve o anime está atento para todos os seus personagens, sabendo usá-los da melhor forma possível nos melhores momentos.
- Essa dupla mereceu se dar bem hehe!
- Ele recebeu chocolate…
- … só pra trollar o Junpei kkk…
Faltam apenas dois episódios para o fim do anime, então agora eu pergunto a vocês: quais são as suas apostas para o que vai acontecer? Eu não vou arriscar muito, mas digo que se no final os casais se formarem e a Komiya tiver um bom fechamento já devo ficar muito feliz, pois ela foi uma das personagens mais cativantes e bem escritas que acompanhei ao longo desse ano e seria extremamente gratificante vê-la feliz mesmo após não ter conseguido concretizar seu amor.
Se ela tem azar no amor que ao menos tenha sorte no “jogo”, né?! Até o próximo artigo!