Tate no Yuusha é mais um isekai lançado nos últimos tempos. Sua light novel (fonte original) e a versão mangá eram bem comentados e avaliados pela qualidade da história e afins (inclusive temos um artigo sobre o mangá aqui no blog). Porém, dessa vez vamos tratar sobre o anime que terminou semana passada e deu o que falar por semanas. Aliás, eu realmente achei que depois de Goblin Slayer estaria livre de animes polêmicos mas achei errado.

Para você que está lendo e não sabe nada sobre a obra, Tate no Yuusha é uma história sobre 4 japoneses que são transportados para um tempo medieval. Lá, eles são os heróis lendários que irão salvar aquele mundo da destruição causada pelas ondas. O problema é que o protagonista, o herói do escudo, acaba sofrendo uma grave acusação por estuprar a Princesa mais velha do país em que eles estão, e a partir daí a história começa (e as polêmicas também).

Durante as 25 semanas em que o anime esteve no ar eu li e vi um pouco de tudo sobre Tate no Yuusha. Opiniões bem negativas e outras que defendiam a obra (até certo ponto, é claro). E sinceramente eu gosto muito de Tate no Yuusha, porém, tenho sim as minhas várias reclamações de certos aspectos, ou seja, eu não vou destilar ódio sobre a obra assim como não vou deixar de criticar alguns detalhes, afinal, ambas as posições atrapalham a resenha. 

Vamos lá. Logo de cara o anime vem com uma acusação de estupro e eu já deixo claro que sou contra isso por um simples motivo: o modo como é trabalhado. Muitas obras utilizam esse tipo de acontecimento independente da finalidade, mas a verdade é que a grande maioria falha miseravelmente na execução. Talvez a única, sim, única obra que eu vi fazer isso bem foi o mangá Good Ending, da mesma autora de Domestic na Kanojo. A forma sutil em desenvolver esse tipo de acontecimento devidamente foi ótima, diferente de todo o resto (anime ou não).

 

E por conta de tudo o que foi escrito acima, eu acredito que haviam formas melhores e talvez mais impactantes de manchar a reputação do Naofumi, protagonista da história. Vamos lá, é fácil pensar numa forma de incriminá-lo a fim de prejudicar e ferrar com a vida dele; poderiam ter matado alguém de grande importância no reino, por exemplo, ou talvez ter matado várias pessoas inocentes e necessitadas. Aliás, nem precisava matar alguém, pois quem viu o anime sabe que não precisava de muito para obter sucesso.

Outro detalhe que chamou a minha atenção é sobre o Rei e seu ódio sem sentido com o herói do escudo. Para começar, é dito várias vezes que todos os heróis são necessários para vencer as ondas. Porém, o Rei de Melromarc prefere morrer do que ajudar um herói que nada lhe fez, mas que tem seu desprezo. Aliás, por que diabos ele não gosta do herói do escudo? Custava deixar o cara ser invocado em outro reino se fosse o caso?

Ah, se ele realmente cometeu tal crime, por que ele pôde andar livremente pelo reino? Sejamos francos, só ter o desprezo do povo não é lá essas coisas, né? Já que ele é tão odiado, por que não prenderam ele e só liberaram quando as ondas chegassem? Sinceramente, tem tanta coisa errada nessa acusação que nem sei por onde começar ou terminar, isso porque eu nem citei os outros heróis.

Aí em seguida o Naofumi pega uma escrava, outro prato cheio para quem já estava odiando. Sobre a escrava eu já tenho um pensamento diferente, afinal, não culpo ele por ter feito isso. Na situação dele, a quem ele iria recorrer? Porque provavelmente a pessoa iria traí-lo e no mínimo roubar tudo o que ele ainda tinha. Mas, porém, e entretanto, temos outro problema nisso aí: a manutenção desse status.

O Naofumi com o tempo começou a confiar na Raphtalia e, assim, já poderia ter soltado ela (apesar da grana que iria precisar juntar). Porém a história tem suas reviravoltas e acontecem algumas coisas que me incomodaram. A primeira delas foi a escolha da Raphtalia em continuar sendo escrava. Para mim foi uma decisão errada pois o autor deveria ter usado tal oportunidade para desenvolver uma relação que fosse independente desse elo mestre-escravo com o pretexto de manter a confiança dele sobre ela. 

Além disso, temos a questão da recompensa desse elo mestre-escravo. Em determinado momento o Naofumi comenta que há ganhos (experiência e afins) em ter esse elo, o que ao meu ver é muito ruim e negativo. O autor dá sinal verde para que ela continue sendo escrava dele e mais, incentiva a obtenção de novos (o que não aconteceu no anime ainda). Por fim, esse assunto é completamente esquecido, ainda que o Naofumi tenha interesse em libertá-la (ao voltar para seu mundo).

Já sobre o resto dos personagens, boa parte é um lixo que, além de ruim, é mal aproveitado. O grupo do Naofumi é legal, assim como seus aliados, mas o resto… é sofrível, em especial os outros heróis. É sério, eu poderia escrever um artigo sobre o quão ruim cada herói é, fazendo com o que o Naofumi seja extremamente ótimo, o que não é bem verdade pois no fim ele não é a melhor pessoa que existe. 

O herói da lança só te faz passar raiva, o do arco se acha “O herói” e o da espada é o menos ruim, o famoso não cheira nem fede. Durante vários episódios vemos o Naofumi tendo que consertar erros dos outros que prejudicaram várias pessoas, nas ondas eles são inúteis e no fim são crianças que não entendem a situação de verdade. Isso me deixa bem desanimado pois cada um deles poderia ser interessante com suas particularidades e afins.

Inclusive no spin off da obra o herói da lança mostra uma faceta diferente e muito mais interessante. No meio disso temos o Naofumi que tem suas partes boas e ruins. No geral dá para entender ele, porém é complicado quando os outros heróis entram em ação. Ele demora quase 20 episódios para dizer algumas verdades para aqueles inúteis, algo que não muda quase nada, mas ao menos foi satisfatório de ver. 

No mais, temos um começo polêmico, um meio morno em grande parte e uma parte final muito interessante. As batalhas no geral são interessantes e não se vê grandes problemas nos aspectos técnicos restantes. A verdade é que tirando detalhes da história, a obra não tem nenhum problema que incomode, tendo boas músicas de encerramento e abertura, além das músicas de fundo que têm como responsável um Ocidental. 

O clima apresentado no anime é bem legal e interessante pela sensação de aventura apresentada. Eu realmente gostei de como a obra mostrou o mundo de Tate no Yuusha, pena que não deu para mostrar outros países e outras culturas, consequentemente. O visual de vários cenários é bem bonito, assim como algumas construções, o que acabou me deixando curioso para saber como são as outras nações.

Essa aqui merece destaque.

No final das contas, Tate no Yuusha é um entretenimento decente (relativo) que utiliza de meios duvidosos (para não dizer péssimos, horríveis e os piores possíveis em certos casos) para construir sua história. Muitas vezes parece que tudo o que aconteceu para o Naofumi justifica suas ações, ruins ou não, e como já mencionado, por conta da má utilização do resto do elenco a obra perde e muito. 

Recomendo? Sim, pois apesar de seus defeitos, é uma obra que vai agradar a grande maioria (assim como me agrada apesar de tudo).

Até a segunda temporada!

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    Ok, mas porque comentário merda? Eu até assisti animes dos “tempos antigos” mas e aí, qual o grande trunfo que eles possuem para receber uma menção? Quais seriam os temas polêmicos que são nada demais? Me diga para que eu entenda.

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