Chega a ser irônico essa imagem de capa ser justamente da personagem cujo interesse é o menos egoísta possível em um episódio no qual uns buscam se reeleger e outros lucrar com a guerra. Já Yang Wen-li deseja sair do exército. Ele vai conseguir o que quer? É óbvio que não!

A Jessica foi uma personagem importante nesse episódio porque a militância dela contra a guerra “caiu como uma luva” para a história em um momento em que um acordo de paz se tornava cada vez mais real, ao menos por parte da Aliança. Isso poderia ocorrer, se não fosse uma manobra comum para quem vive em países cujos governos trabalham mais para atender aos interesses dos políticos e dos empresários do que do cidadão comum: usar o que estiver ao alcance para forçar uma reeleição.

Só eu acho o Império menos hipócrita que a Aliança?

Uma democracia cujas decisões não contemplam os verdadeiros interesses do povo – poderiam ter feito uma votação para saber a opinião do povo sobre continuar ou não a guerra, não é mesmo? – é assim tão diferente de uma ditadura que sequer se importa em disfarçar o controle que exerce?

Creio que não. É claro que existem enormes diferenças entre um sistema e outro, mas, se o ideal no qual o povo da Aliança acredita é maleável ao ponto de atender apenas aos interesses de poucos, em nada é coerente a ideologia de liberdade que pregam, servindo apenas como um “degrau” até o poder.

Eu não sabia que democracia significa trair os interesses do povo assim na cara dura.

O peculiar da reunião dos governantes da Aliança foi justamente o Secretário de Defesa Nacional ter votado contra uma nova ofensiva – o que Yang não esperava – por motivos eleitorais. Por que ele votou contra? Por querer a paz? Gostaria de acreditar nisso, mas acho difícil ser o caso. Se há um interesse escuso nessa ação, não duvido de que ele esteja ligado ao Adrian Rubinsky, que deve ser quem mais se enriquece com essa guerra – pois consegue lucrar investindo em ambas as partes.

Enquanto a Aliança enfrenta uma crise econômica – o Império também não deve estar em condições assim tão melhores –, é o Domínio de Fezzan – região neutra e independente usada para comércio entre o Império e a Aliança – que lucra com a guerra dos bastidores, o que faz sentido, pois guerras não costumam ser só um confronto entre ideologias diferentes. Sempre devem existir grupos que sequer têm interesse no resultado da disputa, mas sim com o que podem ganhar com ela. Resta saber se a introdução desses personagens terá alguma utilidade prática ainda nesse anime e, como o Yang e o Reinhard lidarão com esse terceiro grupo que ameaça um acordo de paz. Aliás, é muito provável que a Secretaria dos Transportes, e outros que estavam na reunião, tenham alguma relação com Fezzan.

Enquanto os estúpidos fazem guerra, os espertos fazem rios de dinheiro com ela.

Ao mesmo tempo que os manda-chuvas decidiam usar a guerra como palanque eleitoral, Yang Wen-li pedia sua demissão para se dedicar ao seu sonho de ser historiador. Não duvido que já no próximo episódio ele retorne às suas funções – estou até curioso para saber como vai se dar isso –, mas foi importante que ele ao menos tentasse exercer o seu direito à liberdade. O problema é que a Aliança é mais podre do que ele imaginava, então seu esforço de tomar Iserlohn apenas atiçou as chamas da paz, mas não as fez queimarem. É verdade que a captura foi importante para dar força e voz a uma militante como a Jessica, mas também serviu para equilibrar a guerra, promovendo sua manutenção.

Um discurso político sim, mas muito bem feito e consistente.

Na cena do restaurante, Yang ia contar ao Julian que pediu demissão, mas como fazer isso na frente de um militar de maior patente? Pensei até que ele ia falar mesmo assim e provocar uma cena desconfortável, mas Yang é um homem de bom senso, que sabe quando é melhor ficar na dele. Logo, não há muito o que tirar desse momento além do fato de sua subordinada estar interessada nele, e de ele desejar que o filho adotivo trilhe um caminho diferente, que não siga carreira no exército.

Acho que o Yang e a Frederica formariam um belo par, mas é algo a ser visto em segundo ou terceiro plano. O foco deve se manter na guerra e em como o personagem e a sua contraparte – Reinhard – lidam com ela. O próximo grande evento do anime deve ser a ofensiva da Aliança, mas o que acontecerá depois disso? Yang fará parte dela? Os “gênios” batalharão de novo? Espero que batalhem, pois assim o anime terminaria com chave de ouro. Que brilhem as estrelas de Yang e de Reinhard. Até a próxima!

Também existe fofura em meio à guerra.

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