Seria esse anime uma “Corrida Maluca” oriental? Ou talvez inspirado no filme “Tá Todo Mundo Louco”? Bom, pode ser que ele tenha um pouquinho disso tudo, mas a verdade é que Appare-Ranman se inicia nessa temporada de Abril, mostrando um charme único e que com certeza valida o seu sucesso futuro – já estou profetizando!

A história em si é simples, pois é uma corrida pelo continente americano para ganhar milhões no final dela, ponto. No entanto esse enredo básico conta com algumas camadas, que no caso dizem respeito as histórias de vida de cada um dos corredores e é essa a parte interessante do negócio.

Logo nos primeiros minutos o anime mostra o grupo de competidores já na disputa, onde percebemos que todos ali tem uma ligação entre si e aparentemente uma rivalidade saudável, saltando depois para o momento em que tudo começou e de onde vieram os protagonistas.

Appare e Kosame são dois rapazes com vidas distintas e de personalidades bem contrastantes, motivo esse que tornou a dinâmica entre eles legal de acompanhar. Appare tem uma mente a frente do seu tempo, sonha em alcançar o “inalcançável” com seu talento e não se importa muito com as frescuras da sociedade.

Kosame por sua vez é do tipo quadradão, responsável e que se limita a viver conforme todas as regras, porque acha que assim é que dá certo. O encontro fatídico entre eles foi bem inusitado e admito que gostei bastante de todo a sequência da fuga deles – muito por conta da tolice do “samurai”, que com certeza vai tomar as rédeas da comédia quando essa surgir.

Diferente do engenheiro autodidata que busca um algo a mais, longe da sua família mente fechada, seu companheiro tem objetivos muito claros e simples – como casar e viver sem sustos -, sendo sua maior preocupação o bem estar da família, mas isso não o torna menos importante que os demais e isso eu explico.

Apesar de sua genialidade, Appare é visto como um peso/aberração pela família excluindo a irmã e por toda a população, a ponto de ser preso por não seguir os padrões. Mesmo incompreendido ele leva seu desejo adiante e Kosame acaba entrando no pacote, por conta da sua ingenuidade e natureza pacifista/justiceira, que não vê maldade no rapaz.

Por ser simplório e buscar o caminho mais tranquilo, Kosame tem dificuldade de acompanhar toda a movimentação do colega, mas conforme as coisas andam e os outros personagens se apresentam, vejo isso mudar.

É visível que ele procura entender a situação do próximo com racionalidade e não é tão raso em sua singeleza, sendo essa experiência o ponto de mudança para suas limitações. Penso que talvez, quem sabe aqui ele encontre um novo sonho, ou uma outra forma de viver o que quer.

Assim como disse na cena do parque, Kosame é alguém que valoriza e mantém suas raízes, só que ele sente que no fundo também é um estranho no ninho, assim como Appare e os outros, cada um dentro da realidade que lhe é imposta pelo maioria. Ele ainda parece ter um passado meio doloroso e que deve ter a ver com o seu caminho do samurai, por isso acho que ele tem muito mais a dar, do que ser um mero alívio cômico.

Observando esses detalhes gerais, algo que para mim fica muito claro como um mote central da trama, é a questão dos sonhos de cada um e quão longe essa pessoa é capaz de ir para atingir seu objetivo, já que esse é em tese impossível.

Para além de Appare e Kosame com suas individualidades, a estreia ainda apresentou Jing, que enfrenta as barreiras de querer ser uma corredora mulher num ambiente extremamente machista e hostil, bem como Hototo – futura membro do time principal – e Dylan o famosão, que vieram nos 45 do segundo tempo, mas parecem ter dramas sérios também.

A temática da Jing tem uma intenção social importante e a personagem, junto com seu pano de fundo, pareceram interessantes o suficiente para conseguirem me cativar e imaginar que vão trabalhar bem o assunto. Outro ponto que achei legal nessa parte é que mesmo sendo antiquado – diferente dos demais, supostamente modernos -, o Kosame não desrespeita a moça e o seu sonho em momento algum.

De forma geral gostei bastante do que o enredo oferece e dos personagens, pois mesmo o Appare que é mais apático – e até arrogante num certo nível – tem o seu carisma explorado de alguma forma pelo roteiro. Acredito que esses dois episódios cumpriram muito bem o seu papel de capturar o interesse, e me fazem acreditar que a P.A. Works pode fazer algo muito legal aqui.

Quanto a animação eu não tenho nem o que apontar, os cenários são coloridos, bem produzidos, a arte é consistente e fluida quando necessário. No mais acredito que por todo o seu apelo histórico, enredo diferente e personagens simpáticos com boas motivações, Appare-Ranman! tem tudo para ser um dos melhores – só dar uma chance e comprar a ideia.

Agradeço a quem leu e até a próxima!

 

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