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Bom dia!

O Banba não é um detetive comum. Quero dizer, claro, ele é o protagonista, é óbvio que ele não pode ser comum. Mais ainda, a essa altura é possível argumentar que ninguém nesse anime é comum, então não ser comum é que é o comum.  Mas não me refiro apenas a isso, mas sim em como exatamente ele é incomum. O mundo está desabando ao redor dele que ele continua cool. Dois assassinos já foram enviados para matá-lo e ele continua cool. A máfia e os assassinos do prefeito são seus inimigos, e ele continua cool. O assassino mais famoso é contratado para matá-lo, ele é informado disso, e continua cool. É impossível ser mais cool que o Banba.


Anime21 Diário

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Ele é um detetive particular, tudo bem, mas mesmo assim ele é, espera-se, um “mocinho”. A polícia confia nele – bom, pelo menos um policial confia nele. Nada disso o impediu de dar uma nota preta para um assassino, sem nunca ter a menor preocupação em denunciá-lo ou coisa que o valha. De fato, quando a casa cai para o Ling, ele continua o ajudando. Ling diz que vai matar para se vingar dos assassinos de sua irmã, já matou e vai continuar matando, e o Banba é todo “ei, sem problema cara; quer ajuda?”. E ele ajuda. Coloca toda a sua rede de contatos a serviço do Ling e ajuda o assassino em seu plano de vingança – não ajudou de longe, não, acompanhou o cara até onde precisou. Quem não queria ter um amigo como o Banba, não é? Cinco anos de … sei lá que peixe que ele pediu? Colega, te dou peixe pro resto da vida!

Ling, tá tudo bem, chorar é cool

Escrevi tudo isso em tom bem humorado, mas acho mesmo interessante que um personagem que parecia, no começo, estar estritamente do lado da lei, em um anime com uma distinção clara entre o “bem” e o “mal”, possua na verdade moralidade cinzenta. De fato, vários personagens de Hakata Tonkotsu Ramens operam dentro dessa zona cinzenta, mas eu não esperava que o próprio protagonista estivesse tão tranquilo com isso. Eu sabia que ele ia ajudar o Ling sim, sem dúvidas, mas já estava imaginando como o anime ia fazer para justificar. Pretendiam “limpar a barra” do Ling de alguma forma? O Banba se mostraria atormentado pelo dilema moral? Que nada. Nunca houve dilema em primeiro lugar. Grata surpresa.

Graças a isso, o Ling pode matar como se estivesse em um filme do Tarantino que, mesmo assim, não haverá incômodo ou dissonância cognitiva nenhuma ao final do episódio. E assim como o Banba é esse personagem cool, o anime pode se concentrar em também ser simplesmente cool. E tudo isso sem que reste dúvidas: Banba e Ling são os mocinhos, a máfia e o prefeito são os vilões. Todo o resto do grande elenco pode jogar mais pra lá ou mais pra cá a depender das circunstâncias. Bom, quase todo o resto do elenco, né, pelo menos o policial eu não espero ver alinhado aos vilões em momento algum.

O Ling é uma máquina de matar

O hacker continua sendo o principal informante do Banba, mas ei, ele não é só um funcionário do Banba. Se for necessário, ele vai traí-lo e entregar o Ling de bandeja para a máfia. E provavelmente voltará a ajudá-los em breve, aposto que no próximo episódio mesmo. O aparentemente inocente vendedor de comida de rua na verdade é um negociante de assassinos – e o mais perigoso dos assassinos trabalha para ele. Duas caras sim, mas desonrado não: chamou o Banba e o avisou da ameaça sem demora.

O assassino azarado que nunca assassinou ninguém contrata o serviço dos vingadores, que para surpresa de ninguém também mantém contato com o Banba – e talvez o pobre covarde acabe entrando em contato com o detetive e aprenda uma coisa ou duas sobre a cidade para a qual acabou de se mudar e sobre a vida em geral? Até os assassinos contratados pelo prefeito parecem no fundo boas pessoas, só estão trabalhando para o cara errado mesmo. O motivo? Bom, pelo menos do mais velho deles: ficou paralisado de medo anos atrás quando cruzou o caminho do assassino de assassinos – aquele que agora foi contratado para matar o Banba e o Ling.

Muita coisa aconteceu nesse episódio e tentei organizar conforme fui me lembrando e conforme foi me parecendo importante nesse artigo. O episódio encerrou de uma forma que eu não faço ideia do que esperar para o próximo – exceto, é claro, que provavelmente será mais um episódio cool. Até lá!

