Estamos recrutando redatores, clique aqui e se candidate, vagas limitadas!

Bom dia!

Kujira no Kora é a razão pela qual eu ainda não consegui colocar todos os meus artigos e tarefas em dia. Cada vez que chega a hora de escrever sobre ele eu… não consigo. Eu não quero. Eu enrolo. Eu já escrevi sobre muitos animes. Já escrevi sobre animes bons e animes ruins. Já escrevi sobre animes que começam ruins e melhoram, e sobre animes que começam bons e pioram. Já escrevi sobre animes que foram montanhas-russas. Mas é a primeira vez que escrevo sobre um anime que começa muito bem e então cai em queda livre.

Com o final da batalha contra Skylos, “seguir adiante” até poderia ser mesmo o tema do anime e por consequência do meu artigo. Mas se Kujira tentou passar vagamente a ideia de “superar a tragédia” (e eu acho que tentou), ele fracassou.

Não, quem precisa seguir adiante e está fazendo isso sou eu. Tive que escrever esse artigo para poder continuar em paz.

Curta o anime21 no facebook:

Como são três episódios e muita coisa aconteceu, vou poupar a mim e a você e comentarei apenas os pontos mais importantes ou os piores furos (mais isso do que aquilo… ok, na verdade só furos – mas vou tentar extrair o que há de história relevante também), de cada episódio.

No episódio 9 termina a terrível batalha entre Skylos, o navio de guerra do Império, e os exilados da Baleia de Lama. O já longínquo episódio 8 havia terminado com o Ouni subjugado após quase surpreender os soldados imperiais que haviam encurralado Chakuro e Lycos. E agora o jogo acabou, certo? É só matar. Exceto que não. O sujeito que encurralou Ouni, Araphne, decide parar para contar uma história. A essa altura nem lembro o que era direito, sei que era sobre Falaina e acho que era sobre como eles eram condenados e coisa e tal – enfim, coisa que já sabíamos pelo menos em parte. Araphne não matou Ouni para contar tudo sobre a Baleia de Lama para ele, e só então mandar seu subordinado careca matá-lo.

O carecão faz um trabalho melhor? Lógico que não. Ao invés de, após comando de Araphne, finalmente matar o inimigo que já o havia pego de surpresa uma vez, decidiu provocá-lo e torturá-lo um pouquinho. Na verdade estou sendo um pouco injusto, ele até cortou o peito do Ouni, mas parece que o povo da Baleia de Lama não morre fácil com cortes no peito, vide o velho suicida lá. Ouni estava gravemente ferido, eu acho que deveria ter morrido em segundos de hemorragia, senão instantaneamente, mas vá lá, teria ficado satisfeito com um ferimento fatal, mas nem isso era. Era só um arranhão. A perfuração na coxa que ele sofreu em seguida também foi pouco mais que um ligeiro desconforto. Quero dizer, mesmo com uma perna perfurada e um corte profundo no peito ele ainda se levantou mais uma vez e lutou ao lado de Nibi como se estivesse no auge de sua saúde.

E teriam matado mais de mil ali se Araphne não tivesse dado mais um tiro do destino (o outro foi o que atingiu Ouni em primeiro lugar), matando Nibi. Atravessou o tórax, ele caiu, morreu, não foi? Não o suficiente. Ainda se levantou mais uma vez para ser multiplamente perfurado no lugar de Ouni e, agora sim, poder morrer. Ver o amigo morrer, seu melhor amigo, aquele personagem marcante, cujo desenvolvimento acompanhamos ardorosamente por uns cinco minutos divididos em flashbacks e conversas de adolescentes querendo provar alguma coisa, fez Ouni despertar o capeta que vive dentro de si.

