Orient é um anime do estúdio A.C.G.T. que adapta o mangá de Shinobu Ohtaka. Segue abaixo a sinopse extraída da Crunchyroll (o streaming oficial do anime).

 

“Da autora de Magi, um nova história emocionante sobre guerreiros que lutam contra monstros na Era Neo-Sengoku!”

 

Orient é um battle shonen que tem uma grande semelhança com Kimetsu no Yaiba, os inimigos são onis. Por outro lado, há enormes diferenças, o mundo é dominado por onis, que são aceitos na sociedade, tipo os europeus quando saquearam outros continentes e ficaram alguns por lá.

Na verdade, talvez não dê para comparar pelo quão estranho é onis serem exaltados, mas sequer aparecerem em meio a sociedade, e quando aparecem é em uma situação bem específica, longe dos olhos da população. Quero ver como vai ser a construção de mundo desse anime.

Quanto a construção dos personagens, gostei da ideia de explorar um certo contraste entre objetivo e ações no Musashi, o protagonista da história. Ele quer se tornar um Bushi (o guerreiro que historicamente se opõe ao domínio dos onis), mas abaixa a cabeça para se enturmar.

É fácil julgar o personagem, mas é difícil entender que sem vestir uma máscara provavelmente ele seria um excluído social como seu melhor amigo, Kojiro, é simplesmente por ser descendente de Bushis. Inclusive, é bom o trecho em que esse estigma social é relatado.

Repito, essa estreia peca (e talvez a história como um todo peque) em não trazer esses onis para o convívio em sociedade, acho que isso teria aumentado a dimensão do preconceito, não pareceria algo distante. Ao mesmo tempo, talvez seja para os onis serem pouco acessíveis mesmo.

Sendo assim, não vou insistir nesse ponto, não posso cravar nada por um episódio. O máximo que posso frisar é como essa ausência da figura antagônica (e que quando apareceu não demonstrou inteligência) me incomodou, mas não mais que a falta de gravidade para com o Musashi.

Digo, é menos usual ele ter um objetivo que independe de uma tragédia familiar, um desejo de vingança, algo muito ruim que lhe aconteceu, e especificamente no caso de Orient acho que isso fez falta. O Musashi parece uma criança que sofreu lavagem cerebral do pai do Kojiro.

Não que eu esteja aqui para defender onis, mas eles dominaram a sociedade há mais de 100 anos, não consigo visualizar uma dicotomia entre bem e mal assim tão evidente que justifique a convicção do protagonista. E se ela existir, o quão raso esse mundo terá que ser para isso?

Se ao menos o Musashi tivesse um motivo pessoal para matar onis eu compraria melhor sua obsessão por se tornar um Bushi. E veja que o personagem nem precisaria ser necessariamente alguém vingativo, é só olharmos para o Tanjiro, que diferente do Eren, não mata por vingança.

O herói de Kimetsu no Yaiba poderia fazer isso, mas diferente do herói de Shingeki no Kyojin, seu grande objetivo não é exterminar todos os monstros de seu mundo para vingar sua família e sim reaver a humanidade da irmã, é mais o caso de uma coisa ter relação com a outra.

Aliás, o Eren foi assim na maior parte da história, mas nem sei mais o que ele é no fim. O caso é que ao tentar fugir do feijão com arroz acho que a autora cometeu um erro, pois eu não consigo comprar esse pontapé inicial tão bem, falta profundidade nas ações do Musashi.

Felizmente o Kojiro é o oposto (dois heróis iguais seria irritante), o tipo de amigo que joga umas verdades na cara do outro sem pudor, que faz isso querendo seu bem, mas também por entender a falha na convicção, o quanto ela parecia da boca para fora e por conveniência.

A única coisa que me incomodou de verdade no Kojiro foi sua motoca, isso aí acho que já extrapolou demais. Sei que a própria sinopse denota um período diferente do Sengoku (afinal, tem “Neo” no nome), mas não fica um tanto abrupto quando só esse elemento é destoante?

Okay, tem a picareta que parece mais uma foice, mas o protagonista diz que é uma katana; mas tecnologicamente falando isso não destoa, só o design mesmo. A mota já alopra demais, mas honestamente, não é o grande problema, o objetivo inconsistente e a luta genérica foram piores.

Para eu conseguir comprar melhor a motivação do Musashi e não achar abrupto (ou inconsistente) quando ele se empolga e ataca os onis cheio de marra, se fazia necessária uma contextualização melhor ou um recurso mais prático, e também eficiente, que seria o passado trágico.

Por fim, a luta contra os onis é ruim. Gostei dos visuais dos heróis e a proposta não me desagrada, mas para uma estreia a luta e os onis não aguçaram meu interesse por acompanhar o anime. Analisando friamente, até a crueldade dos onis me pareceu banal, se duvidar incongruente.

Orient vai ter que se esforçar mais para me cativar, e nem peço que o anime enverede por caminhos menos genéricos (Black Clover é o suprassumo do clichê e eu acho muito bom), basta que saiba equilibrar sua essência com o que quer passar, coisa que não senti nessa estreia.

Falam bem de Magi, o sucesso da autora, mas como não conheço não posso sequer passar uma palavra de tranquilidade sobre uma possível melhora na história, até porque, convenhamos, não é sempre que mangaká acerta, a dupla de Death Note e Platinum End tá aí para provar isso.

Até a próxima!

Comentários