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Bom dia!

Uma família disfuncional, um poder sobrenatural e um mistério.

A Juri não tem emprego. A Juri não quer mais viver com sua família. Mas o sobrinho fofinho e o irmão mais velho vagabundo foram sequestrados (e ela nem esconde que está muito mais preocupada com o sobrinho do que com o irmão), e tudo o que podem fazer para salvá-los é… bruxaria, vô?

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Eu realmente gostei da forma como a família Yukawa foi retratada. Lembro que quando li a sinopse de Kokkoku pela primeira vez eu ri alto do quão ridiculamente disfuncional aquela família era, mas ei, a história continuava interessante. O anime estreou e a história se revelou interessante justamente porque a família é ridiculamente disfuncional. Parece exagero que em uma só família haja um adulto recluso trintão que não trabalha e fica em casa jogando o dia inteiro, um pai desempregado que só falta (por pouco!) passar o dia em casa bebendo, uma irmã que é mãe solteira e nem sabe quem é o pai de seu filho, e a protagonista que conseguiu se formar na faculdade mas depois de dezenas de entrevistas não consegue um emprego. As únicas pessoas que trabalham nessa casa são a mãe (a matriarca) e a irmã que é mãe solteira. Ah, tem um avô aposentado também.

Como essa família ficou assim? Quantas coisas precisaram dar errado para chegar a esse estado de calamidade? O anime dá pistas de que pode contar um pouco disso. Se apenas listar cada um de seus membros aqui (ou na sinopse) faz parecer que são todos apenas caricaturas, o primeiro episódio em si fez um bom trabalho em torná-los personagens críveis, e isso é muita coisa. Tsubasa, o irmão mais velho recluso, está tão desconectado da sociedade que sequer percebe o perigo quando esse o abraça na rua para sequestrá-lo. Takafumi, o pai, quer mostrar que ele é o homem da casa, alguém importante, mas a realidade bate na sua cara e o lembra que ele não é nada. Nem o carro da família está lá, está com sua esposa, a mãe, a pessoa que trabalha e que é importante de verdade. Enquanto caminham para o esconderijo dos sequestradores, apesar da gravidade da situação, ele se distrai maravilhado com o mundo em êxtase parado no tempo e começa a fazer perguntas sobre como aquilo é fisicamente possível a seu próprio pai, o avô. Talvez no fundo ele nunca tenha crescido (como talvez seja o caso de Tsubasa), por isso não é capaz de ser o chefe da família, por isso não é capaz de manter o foco.

E por aí vai, me concentrei só em dois exemplos bastante óbvios e os mais disfuncionais vistos até agora – e que devem ter pouca agência nos próximos episódios. A família guarda um segredo – o avô, mais especificamente, guarda um segredo. Seu próprio avô lhe passou uma pedra e ensinou-lhe a usá-la, acessando o poder sobrenatural de parar o tempo. Há ainda muitos detalhes e muita coisa a ser explicada sobre isso, mas o fato é que o avô preferiu a prudência (ou foi coagido pelo medo?) e nunca mais tocou naquilo. Ou tocou, uma vez quando Juri ainda era criança, e ela se lembra vagamente disso. Há outros que podem usar esse poder e querem, por alguma razão, sequestrar o avô. A família disfuncional passa por uma provação atrás da outra enquanto enfrenta vilões de uma seita misteriosa dispostos a matá-los.

Não parece que o Tsubasa não tenha consciência de sua situação

Tenho a impressão que esse anime, essa história, irá usar o conflito sobrenatural como uma forma de destacar e resolver o conflito social, humano, que Juri e sua família enfrentam. Isso é bastante comum e a forma como o episódio foi conduzido me faz acreditar que será o caso de Kokkoku. O mangá já está encerrado, com oito volumes, então teremos um final conclusivo. Para comparar com outro anime relativamente recente, Kokkoku me lembrou muito BokuMachi (Erased). Se gostou daquele tem um motivo a mais para dar uma chance para esse.

O vilão

  1. Cara, gostei bastante da tua abordagem em relação a disfunção familiar que a trama propõe, não tinha pensado nesse elemento como algo a se notar. Seria massa também se tu especificasse um pouco mais os momentos que tu acha relevantes nessa discussão e estruturar os pontos positivos e negativos que essa obra propõe (até o momento). No mais, parabéns pelo texto, mostrou uma perspectiva bem massa. 🙂

    • Fábio "Mexicano" Godoy

      Bom, isso foi algo que eu percebi de cara logo no primeiro episódio =)

      Agora quem está escrevendo sobre os episódios de Kokkoku no blog é o Carlos, dá uma lida nos artigos dele!

      Obrigado pela visita e pelo comentário =)

Comentários