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Eu esperava algo diferente desse episódio e confesso que fiquei feliz pelo anime ter mantido o pé no chão e ter sido bem coerente e consistente com o que vinha apresentando até aqui no que tece ao desenvolvimento dos seus casais – diria até que uma dessas “saídas” não foi assim tão previsível ou clichê. Só porque é dia dos namorados não quer dizer que todos os caras vão receber chocolate!

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Sim, eu falo exatamente da, de certa forma, resolução da situação entre a Horikawa e o Haruto. Confesso que pensava que agora as coisas entre eles iam ficar realmente “românticas” e que no final do anime eles namorariam e dariam aquele “jeitinho mágico” de resolver o problema da distância, mas olha, isso não seria tão realista quanto a garota apontar que há dificuldades nesse namoro a distância e que ela tem que se organizar em sua nova vida antes de querer namorar.

Ser maduro não é tentar superar até as maiores adversidades, mas aprender a lidar com elas

Eu não precisei mudar de cidade ou de estado para estudar, mas conheço pessoas que precisaram e sei que há muitas coisas pelas quais se tem que passar e coisas que se tem que fazer ao se morar sozinho e decidir se acostumar a essa nova vida, além de se adaptar ao ritmo da universidade, me parece o tipo de atitude mais sensata. Não que um relacionamento a distância não fosse possível nesse tipo de situação, mas há diversos detalhes a serem considerados – o preço da passagem para um ver o outro com certeza é um deles –, além de que deve ser difícil manter um bom relacionamento com alguém que você mal começou a namorar e do qual já teve que se afastar. Não faz sentido ela começar um namoro agora com o Haruto, é difícil criar um laço forte o suficiente para resistir a distância, o que seria diferente caso eles já namorassem há algum tempo.

Nesse sentido o anime me surpreendeu, mas foi mais por eu não ter me tocado que essa seria a saída mais coerente para a situação dos dois, não namorar agora, mas ela dar uma chance a ele no futuro. E não, essa atitude dela de “adiar o namoro” não foi incoerente, pois se pensarmos que ela é uma garota que não tem experiência no amor e acabou se interessando pelo garoto justamente porque ele se interessou por ela – isso acontece às vezes, da pessoa nem gostar da outra, mas se apaixonar depois de tomar conhecimento dos sentimentos que a outra pessoa tem – faz sentido ela querer tentar alguma coisa com ele no futuro, quando já estiver com a vida estabilizada e conseguir encontrar formas viáveis de fazer esse namoro dar certo. É claro que podem acontecer diversas coisas nesse meio tempo e eles sequer acabarem namorando – então sim, é inocente e romântico da parte dela, mas como essa garota poderia não ser inocente e romântica, né? –, mas ao menos ficamos com a “promessa” entre os dois, a bela cena da entrega do chocolate de dia dos namorados e, espero eu, algum trecho no final mostrando eles namorando felizes no futuro.

Se o Haruto não der valor a uma garota tão amável, pé no chão e linda dessas eu desisto da vida!

Por outro lado, há um casal que com certeza vai ser formado até o final do anime, e o que houve quanto a ele nesse episódio foi realmente interessante não só pelo Eita não ter recebido chocolate – aquele pedacinho acho que não conta muito, né – quando tudo apontava para que ele recebesse ao menos um, mas porque ficaram cada vez mais claras as intenções da Natsume, o fato de que as qualidades do protagonista geram seus maiores defeitos e a “incoerência coerente” que é o amor.

Como falei no artigo anterior, estava na cara que aquele papel de parede no celular do Eita ia provocar uma cena de ciúmes na Natsume, o interessante disso foi que ao ver a garota chorar ele ficou sem entender direito, mostrando que ele é muito perceptivo quanto ao que as outras pessoas precisam, mas não necessariamente quanto ao que elas sentem e acho que isso se deve justamente a ele não acreditar que o mesmo que ocorreu com ele possa estar ocorrendo com ela – todo o processo que é descobrir que está apaixonado e querer ficar com a pessoa. Não me parece ser complexo de inferioridade nem nada do tipo, acho é que ele já se acostumou tanto a ser o “Rei da Friendzone” que não se dá conta o quanto está na cara que não está mais nela e está é colocando as duas garotas nela ao mesmo tempo. A incapacidade dele de “dispensar” a Komiya ao mesmo tempo em que ele fica bobo e feliz por ter uma garota gostando dele são provas cabais de toda a sua inexperiência e inocência no que se refere a relacionamentos amorosos, pois ele fica feliz por estar experimentando uma sensação que nunca sentiu antes sem se dar conta de que isso pode acabar machucando as duas outras pessoas envolvidas – uma delas a garota da qual ele gosta faz anos.