Essa cena é pra quem gosta de pensar maldade

  1. Para um anime que foge bastante do meu campo de especialidade em anime, Hakata Tonkotsu Ramens está bem interessante. Logo no começo do episódio, eu queria ver o LIng e a sua vingança sanguinária, mas estava na cara, que como matador irracional que é (ainda mais, quando está a tentar vingar a morte da irmã), ele no máximo ia conseguir matar os peões e não o boss final. Foi engraçado ver a luta do Ling com o assassino profissional Ivanov, foi por pouco que o Ling não foi fazer companhia à sua irmã (a parte da faca com uma pistola oculta foi muito boa, não à nada que uma bala calibre 22 (calibre pequeno, mas mortal, a queima roupa) não resolva).
    Deixando o Ling de lado, o Banba, é tipo o mestre no meio dos aprendizes. Está na cara que o Banba não é apenas um detective com um sotaque fora do normal, ele é algo mais sério, ele apenas esconde o seu verdadeiro eu, debaixo de uma pele de cordeiro (desconfio que ele seja, o famoso samurai, mas posso estar errado).
    O velho da banca de ramen, é outro camuflado naquela cidade de assassinos, não tinha como o velho ser apenas um vendedor ambulante de ramen (gostei da conversa dele, com o Banba, o velho pode ser um vira casaca, mas é honrado).
    O personagem mais interessante, é o Enokida, ele além de ser hacker/pesquisador de podres e afins, ele é a representação de como fazer negócios nos dois lados do conflito (gostei da forma como, ele entregou de mão beijada a informação dos planos do Banba e do Ling aos assassinos do prefeito daquela cidade, afinal um vira casaca. faz de tudo para viver mais um dia).
    Não podendo me esquecer do Saitou e o filho de uma égua mal parido do prefeito da cidade, o Saitou só se lixa e o filho do prefeito tem problemas mentais e deve ter disfunções a nível de desempenho sexual (afinal comprar mulheres, drogar as mesmas e ainda as matar, é porque ele deve ter problemas sérios com a sua virilidade (ou falta dela)).
    O Saitou, além de ter ido para uma cidade que não conhecia, ter ido a uma entrevista de emprego, para um emprego que não era para ele, só tem tido azar (até parece que a história do anime, gosta de brincar com o azar dele). Acho engraçado, quando o Saitou vai ter ao bar dos vingadores, o dono do mesmo (Jirou) parece ter gostado dele e da sua falta de sorte e pela quantia certa, o Jirou e os seus subordinados, ajudam o Saitou sem problema algum.
    Se à coisa que acho interessante neste anime, até ao momento é a distinção entre os indivíduos que trabalham como vingadores e os indivíduos que trabalham como assassinos e mercenários a soldo. Em ambos os casos, a índole deles é no mínimo cinzenta para cima, sendo um pouco mais leve na minha opinião nos vingadores (até eu, pela quantia certa, daria um soco ao alvo, sem problema algum), agora assassinar alguém a sangue frio, já é preciso ser irracional, ter sangue frio e ter uma resistência mental muito elevada.
    Antes de terminar, quero ver como o Ling “armas brancas”, vai escapar de uma chuva de balas, dos minions do boss final (aquele porco gordo, que parece que vai enfartar se andar mais depressa do que o habitual). Só acho que o Tarantino iria gostar do Ling e da sua carnifica (afinal tudo o que se vê nos filmes dele, é jorramento de sangue, membros cortados, cabeças explodidas e uma paixão por katanas e revólver Colt Dragoon)..
    Como sempre, mais um excelente artigo Fábio.

    • Fábio "Mexicano" Godoy

      Hakata Tonkotsu Ramens é daqueles animes em que um conjunto reduzido de personagens conduz toda a trama e com ela todos os demais personagens, de forma direta ou indireta. É como Durarara, e inclusive algumas pessoas que eu conheço se confundiram achando que era do mesmo autor por causa dessa inacreditável semelhança.

      No caso de Hakata, os “motores” do enredo são o chefe da máfia, o filho insano do prefeito (mais do que o próprio prefeito, que está lá apenas para mandar seus assassinos fazerem o que seu filho pede), e, claro, Banba, o protagonista, o detetiva bacana através de quem mais vemos a história. Eu não duvidaria que ele seja o tal samurai, inclusive é algo que eu já cogitava antes desse episódio, mas o anime vai precisar dar uma explicação muito boa para isso e vai ter que trabalhar muito bem nas consequências também. É uma das coisas que mais me deixa curioso, de verdade.

      Quanto ao Ling, ele é pura emoção, e só posso sentir empatia por ele e torcer, mas ele não desperta minha curiosidade intelectual tanto quanto o Banba. Os dois acabam tendo um equilíbrio muito interessante (e me impressiona ainda não ter visto gente shippando os dois, dado que o próprio anime _quase_ faz isso).

      No geral, um dos animes mais divertidos de assistir na temporada.

      Obrigado pela visita e pelo comentário! ^^

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