Isso tudo ainda não foi o bastante para matar o Ouni

Ou daimon, como descobre-se no episódio 11. Mais sobre isso adiante. Como daimon Ouni consegue usar seu poder para manipular seres humanos diretamente, coisa impossível para todos os pobres mortais, ou talvez ele tenha manipulado o ar, o que não se vê ninguém fazer também, enfim, ele se tornou badass. Quero dizer, ele usar a thymia perto do nous já seria badass, mas não apenas ele usou seu poder como o usou de formas que ninguém consegue, e rachou o navio e seu nous apenas com a própria vontade. Isso foi ok, é desenvolvimento de algo relevante para o anime. Mas não parou aí.

O Nibi, por outro lado, parece suficientemente morto

Prossegue com a despedida do Ouni com o Nibi. Troço brega pra caramba. E vá lá ser brega, mas aquele era mesmo o melhor momento para vermos o quanto o Nibi era importante para o Ouni? Porque foi isso que aquela cena tentou estabelecer. Não teria sido melhor no pós-batalha, quando todos irão (ou deveriam) lamentar as perdas de seus entes queridos e essas coisas todas? Precisa ser no calor da batalha? Depois teve ainda mais uma cena “divertida”.

Adeus, peruca do Nibi!

O avatar de Skylos, ou o próprio Skylos, enfim, aquela garota estranha de Skylos lá, atraiu Chakuro para um sonho surreal (pena que o surrealismo àquela altura já estava saturado por causa das “mãos” que apareceram em Skylos quando foi destruído e da acima mencionada despedida de Ouni e Nibi). Enfim. A garota pareceu tentar subornar Chakuro: “te dou esse caracol bonito (mais tarde descobriríamos que o caracol na verdade é um “esquilo” que na verdade é o leme da Baleia de Lama) e você faz o que eu pedir”. Até o Chakuro é inteligente o suficiente para perceber um golpe óbvio desses quando vê um, então ele recusou. Mas ela deu-lhe o caracol mesmo assim. Tá bom. Ela deu a entender que ele era especial também, não como o Ouni, mas de outra forma – nada que já não soubéssemos também, graças ao Ryodari.

Imagine os relógios derretendo

Que deveria ter continuado morto, mas o episódio 10 fez o desfavor de revelar que ainda estava vivo. E sendo feito de palhaço pelo Orka. Literalmente. O irmão da Lycos por algum motivo perturbado tem uma coleção pessoal de bobos da corte, e quer acrescentar o Ryodari a ela. E eu compreendo o quanto isso pode ser humilhante e portanto ruim, mas o desespero do Cabelos-Rosa fez parecer que fosse algo muito mais terrível do que isso. Ele me lembrou quando o Anakin se torna o Darth Vader no final de A Vingança dos Sith. Eu não poderia me importar menos com o Ryodari, e de fato preferiria que ele continuasse morto, mas Kujira parece querer que eu simpatize com ele – coitado, vai ter que se vestir de palhaço! Qual é? O palhaço aqui sou eu.

“Nãããããããão!” – Vader, Darth

Falando em vezes que Kujira quis que eu me importasse com alguém que ou não desenvolveu o suficiente para isso ou tudo o que fez foi para que eu odiasse o personagem, a esposa do Capitão Shuan se suicidou. Ele até chorou sozinho no cantinho, aparentemente espantado consigo mesmo por estar chorando. Por que eu deveria me importar com isso? Kujira no Kora.

O resto do episódio foi uma piada. Esse era aquele momento ideal para mostrar o pesar que inevitavelmente acompanha o pós-guerra, mas ao invés o anime optou por algo menos triste. Bem menos triste. Animado até. Comédia pastelão, na verdade. Está há um tempo sem chover e por isso todo mundo foi nadar pelado nos lagos que abastecem a ilha. Se isso já não fosse ridículo o suficiente por conta própria, enquanto os filhos de Falaina praticam nudismo a ilha é “invadida” por um pequeno barco, vindo de outra nação, carregando não mais do que uma dúzia de pessoas. Seu líder? Rochalito.

Aiai, que engraçado!