Ele não é má pessoa por isso, é errado julgá-lo por não conseguir arriscar a amizade com a garota que está afim dele ou não conseguir se expressar devidamente para a garota que ele gosta, afinal, esse tipo de indecisão é algo comum nessa fase da vida – por mais que a pessoa seja gente boa ou gentil, às vezes ela não consegue “pôr as cartas na mesa” com quem está a sua volta –, o importante é que ele não dá esperanças infundadas para a garota que está interessada nele, pois ela sabe o que ele quer e entrou de cabeça nessa história somente por sua conta e risco.

Dizer isso e dar o amuleto é uma qualidade dele – ser legal – e também um defeito – ser legal!

Aliás, as atitudes contraditórias da Komiya são a maior prova de como o amor é algo “incoerentemente coerente”, pois se pensarmos que há dois aspectos comuns a esse tipo de sentimento amoroso – o aspecto “egoísta” de que esse amor tem que satisfazer ao seu desejo em primeiro lugar e o aspecto “altruísta” de que ele tem que satisfazer o desejo do ente amado antes de tudo –, é fácil ver que as atitudes dela em prol de se aproximar do Eita e fazê-lo ver o quanto ela é legal e amável são fundamentadas na parte egoísta do seu amor, enquanto a sua atitude de tirar a foto do papel de parede do celular dele, pedir desculpas por causar o mal-estar com a Natsume e ir atrás de vários amuletos para dar sorte a ele na prova que ele vai fazer – sério, ela não cansa de ser fofa não? rs – justamente para estudar na mesma universidade que a Natsume ia estudar mostram que parte de seus sentimentos são fundamentados no amor altruísta, no amor que pensa no que a pessoa amada quer para si e que acredita que ajudá-la com isso é o certo. É contraditório? É, mas se pensarmos que amor é um constante conflito e tentativa de conciliação entre satisfação própria e satisfação de quem se ama as atitudes dela até que se mostram “coerentes”.

Ao mesmo tempo em que ela quer fazer o Eita gostar dela, ele quer apoiá-lo na história dele com a Natsume, ela não quer destruir nada, mas mostrar a ele que há mais de um caminho para a sua felicidade. Depois desse episódio fica realmente difícil não entender as atitudes da Komiya, ou se não entendê-las ao menos valorizá-las como uma tentativa bastante honesta de fazer alguém feliz tentando ser feliz no processo. Nós todos sabemos que no final o mais provável é ela acabar não ficando com ele e se machucando por isso, mas se ela pensar que ao menos tem o carinho e a amizade dele e que foi capaz de ajudá-lo a ser feliz tenho certeza de que ela não vai se arrepender de nada do que fez e de que isso também vai ser um alento para o público que tanto torceu por ela.

“Apesar de você me machucar por ser tão amável e eu não poder te ter, eu ainda gosto de você.”

Sim, foi outro ótimo episódio de Just Because! – e por sinal um dos melhores –, pois até quando os personagens “fazem merda” tem motivo, faz sentido com o que foi mostrado anteriormente e dá contornos interessantes a história. O roteiro desse anime é muito bom, pois ele sabe como não ser apenas um amontoado de clichês ou algo completamente original e diferentão. Ele balanceia bem isso, o que é realista, pois romance na adolescência/no início da vida adulta é assim, tem muitos detalhes recorrentes a vários outros romances de várias outras pessoas em vários outros lugares, mas também uma boa quantidade de acontecimentos, ações e reações particulares dessas histórias – que só seriam possíveis naquela situação e com aqueles personagens.

Por último, só gostaria de falar que adoro a forma como são usados os personagens secundários nesse anime, pois, ou eles dão um empurrãozinho na história – a amiga da Horikawa e a gata da Komiya são belos exemplos disso kkk – ou servem para trabalhar o background de um personagem – as amigas da Natsume fazem bem isso ao se preocuparem com ela – ou são bons alívios cômicos – a dupla do clube de fotografia até que é bem engraçadinha – que, ainda que sejam apenas alívios cômicos, recebem chocolate quando nem o protagonista recebe. Pode parecer algo bobo e insignificante, mas isso é dar uma “recompensa” para os personagens já dentro da história, algo simples e até “banal”, mas que prova que quem escreve o anime está atento para todos os seus personagens, sabendo usá-los da melhor forma possível nos melhores momentos.

Faltam apenas dois episódios para o fim do anime, então agora eu pergunto a vocês: quais são as suas apostas para o que vai acontecer? Eu não vou arriscar muito, mas digo que se no final os casais se formarem e a Komiya tiver um bom fechamento já devo ficar muito feliz, pois ela foi uma das personagens mais cativantes e bem escritas que acompanhei ao longo desse ano e seria extremamente gratificante vê-la feliz mesmo após não ter conseguido concretizar seu amor.

Se ela tem azar no amor que ao menos tenha sorte no “jogo”, né?! Até o próximo artigo!

É assim que vamos ficar caso o Eita fique com a Natsume e a Komiya não tenha um final feliz!

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