“Colegiais Superdotados Levam na Moleza Mesmo em Outro Mundo” é a tradução livre que fiz do título em inglês do isekai sobre o qual você quer ler já que está aqui. Choyoyu é o “apelido” e é mais fácil de escrever, então devo usá-lo ao longo do texto.

O anime é adaptação de uma light novel escrita por Riku Misora, mesmo autor de Rakudai Kishi no Cavalry (você pode conferir uma resenha sobre o primeiro volume da light novel aqui), obra que com seu anime atingiu uma boa popularidade no Brasil.

Rakudai não é um isekai, eu o classificaria como um battle harém (aliás, ele faz parte de uma lista aqui do blog sobre esse tipo de anime), já Choyoyu é e em sua estreia se manteve preso aos clichês do gênero ou preservou as qualidades da obra mais conhecida do autor? Darei minha opinião a seguir!

O trecho inicial de introdução dos protagonistas foi um porre e confesso que lendo a sinopse não havia me dado conta de que a premissa era tão estúpida (na verdade, mal leio sinopse quando é isekai, sempre assisto essas obras-primas). Os sete maiores prodígios do mundo são colegiais e, melhor ainda, são todos japoneses.

Uma é inventora, a outra médica, não poderia faltar o comerciante (empresário), nem a espadachim ou a ninja (que na verdade é jornalista), ilusionista confesso que não esperava, mas político foi a gota d’água. Ele não poderia só ser um gênio em tudo?

Sequer faz sentido um menor ser primeiro-ministro?

O Japão do qual esses moleques vieram já parece o “isekai” para mim. De toda forma, os sete ainda por cima são amigos, viajavam juntos de avião e melhor, sem piloto ou equipe de bordo (ou eles sumiram e nenhum dos garotos se importou).

Percebeu como nada faz sentido nessa história? O anime começa para valer já com o avião caindo em um outro mundo e sequer é explicado ao público a conexão que os garotos têm.

Eles vieram da mesma escola? São X-Men? Eles iam gravar um comercial juntos? Ou são o trunfo do Japão para conquistar o mundo? Talvez sejam filhos da Xuxa?

Essa molecada vai pintar o sete.

Todo o trecho inicial, até o protagonista entre os protagonistas acordar, é arrastado, apresenta personagens estereotipados e com talento absurdo até para gênios. O que piora porque estão todos juntos (melhora para eles, piora para a “história”).

É por isso que afirmo, não precisava essa turma ir parar em outro mundo se a Terra na qual eles viviam já parecia um mundo alternativo por causa deles. Mas enfim, é um isekai e esse lance deles serem os tais me deu nos nervos logo de cara.

Sei que se era para ser assim nem deveria ter visto o anime, mas não me incomodo em ver personagens genais na tela, me incomoda é não mostrar mais que isso por uns cinco minutos.

Quando as pessoas passaram a gostar tanto de histórias com personagens que não começam de baixo, já estão é por cima de praticamente tudo e todos? E o apreço pelo esforço, cadê?

Escrevo isso, mas adoro isekais, o que me incomoda mesmo é reunir tanto prodígio junto em uma situação cheia de detalhes sem explicação, não é o mesmo que ativar a suspensão de descrença para o protagonista que ganha tudo ao chegar em outro mundo. É isso multiplicado por sete.

E “melhor”, esses personagens já tinham tudo de muito antes. Devem ter ralado para chegar onde chegaram? Talvez. Isso muda o fato de que é tudo muito perfeitamente chato e o anime se levar a sério é idiota? Custava mostrar que o autor não acha que está tudo bem nessa perfeição toda? Custava…

Para piorar, a Byouma peituda (jurava que fosse uma simples elfa antes de explicarem a diferença para humanos normais) responde a simpatia e necessidade de cuidados do galã político com um beijo na boca. E um dos mais nojentos que alguém pode dar, com comida na boca!

Quando a (falta de)lógica do hentai invade os animes comuns.

Tudo bem que eu não conheço a cultura desse povo, mas se fosse mesmo algo banal ela não teria ficado envergonhada daquele jeito.

E cadê a consciência sobre a mensagem negativa que isso passa? É mesmo aceitável beijar um estranho que se conheceu há dois minutos, e ainda por cima para passar comida para a boca dele? A falta de pudor, a falta de bom senso foi estúpida demais até para um isekai.

Lembremos que esse isekai se leva a sério, então qualquer crítica a esse tipo de bizarrice é totalmente pertinente. Fosse uma paródia seria ruim, mas dependendo de como fosse feito não incomodaria tanto. Dessa forma abrupta eu só consigo reclamar!

Tocando o avião em frente, já com o estômago embrulhado a essa altura, o anime até “melhora” na segunda metade. Há um mundo, ainda que pela estreia este não tenha se mostrado tão interessante, e devem haver explicações para o que aconteceu.

A lenda ainda é pouco, mas é um caminho, uma pista, para explicar essa viagem doidona, mas para se chegar a essas respostas objetivos precisariam ser traçados e eles são. Menos mal que seja assim.

Naturalmente é o político que comanda tudo e este inclusive é um ponto positivo que eu vi nessa estreia, um dos poucos, aliás.

Me parece claro que todos ali não são amadores, não tem só talento sobrehumano, mas também traquejo, experiência para se virar em um mundo alternativo e nele se imporem tanto quanto, ou até mais do que, fazem em seu mundo.

Isso faz sentido ja que o anime se leva a sério. Menos mal, né, mas ainda me parece pouco. O lance é que o isekai normalmente já não oferece quase nada, então me contento com este pouco como um ponto positivo.

Que se danem os protagonistas, prefiro apreciar a beleza das coadjuvantes.

Por fim, os cavaleiros babacas são um clichê desse tipo de história e nem tenho o que comentar disso, sei que foi só um checkpoint, a situação em que o protagonista, nesse caso “os”, ganha a confiança daqueles que o acolheram ao mostrar sua força.

Prefiro revelar que quero saber como o ilusionista fez aquele truque da cabeça decepada e voadora. Aliás, ele levitar ficou subentendido que era algo paranormal, então deve ter aptidão para magia, né.

Além disso, e quase para terminar, achei que a inventora tem interesse no político que sabe defesa pessoal, o encerramento dá esse indício, mas o casal que o público vai shippar deve ser ele com a “elfa”.

Isso vai render algum draminha? Duvido e não me importo, mas depois de um beijo tão inusitado confesso que não sei o que esperar de sem noção desse anime.

Choyoyu teve uma estreia ruim, afirmo isso, mas se não repetir nada parecido com o primeiro terço catastrófico pode ser um anime divertido de se assistir para quem vê qualquer coisa, como eu.

Se você espera algo a mais por ser do autor de Rakudai tire seu dispositivo mágico da chuva. Melhor, se prepare para um 7 a 1 de decepção.

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    Nem dá para acrescentar mais críticas, o mestre Kakeru já disse tudo (concordo a 100%).

    Também não achei o a estreia grande coisa, nem sabia que o material original do anime era do mesmo autor de Rakudai Kishi. Agora que sei que o anime não deverá ser nada de jeito, verei apenas para passar o tempo.

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