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“A beleza está nos olhos de quem vê”, tenho certeza de que você já ouviu essa frase antes, mas indo um pouquinho mais a fundo eu questiono: sob quais parâmetros o seu conceito de beleza foi fomentado? O que te levou a concluir que o que está diante dos seus olhos é realmente beleza e não feiura? Essa pergunta parece nada ter a ver com o anime, mas é a partir dela que falarei sobre ele.

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A Tachibana faz umas caras intrigantes e tem uns olhares hipnotizantes!

Ao longo de todo esse episódio fomos “alimentados” com a forma de pensar do Gerente – eventualmente devo chamá-lo de Kondou –, a qual condiz com o que se esperaria de um adulto normal de 45 anos que, como ele mesmo diz, não tem mais esperanças ou sonhos para o futuro. Ele é alguém que está no máximo na média em qualquer aspecto da vida e, em tese, não teria nada demais a oferecer a alguém mais jovem – mais à frente no artigo falarei um pouco mais sobre isso.

Quanto a isso não há muito o que discordar, o problema surge quando ele tem que lidar com uma adolescente de 17 anos que inesperadamente desperta sentimentos por ele e não contém a sua vontade de dizer isso. A Tachibana já admitiu para si mesma que gosta do Gerente e já deu todos os indícios de que está séria quanto a isso, então não acho que arrastar a ação dela de se confessar diretamente sem abrir margem para outras interpretações – o que alguma hora teria que acontecer mesmo – seria a melhor forma de conduzir a história. Isso aconteceu em um momento apropriado devido os acontecimentos do episódio anterior e tudo o que vem sendo mostrado sobre essa personagem até aqui. Ela “dar para trás” agora também não faria sentido dada a sua personalidade.

Nada como um dia de chuva nada, nada comum…

Entre 25 e 17 anos são 28 de diferença, e por mais que alguém diga que “idade é só um número” não se pode negar que existe sim um grande distanciamento entre gerações aí, que a experiência de vida de um difere bastante da do outro e isso é problemático sob diversos aspectos; o que impossibilitaria um relacionamento amoroso? Não necessariamente, mas se a obra tem toda uma caracterização e uma execução verossímil e realista deixar isso fora do debate está fora de questão – ao menos se a intenção for fazer com que o público continue vendo o anime por causa do romance.

A confissão na chuva foi um momento belo e simples que reforçou a importância simbólica que ela tem dentro da história – o que virá depois da chuva será um final agridoce ou a concretização de um romance único e tocante? –, mas o que realmente definiu bem esse episódio foi o que aconteceu antes e depois dela. A Tachibana querer se abrir com alguém sobre a sua confissão mal interpretada e não ter com quem conversar sobre isso atesta o seu distanciamento das pessoas da sua idade que estão a sua volta, o que é reforçado pela hora em que ela vai ao clube e lá lembra de quando fazia parte dele e, mesmo sem colocar em palavras os seus sentimentos quanto a isso, demonstra certo descontentamento – o que é completamente normal – sobre o que ela tinha e sente que “perdeu”.

Será que ela não tem mesmo uma amiga para quem pode pedir uns conselhos?

Será que ela trabalhar meio-período e se apaixonar por alguém tão mais velho é uma fuga da realidade que ela acredita não a pertencer mais por ter saído do clube, ou será que isso aconteceu para mostrar o quão tênue era essa “ligação” e o quanto ela, na verdade, já se sentia distante daquela realidade? Ainda é cedo para dar um palpite, mas se a história se desenvolver de uma forma a não concretizar o romance acredito que esse é um aspecto que ainda deve ser melhor explorado.

“A beleza ou a feiura de Koi wa Ameagari no You…”

Pouco a pouco vão sendo adicionados detalhes sobre a saída da Tachibana do clube e é através de uma belíssima passagem – tanto em animação quanto em trilha sonora –, movida a flashes sem diálogos dos momentos mais relevantes no que tece ao acontecido, que descobrimos que antes de correr pela última vez e se machucar seriamente ela já havia tentado remediar a situação sem buscar ajuda, o que pode implicar que a personagem insiste demais em coisas que não deveria, ou não, já que a forma como isso foi abordado foi muita rasa para que se pudesse supor qualquer coisa.