Como não poderia deixar de ser, Suou, o líder da Baleia de Lama, vai recebê-lo. Peladão. Haha! Entendeu a piada, entendeu? Ele tava pelado nadando, aí chegou alguém de fora, e como ele é muito desligado, ficou tão nervoso para ir recebê-lo que nem lembrou de se vestir! Que engraçado. Não só é super engraçado, como tudo o que eu queria de Kujira no Kora, depois de todo esse desenvolvimento, era rir de uma piada pastelão. Rochalito representa a esperança! Um aliado contra o Império! Seremos iguais? E-vi-den-te-men-te que não. Rochalito dispara sua super espingarda energética para o céu pra mostrar quem manda! Contra um bando de selvagens nudistas não parece insensato crer que se possa conquistar a ilha com uma dúzia de pessoas. Tá bom, tá bom, Shuan, mostra pra ele qual a real.

Se o episódio 10 tentou fazer piada, o episódio 11 foi ridículo tentando ser sério. Dois momentos, dois discursos constrangedores, duas vezes em um só episódio em que me perguntei por que deixaram eles falarem até o final e ainda deram crédito. No primeiro, Orka foi a julgamento pela sua incompetência no caso Falaina, tornada ainda mais grave por tudo ter sido um plano dele, que ninguém havia pedido de todo modo. No final das contas serviu apenas para o anime ter pretexto para, em seu penúltimo episódio, fazer um infodump. Os nous caíram do céu no passado, isso foi uma calamidade, eles passaram a escolher pessoas para dar poder em troca das emoções (ou da própria vida, no caso de Falaina, que é especial), e Orka acredita que a calamidade vai se repetir. Com base em quê? Sei lá. O importante é que existem não marcados, marcados, e “super marcados” (daimons), que é o que basicamente já imaginava-se.

Kujira no Kora se tornou tão patético que até sua bela arte expressiva acaba fazendo-o parecer apenas prepotente

Infodump ridículo. Julgamento pior. Quero dizer, o julgamento já estava decidido antes de começar e o único juiz sequer estava presente: o Imperador condenou Orka à morte e é isso aí, aquela gente toda estava lá reunida só pra comunicar isso a ele. Mas com seu discurso grandiloquente e tendo conseguido de forma ardilosa jogar a culpa toda no Araphne (que, descobre-se agora, muito convenientemente, havia sido enviado ao Skylos por ordem de um daqueles homens desconhecidos que fingia que estava julgando alguma coisa) conseguiu se livrar da punição. Mesmo se não tivesse sido vergonhoso de assistir, nada muda o fato de ter sido inútil: esse é o episódio 11 afinal de contas. No próximo ele vai atacar de novo? Ora.

Esses dois totalmente inspiram confiança!

Na Baleia de Lama não foi melhor. Os gêmeos – lembra, aqueles inúteis que apareceram durante a batalha só pra encher o saco dizendo como eles não deveriam lutar porque foram os marcados que mandaram e blá blá blá – decidiram iniciar uma revolução. Com eles no comando, é claro. Se os marcados tudo movimentam com o poder da mente, a eles tudo pertence! Sob uma bandeira incrivelmente sinistra e antipática, negra e cheias de penas de pássaros que eles mesmos mataram (e se orgulham de dizer isso), de algum modo insano alguns marcados parecem estar balançados e tendentes a levá-los a sério. O Ouni, o grande salvador, aparece para confrontá-los. Eles o acusam de pau-mandado dos não marcados e fica por isso mesmo. É bobagem demais para um episódio só.

É, Lycos, talvez não tenha sido a ideia mais brilhante não contar isso pro Chakuro antes de qualquer outra pessoa

Para completar as bobagens, descobre-se que a Lycos sabia o tempo todo que Falaina drena a força vital em troca do poder de controlar a thymia. E não contou pra ninguém, nem pro seu querido Chakuro. Se ele ficou chocado quando descobriu? Imagine! A causa foi ridícula, mas é um conflito interessante entre os dois únicos personagens com os quais me importo. Chakuro ficou abalado. Ele estava vagando atordoado pela informação e eu estava me perguntando como Kujira iria resolver isso. Foi aí que a revolução dos gêmeos começou. Kujira no Kora.

