Tokyo Ghoul:re – ep 7 – Memórias de um passado presente

Para um leitor do mangá que é fã de carteirinha da obra – é o meu caso – esse deve ter sido o melhor episódio até agora, mas a falta de ação nele “mascara” sua deficiência nesse quesito e quanto ao resto, bem, adaptar uma boa história torna tudo mais fácil mesmo que a direção seja no máximo mediana – raramente entregando algo acima da média. Enfim, vamos revisitar um passado presente?
“Salvar” a Hinami da morte a tornando “sua” propriedade era o mínimo que o Haise poderia fazer por alguém que salvou a sua pele e é uma pista para recuperar as suas memórias. Não que esse seja o seu desejo exatamente – a cena dele no espelho mostra que isso é um risco para o seu eu atual –, mas quem não teria curiosidade em saber mais sobre quem já foi um dia? Quem não quer conhecer seu passado? É um desejo comum e até inconsciente que foi atiçado pelo presentinho da lady Eto.
Receber a máscara que o Kaneki usava e um livro com uma dedicatória para ele é pista mais eficiente que procurar arquivos falando do Kaneki na CCG porque não faria sentido manter informação sobre o ghoul que seu investigador já foi um dia, né? Esse foi o gatilho para a “ilusão” que aflige o Haise no final do episódio e deve ter aguçado sua curiosidade por saber, “Quem é e o que fazia Kaneki Ken?”
Mesmo que ele não persiga essas informações, a quantidade de personagens que faziam parte do seu passado e aparecem na história, e devem ir aparecendo ainda mais de acordo com o avançar da trama, tornam praticamente inevitável que uma hora ele recupere as memórias – o que deve ocorrer no final do anime, né. Aliás, já foi confirmado que ele terá um segundo cour em outubro desse ano.
A Hinami agora presa na Cochlea sob interrogatório dele, a cena no :re que pareceu uma reunião da Anteiku, o Tsukiyama em seu estado lamentável mas que deve dar as caras em breve, a própria Eto que quer que o Haise recupere as memórias. É muita coisa trabalhando para isso acontecer e quem já acompanhou histórias com protagonista sem memória sabe que uma hora ele deve recuperá-la.
Esse foi um ponto importante do episódio, mas não é como se o Haise tivesse tempo para só olhar para o passado quando a operação recém findada na qual ele esteve foi um sucesso e fez o que já era esperado devido os acontecimentos, trouxe o prestígio que os Quinx fizeram por merecer. Não só eles, pois vários outros investigadores foram promovidos e finalizados os lances no leilão foi a CCG que saiu com os maiores ganhos – até por isso não foi estranho esse episódio de merecido descanso.
Tudo bem que Tokyo Ghoul sem ação ou dor e sofrimento nem parece Tokyo Ghoul, mas se por um lado as memórias de um passado que não está assim tão no passado nortearam o caminho do Haise nesse momento, por outro o que ele tem no presente e faz parte do que ele é enquanto Haise foi o outro ponto chave desse episódio: o jantar no lar dos Quinx, o qual até foi um trecho bem divertido.
Quem imaginaria que um personagem frio e inexpressivo como o Arima fosse capaz de contar uma piada e sorrir despreocupadamente com o “filho” e seus “netinhos”? O jantar em si pode não ter parecido nada demais, mas, se pensarmos bem, momentos assim são importantes para fazer com que o público desenvolva um mínimo de empatia por esses personagens e queira o “bem” deles.
- Quando os avós chegam e
- o filho só sorri, mas os netos querem dinheiro!
Em uma história na qual vários personagens vivem entrando e saindo do hospital, seja para visitar um ente querido ou cuidar da saúde, preocupação pela vida deles não seria incomum. Aliás, com o que o Urie pensa após o jantar, e sua boba rivalidade com o Kuroiwa, ficou claro que ele já apresenta uma leve mudança em comparação ao que era antes. Ele já está percebendo que ter companheiros ou um rival não é assim tão ruim, ele está começando a se importar e se envolver com as pessoas.
Já um Quinx que ainda não foi aprofundado da melhor maneira possível – com um relato, ainda que superficial, sobre o passado que o levou a integrar o esquadrão –, mas ao menos teve a causa da sua fixação por grana revelada, foi o Shirazu. O tratamento da irmã para a estranhíssima enfermidade que a acomete não deve ser barato e ele é um cara legal que se preocupa com os outros, então não deixaria a irmã desamparada. Foi uma pena não terem aproveitado para explicar melhor a situação.
Só o que posso dizer, e já me parece meio óbvio, é que aquela protuberância no rosto da garota são células RC, o que torna ela vítima de um processo de ghoulificação? Não é exatamente isso, mas sim, na história existem casos de pessoas que sofrem de enfermidades por conta das células dos ghouls. O que, aliás, é uma inverdade já que os humanos também têm essas células, só que em menor número.
- Haise com a mãe.
- Haise com o pai.
Houveram vários outros detalhes explorados em curtas cenas distribuídas ao longo do episódio que no fim das contas acabaram sendo praticamente só o que estava em tela, sem grande margem para discussão ou aprofundamento. Só indico que vejam o anime com atenção, pois alguns dos detalhes dos diálogos e das imagens podem ser importantes para se compreender outras situações no futuro.
Tentaram até dar uma “consertada” em algo que foi cortado anteriormente colocando a cena nesse episódio – a da Mutsuki treinando com o Juuzou – o que, sinceramente, não me pareceu ter tido serventia alguma, afinal, ela já tinha melhorado um pouco o manuseio das facas no próprio leilão.
Enfim, o que mais posso comentar de interessante sobre esse episódio? Ah, vocês estão percebendo como a direção do anime realmente não dá a mínima para criar qualquer suspense? Não digo isso só pela abertura que “entrega” metade da trama ou mais, mas surge um ghoul que pratica canibalismo na história e na cena seguinte aparece quem? A Akira, que acabou de ver seu ex-colega da academia transformado em ghoul pelo Dr. Kanou, tornando óbvio o que normalmente já não seria difícil supor.
- Descobrir quem ele é
- tá mais fácil que somar 2 + 2…
Na verdade, o anime nem tenta surpreender o público, afinal, ele se vende como adaptação fiel, na medida do possível, para satisfazer aos leitores do mangá e é só isso o que ele consegue ser mesmo. Me despeço feliz com o fanservice, mas descontente porque o anime é o mínimo do que poderia ser.
issei gentil
Foi um episódio muito bonito e gostei muito do Sasam ter salvado a vida da Hinami-chan e desejo muito que ele passe a cuidar dela de agora em diante, pois é a minha personagem favorita da série e depois vem a Saiko-chan, mais ela é nova no pedaço, estou muito curioso para saber os motivos que levaram Hinami-chan a abandonar a Touka-chan e Anteiku e se juntar a infame aogiri: Episódio 5 estrelas e a adaptação da 3 temporada esta sendo um sucesso 10/10 acima da média, obra prima do jeito que eu gosto!