O desenrolar da situação é bem objetivo, pois, ao mesmo tempo em que o Kondou tenta abrir os olhos da menina quanto a impossibilidade desse amor, ele se vê, de certa forma, encantado com toda essa situação, o que dependendo da forma como for desenvolvido a partir de agora, pode ser péssimo para a história, pois a realidade ainda precisa “bater à porta” dos dois antes dele levar os sentimentos dela a sério. Ele tocou superficialmente nos problemas inerentes a essa situação e como um adulto de aparente bom discernimento não faria sentido se ele aceitasse de prontidão uma aproximação amorosa com uma garota tão jovem, sem refletir, ponderar, rejeitá-la bastante, “enfrentar” algo com ela e daí talvez aceitar seus sentimentos e retribuí-los – é claro que só se ele acabasse sentindo o mesmo. Não é “obrigatório” que isso aconteça, mas acredito ser necessário para que a história continue boa, pois mesmo que a autora saiba desenvolver um romance delicado sem cair em fetichismo, uma aproximação amorosa praticamente convencional nesse caso seria um problema. Como disse antes, há a diferença de gerações, de gostos, de opiniões; há a opinião da família, dos amigos, dos companheiros de trabalho, o julgamento da sociedade e até uma prática que não é particular ao Japão, mas é até “sistematizada” nele, que é a de garotas saírem com homens mais velhos – e fazerem desde apenas companhia a sexo e talvez até coisa “pior” – por dinheiro.

Não me canso de olhar essa personagem nos olhos!

Ele não tem nada disso a oferecer a ela e o público já conhece a personagem o suficiente para ter percebido que se trata de um amor platônico em que ela não quer nada em troca dele além da retribuição desse sentimento, o que, aliás, ele diz entender como comum se for entre duas pessoas da mesma idade, mas não no caso deles e, sendo assim, ele pensar nos prós e contras dessa situação faz sentido se quer rejeitá-la sem ferir seus sentimentos, mas também faz se lá no fundo ele quer buscar uma forma de tornar isso possível. Falar sobre “encontro” com ela naquele momento pode ter sido só mais uma demonstração do quanto ele é “distraído” ou pode ser uma evidência de que ele ficou balançado por ela e de que seu subconsciente tem esperanças que o romance aconteça.

Não acho que posso ou devo julgar o personagem, pois, sem hipocrisia, se estivesse na mesma situação dele talvez reagisse da mesma forma – claro que tendo a mesma idade –, mas normalizar esse tipo de coisa, esse romance “atípico” não me parece certo e é aí que o anime vai ter que mostrar quais são as suas cores, pois exatamente por ser tão verossímil e realista é que é quase impossível ligar a suspensão de descrença caso algo que aconteça não faça sentido ou pareça forçado e, volto a repetir, trabalhar essa aproximação e esse provável romance de uma forma única é necessário se o anime não quiser passar uma mensagem que acredito não ser a que a autora tem em mente. A mensagem de que o amor supera qualquer obstáculo é bonitinha e serve para muitas histórias, mas para essa não, pois a realidade não funciona desse jeito, o que não impossibilita um desenrolar amoroso concreto entre os dois, mas se torna muito mais difícil fazer isso sem dar a entender que o anime tem uma mensagem deturpada sobre romance com essa diferença de idade.

Precisava mesmo andar até aí para conversar? Talvez para evitar serem ouvidos?

Ao meu ver esse episódio foi um divisor de águas para a obra, pois dependendo do que acontecer no próximo a história pode decair ou até melhorar, tudo reside na forma como as coisas acontecerem, como o Kondou irá agir e reagir as ações da Tachibana, pois ela é uma garota de 17 anos que não entende praticamente nada do amor(?), se apaixonou e quer concretizar esse sentimento passando por cima de quaisquer dificuldades, ele não, ele já viveu muito mais tempo que ela e não pode simplesmente ir na onda porque é legal alguém gostar dele mesmo quando ele não se dá todo esse valor. A beleza ou a feiura de Koi wa Ameagari no You ni serão refletidas através dos olhos da jovem Tachibana e a face que veremos neles provavelmente será a do velho Kondou, aquele que é a chave para o desenrolar dessa história. Eu poderia questionar essa “beleza” ou essa “feiura” – para mim ainda “beleza”, mesmo que com certos aspectos para os quais fiz uma expressão de preocupação… – desses três primeiros episódios mediante os meus parâmetros, mas ainda acho que é cedo para fazer isso e até o fim do anime talvez eu expanda a minha visão de mundo e possa fazer um julgamento melhor sobre tudo isso. É inevitável tecer parâmetros próprios sobre a “beleza” e a “feiura”, sobre o que é “certo” e “errado”, o segredo reside em tentar apresentar o seu ponto de vista da melhor forma possível e com os argumentos mais bem elaborados e coerentes nos quais se puder pensar.