  1. Eu nem ia comentar nada sobre este anime, mas ele está tão mau, que os meus dedos até têm coceira para falar mal dele.
    Kujira no Kora, parecia tão promissor, anime abastecido com dinheiro da Netflix, o primeiro episódio foi interessante, mas depois disto o anime foi caindo em todos os sentidos, principalmente na história. Eu acompanho todos os artigos de Café com Anime, e sei a tua luta para defender o anime de Kujira no Kora, mas a este ponto da jornada, já não dá para defender o bom monte de lixo que Kujira se tornou. Eu não podia estar mais de acordo, com as criticas dos participantes de Café com anime, até mesmo as criticas mais pesadas que eles fazem, não dão para discordar, afinal são verdade (a quantidade de vezes que eu ria, quando um deles dizia que os soldados inimigos mais pareciam os minions dos Power Rangers, foi mais de oito mil).
    Posso ser o único, que acho que Kujira é como uma manta de retalhos, ele parece que foi beber a géneros que um dia já fizeram sucesso e tentou copiar na cara dura (como por exemplo Sinsekai Yori e mesmo alguns dos filmes do estúdio Ghibli, como Nausica no Vale do vento e Castelo no Céu), só mudando algumas coisas (que eu acho que mudaram para pior). Junte-se a isso, personagens mal escritos e mal utilizados, o cliché do uso de morte gráficas para impactar o espectador, que a certo ponto já não impactam, pois os personagens são maus e o espectador já estava desejoso à séculos que eles morressem. Já para não falar em certos momentos de cantoria, que surgem do nada e nada adicionam à história, parece até parece comercial de música em forma de anime.
    Eu já vi centenas de animes, uns bons e outros maus e outros mais ao menos, já devia estar habituado a possíveis desilusões das temporadas, mas custa mais quando se tem um hype em um anime que tinha tudo para ser um épico (Kujira tinha isso tudo, mas ficou na porcaria que se vê). Nesta temporada que está a terminar, peguei 35 animes para ver e de onde saiu, numa fase inicial, uma trindade de animes que achei maus (Dies Irae, Ousama Game e Two Car), mas quando Kujira chegou ao episódio 8, ele galgou as posições da minha trindade inicial, Kujira no Kora, é de longe o pior anime que vi nesta temporada e neste ano todo.
    Estou curioso para saber, como será o episódio 12, se este for bom, a minha raiva vai ser enorme, mas se for mau, rirei muito na hora de dar a minha pior nota este ano.
    Era para dizer algo, sobre os episódios em questão no artigo, mas os prints que colocaste fizeram-me relembrar a raiva que senti quando via esses episódios. O irmão da Lycos é ridículo, os lacaios dele ainda mais ridículos são, o comandante de cabelo azul, devia ter os olhos arrancados por ser zarolho e não ter matado de vez o irmão da Lycos. O monte de bosta com cabelo rosa, continua nojento, chato e estúpido devia ter morrido de vez, as crianças que lhe acertaram com flechas foram mal treinadas, elas deviam ter dado dois tiros no peito e um na cabeça e como forma de prevenção deviam ter arrancado a cabeça do rosinha. Os gémeos rebeldes da ilha da lama, deviam ter vergonha, não fizeram nada durante os ataques, que direitos têm eles de acusar os sem poderes. O Ouni tornou-se numa ferramenta e nada mais, os indivíduos que desembarcaram na ilha, são ridículos até nos nomes que têm. O Chakuro é o pior personagem do anime, só sabe chorar e gritar, como se essas duas coisas resolvessem alguma coisa.
    Não me vou alongar mais, obrigado por mais um excelente artigo Fábio.

Comentários