Que episódio extraordinário foi esse. Toda sua força, tanto de diálogos quanto de cenas, transbordava pela tela. Sem mais delongas, vamos ao episódio.

Logo no começo do episódio Itsuki faz sua grande jogada. Claramente uma atuação, mas muito convincente. É fácil ser enganado pelas exceções, quando se esquece qual é a regra. E qual o motivo de Itsuki ser tão convincente? Simples, ele transforma o tema que é a morte eu seu oposto. Então, bem em frente de nossos olhos ele elabora sua doentia equação. Morte = Vida.

E quando o debate acaba é hora de Seizaki colocar seu plano em prática. E veja só se aquela mulher não era a Magase! Eu confesso que esse foi um tremendo descuido de minha parte. Deveria ter ficado atento, mas me concentrei tanto no garoto que não prestei atenção na mãe.

Enfim, todo o plano, do começo ao fim foi desesperador. No início as coisas começaram a piorar pouco a pouco. Mas até aí tudo bem, foi com o Kujiin que as coisas começaram a sair do controle. Foi nesse momento que tudo foi morro abaixo. O fracasso já estava anunciado.

Eu tenho aqui que comentar novamente sobre o exagero do “poder” sexual de Magase. Como disse, tem a parte simbólica que é interessante, já que ela é a female. Mas, ainda é necessário um explicação para essa característica, e o anime não deu. E acho que não irá dar.

Enfim, o cara acabou se matando. A Magase realmente faz a cabeça das pessoas de uma forma assustadora. Seizaki ficou desesperado pela situação, mas já era tarde demais. A Sekuro não deu atenção a todos os seus avisos. Infelizmente, ela teve aquele final.

E agora vamos falar “daquela cena”. Antes disso, tenho que dizer que o episódio foi fantástico. A direção estava absurda. E que cena perturbadora! Essa cena foi o auge de tudo até então. Foi o melhor episódio, e essa foi a melhor cena. Só tenho palmas ao autor. Ele é incrível. Mas vamos ao que importa.

Magase é uma psicopata. Não falo isso como insulto, ela é realmente uma psicopata, e isto está claro. Mas, eu quero ir até o fim da discussão. Eu quero jogar o jogo dela.

Se alguém quer o mal, e outro alguém quer o bem, elas podem conviver? Ela acha que sim.

Ela quer ser entendida. Ela Faz isso pois acredita no valor de suas ações, ela acha que elas são válidas. Ela acredita que todos nós podemos nos entender. Ela acha que podemos aceitar todos exatamente como somos.

Por que é ruim matar alguém? Por que é bom deixar as pessoas viverem? O que é ruim? O que é o mal?

Posso até entender o motivo de suas atitudes, mas o errado continua errado. É ruim matar alguém pois a vida é a coisa mais valiosa. Não há bondade alguma em deixar as pessoas viverem, mas há maldade em deliberadamente retirar uma vida.

O que é o mal? Acho que isso pode ser expressado de inúmeras formas diferentes. Um valor dado a uma ação ou coisa, é uma delas. Ficarei com essa. Nesse sentido, é a qualidade de uma ação que interessa. O mal não é uma coisa em si. E portanto, mesmo entender o mal dessa forma, ou de qualquer outra, não muda o fato de você continuar entendendo as ações como más e boas da mesma forma. Não é preciso acreditar no bem e no mal, pois eles são fatos por si mesmos.

Até ela é capaz de ver se algo é ou não ruim…

Sobre aceitar todas as pessoas, negar que haja alguém certo é o mesmo que negar a existência de uma verdade. E um mundo sem verdades é um mundo falso. Por que um policial que mata um terrorista prestes a se explodir, que levaria dezenas de pessoas com ele, não pratica o mal? É porque a ação que o move não é o mal, mas o bem. Não é a morte, mas a vida. Proteger a vida humana, é por isso que ele age.

O que nos conecta é a vida, é o desejo pela vida, é a proteção da vida. Todos nós morreremos um dia, morrer não é ruim em si, mas desejar a morte é. E esse é o problema da lei do suicídio.

Então, conviver é o mesmo que aceitar o direito das pessoas de acreditarem naquilo que acreditam, e de buscarem aquilo que desejam. Seja aquilo que seja.

…mas escolhe o mal ainda assim

Sim, Magase tem o direito de pensar naquilo que quiser. Mas por trás de todo direito se esconde deveres. Ela não tem só o direito de agir corretamente, ela tem o dever. Claro, somos todos humanos, todos erramos. Todos temos os nossos pecados. E o julgamento final nunca está em nossas mãos. Mas, ainda assim temos responsabilidades.

Somos responsáveis por todas as nossas ações. E buscar o bem é um dever. Ver o mal como aceitável é fugir desse dever. É ser irresponsável para consigo próprio. É negar a si mesmo, e claro que alguém que não é alguém é ninguém.

Bem, essa é a minha resposta para a Magase. Qual será a sua, Seizaki?

Acho que Babylon está fazendo algo incrivelmente ousado. Algo que, não é fácil de tratar sem preconceitos. Mas o autor fez um bom trabalho.  Eu só estou em dúvidas se esse anime não possa influenciar negativamente algumas pessoas. Até porque, o tema do suicídio é muito delicado. A moral e a morte também. Assim como valor das leis e o da justiça. Isso é um vespeiro gigante disfarçado de anime.

Desculpem se o artigo ficou opinativo demais. Contudo, não acho que um anime que propositalmente traga tantas discussões possa ser meramente comentado. Talvez tenha pesado a mão, mas essa foi só uma possível resposta. Nunca tive a intenção de trazer uma resposta definitiva às discussões ou algo do tipo. Foi só uma opinião pessoal.

Um mês sem Magase. Bom ou ruim?

Pelas minhas informações só terá episódio novo de Babylon dia 29 de dezembro. Sim, um mês sem Babylon. Não há nada a fazer. Só esperar pela resposta.

Justo agora que estou curioso, muito mesmo, para saber quais serão as conclusões do Seizaki. Todas as desconstruções morais feitas pelo autor, aonde elas levarão seu protagonista? Qual será sua conclusão? Acho que teremos que esperar algum tempo.

 

Comentários