“…serão refletidas através dos olhos da jovem Tachibana.”

Esse episódio foi bom e teve alguns momentos excelentes, mas todos os acontecimentos relacionados a confissão e a conversa dos dois personagens principais no final do episódio ainda são uma incógnita para mim, mas não no sentido de que não compreendi o que estava acontecendo ali e sim no sentido de que isso tanto pode acabar resultando em algo moralmente questionável ou algo que mesmo sendo moralmente questionável será feito de uma forma a tornar compreensível o sucesso desse romance. Aliás, se o romance se concretizar nesse anime e mesmo que isso seja feito magistralmente, ainda assim, haverá margem para questionar a mensagem atribuída a obra e isso é algo natural e que deve ser respeitado, pois terá a sua parcela de sentido, assim como há certo sentido em quem não vê tantos problemas em uma relação amorosa bem-sucedida nessa situação.

Que esse anime não vire um romance normal e se perca ao banalizar algo tão complicado…

  1. Ah! Esse anime um dos poucos dessa temporada que me deixa com crise de abstinência…
    Bem peoples o que me chamou nele já que passamos do 3º epsódio (a famosa regrinha)…As impressões…

    Bem a Tachi (reduzindo sem permissão da Tachibana para ficar mais facil) notamos que ela não tem a figura do pai desde tenra idade e está claro que estamos vendo (se me lembro das aulinhas de colegial sobre psicologia é um mecanismo de substituição) ela é competitiva e se joga no jogo…
    Mas o personagem que me relato mais é o gerente, bem todo cara que passou do “cabo da boa esperança” ou dos quarenta (infelizmente – na verdade não no meu caso – eu me encontro entre eles) ele admite a si próprio que é um mediocre (e já passei por isso e não tem nada de derrogatório nisso só uns 30% por cento da população mundial, que é a percentagem de homens de passados dos 40 no mundo, passa por isso) o futuro dele já foi, agora é jogar a minuto a minuto nessa vida, desejo é uma mercadoria rara nesses tempos masculinos (com licença vou pegar uma caixinha de lenços e ouvir “When I was a boy” do ELO…Sniff…Sniff…Nós também temos sentimentos tá!!! Sniff…Brincadeira gente…KKKKKK) voltando ele é um mediocre, mas ele é CENTRADO e não é IRRESPONSÁVEL sabe do sistema de consequencias. Ele sabe que não pode “começar algo que não sabe como irá terminar” a idade nos tira o arrojo e para mim ele é centralissimo na trama e gente, como gostaria de tomar uma cerveja com esse cara!!! Torço para que ele acabe como “Mr. Blue Sky” (é do ELO também) ou melhor acabe como em “Heroes” do David Bowie….

    Gambatekudasai Kondou San!!! Você nos representa!!! Uma legião de quarentões o apoia!!!

  2. O maior obstáculo prá um relacionamento desses não dar certo é a forma como ambos reagem e pensam, Tachibana pensa positivo e não se importa com que os outros pensam, já Kondou demonstra que se importa com os outros pensam, mas sente uma pequena esperança de dar certo. Quanto à idade depois dos 40, depende da pessoa , pois tem muitos cinquentões que tem muitos mais sonhos do que um adolescente. Eu tenho 42 e continuo sonhando alto como um adolescente e se aparecesse um romance desses prá mim é claro que eu aceitaria, pois eu não me importaria com os outros pensariam, desde que ela também não se importasse, assim como Tachibana faz com relação à Kondou. E essa situação não é tão incomum, eu mesmo já vi na igreja evangélica que frequentava uma menina de 17 com um homem de 40.

    • Mas há de se notar a mentalidade de ambos os personagens que são bem interessantes. A Tachi é puro impulso, arrojo o Kondou é comedido, reflexivo, pesa as consequências coisas que a idade vão trazendo. Ele não a vê (e acho que ainda) a Tachi como uma mulher e receia se entregar até as ultimas consequencias, mas a possibilidade de reviver sentimentos que tinha quando tinha a idade da Tachi parece-me a ele bastante sedutora…Casais com grande gap geracional não são assim tão escandalosos como o eram no passado, conheci alguns, mas para ser realmente um casal ambos tem de ter uma maturidade prévia para que possam frequentar o mundo daquele mais jovem ou daquele que for mais velho…Cara esse anime promete….

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