Those Who Hunt Elves (Elf wo Karu Mono-tachi ou Os Caçadores de Elfas) foi um dos primeiros isekais que assisti/li. Com o seu primeiro mangá criado em 26 de novembro de 1994 (digo primeiro porque tem um segundo em andamento porque o autor inventou de fazer o “Elf wo Karu Mono-tachi Returns” em 27 de setembro de 2007 e “Elf wo Karu Mono-tachi 2 em 30 de janeiro de 2013”) e anime produzido em duas temporadas (a primeira em 4 de outubro de 1996 e a segunda em 1º de outubro de 1997), foi uma das séries que abriram portas para muitas pessoas da comunidade otaku. Embora nem todos tivessem condições para pagar TV a cabo e ver as pérolas que passavam no canal Locomotion, algumas pessoas conseguiram assistir através de fansubs, ou então pediam para gravarem coisas diferentes em VHS.

Eu fui uma das pessoas que teve a oportunidade de assistir dublado pela Locomotion. Desta vez, eu procurei assistir legendado para meios de comparação, e posso dizer que a dublagem brasileira era o suprassumo da época, superando mesmo a japonesa. Eu tinha 13 anos na época que assisti, e hoje tenho 28. Com 15 anos de diferença já dá para notar muitas coisas.

A história de Those Who Hunt Elves é a seguinte: três pessoas – um lutador de karatê que só pensa em comer curry e tem o cérebro praticamente atrofiado (Junpei), uma atriz bonita, educada e muito inteligente (Airi), e uma menina “otaku” de objetos militares, que ora é madura e ora é totalmente mimada (Ritsuko) – foram parar em um mundo onde existem magias, monstros e elfas através de um encantamento feito por Celcia, a chefe das elfas. Para mandá-los para casa, seria preciso realizar um outro encantamento, que daria certo sob concentração total. Porém, com a intromissão de Junpei, Celcia se desconcentra e toda a magia acaba dando errado, espalhando fragmentos de feitiço por aí. Mas eles acabam sendo tatuados no corpo de várias elfas e, muitas das vezes, é preciso despi-las para encontrá-los. Será que os quatro encontrarão todos os fragmentos e Junpei, Airi e Ritsuko conseguirão voltar para casa?

Antes de mais nada, preciso avisar a todos que este não é um anime que se possa ser levado a sério, e muito menos segue a bendita fórmula dos isekais atuais, que são: o cara “revive” em outro mundo, encontra um monte de waifu, e assim é formado um grande harém. Junpei pode estar rodeado por mulheres, porém sua admiração pela Airi é tão grande que acaba arremessando as outras duas mulheres da equipe para escanteio. Além disso, muitas vezes no anime, apesar de seu jeito bruto, ele conseguiu falar de uma forma que respeitasse o sexo oposto, exceto a Celcia, cuja qual se tornou uma espécie de “ser para bullying” aos seus olhos.

Outra coisa que gostaria de deixar bem claro é que o anime é ecchi, porém ele não chega a ser “quase hentai” como muitos por aí. O fato deles tirarem as roupas das elfas não quer dizer que seios e bundas aparecerão voando na sua tela a cada segundo, e nem que seja um material perfeito para que alguém “se toque”. Se assistirem de cabeça limpa, com certeza tirarão uma ou duas lições de moral. Inclusive as mulheres também precisam despir as elfas, então a sensação de incômodo com relação a isso muitas vezes é mostrada.

E não apenas coisas como essas são mostradas, como também são apresentadas elfas em cargos considerados importantes. Ou seja, não só os homens possuem a vantagem de trabalhar nesse mundo, embora a mentalidade desse mundo de fantasia muitas das vezes se apresente retrógrada, como também as mulheres e principalmente as elfas. Eu sinceramente não percebi muitas coisas quando era criança, principalmente a parte da importância das elfas nesse mundo (que não fossem tirar a roupa q), mas um episódio sobre heliocentrismo ficou na minha cabeça desde aquela época.

Sobre o fato de tirar a roupa, muitas elfas sentiam vergonha de seu corpo após ter algum fragmento do feitiço tatuado nele. Com a fama, muitas vezes errada, que foi se espalhando sobre os Caçadores de Elfas, elas  viram isso como salvação. Então o anime não mostra apenas o lado cômico, como também vexaminoso de possuir algo que nunca se quis. Não apenas isso, mas as mulheres também viam o lado delas ao despi-las, e isso tornou a obra diferente.

Esta é uma das elfas que mais precisou de ajuda.

Posso concluir o artigo, dizendo que o anime mostrou um misto muito curioso entre comédia e drama (muito mais comédia do que drama). Todos amadureceram de certa forma, tendo ajudado ou não muitas elfas a concretizarem alguns objetivos. Vale a pena destacar que, apesar de idiota, Junpei muitas das vezes soltou frases certeiras sem nem pensar muito, Airi é sempre certa e perceptiva e Ritsuko muito carinhosa e alegre. E duas últimas coisas que você não vai querer perder: um tanque de guerra que mia e um urso que fabrica papel higiênico ao invés de fezes.

Muito obrigada por ler o artigo até o final.

Comentários