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Mistério, tragédia, crianças e ending da Saiyuri, eu sabia que tinha algo de muito familiar em BokuMachi. Game of Laplace teve todos esses elementos no ano passado (mas com um enredo bem mais confuso, uma história pior e uma animação fraca). Depois de assistir o sétimo episódio eu decidi finalmente pesquisar pela música, na esperança que já tivesse saído a versão completa. Bom, não saiu. Mas aproveitei e li a letra e fiquei com vontade de me enrolar em posição fetal e chorar até deixar de existir.

Música (efeitos sonoros em geral) é importante para definir o clima e mesmo para contar a história de um anime, não é? No caso da ending em específico, a animação que a acompanha é magnífica também. Simples, mas mostra bem o que é BokuMachi: o Satoru está andando veloz para frente mas mesmo assim o cenário anda para trás. Não é preciso ser bidu para entender o que isso significa.

Bom, vou especular um pouco dessa vez, principalmente sobre o assassino. Uma coisa que eu sei dele é que está determinado em matar a Kayo. Se não é de um jeito é de outro. Se não é um dia é outro. Ele já marcou a garota para morrer. Ou … ?

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Vou começar com a especulação louca, depois vou para a menos louca, ok? Uma história sobre viagem no tempo que eu adoro é A Máquina do Tempo, o filme de 2002 que adapta com muitas liberdades o livro homônimo de H.G. Wells. Eu já o citei algumas vezes no blog, pode pesquisar, hehe. Ele propõe que o tempo é uma linha única, e ações no passado constroem o futuro. Simples, né? O problema começa quando o protagonista resolve viajar no tempo. Ele desenvolve uma máquina e viaja no tempo para salvar a vida de sua noiva, morta recentemente, e ele consegue salvá-la, mas a cada vez que ele a salva ela acaba morrendo de novo de outro jeito depois. Ele descobre que no fim das contas é impossível salvá-la porque ele só criou a máquina do tempo para salvá-la, e se ela viver ele não precisará criar a máquina do tempo, mas se a máquina não existir ela não será salva … entendeu? De Volta Para o Futuro faz isso também, mas ao invés de uma mudança brusca nele o tempo se ajusta lentamente, com o protagonista se vendo desaparecer aos poucos e tendo tempo para reagir e evitar os efeitos do paradoxo temporal.

O Coragem pode não ser um assassino, mas ele é estranho pra caramba

O Coragem pode não ser um assassino, mas ele é estranho pra caramba

Reconhece esse padrão de sofrimento inevitável em BokuMachi? Pois é. A minha hipótese louca é que a Kayo foi assassinada originalmente por qualquer razão que seja e o Satoru carregou essa culpa pela vida toda até que desenvolveu a habilidade de voltar no tempo apenas para salvá-la. Ele conseguiu salvar várias pessoas antes, mas ele não pode salvá-la porque esse poder foi desenvolvido por causa dela, se ela for salva ele não terá o poder e nunca terá voltado no tempo para salvá-la. Não importa quantas vezes ele volte e quantas vezes ele a salve, ela acabará morrendo ainda assim. Trágico, mas não acredito de verdade que seja isso.

Outra hipótese um pouco menos louca envolve a determinação do assassino em tirar a vida da Kayo. Tudo bem que serial killers podem ser bastante obcecados, mas será que tanto assim? Não há mais ninguém em quem ele tenha olhos nesse momento? Bom, ele mata o Hiromi depois também, não é? O Satoru criou na cabeça dele uma teoria na qual o assassinato do Hiromi seria apenas um despiste, mas não entendi o raciocínio dele até agora então para efeito desse argumento irei ignorá-lo. Proponho a questão: e se ele precisava matar a Kayo (ou ela apenas era muito mais conveniente por qualquer motivo) e precisava incriminar o Coragem (ou seu pai)? Digamos que o açougue da Família Coragem estivesse endividado há muito tempo e sem condição de pagar, ou qualquer outro motivo, e todo o plano serviu apenas para colocar o Coragem na cadeia. É fato já estabelecido, creio, que o assassino está mais preocupado (ou sente mais prazer) em colocar a culpa em alguém do que em matar. É crível, pode ser o caso, mas no fundo não acredito nisso também.

O Kenya é uma criança prodígio

O Kenya é uma criança prodígio

E se estou falando de tragédias não posso deixar de falar no Satoru. Ele é o personagem mais desgraçadamente trágico desse anime. Ok, a Kayo morre e isso meio que é uma merda, mas acaba aí. O Satoru carrega a culpa pela morte da Kayo, pela morte da mãe, pela tentativa de homicídio da Airi, e o peso de tentar consertar tudo isso. Ele é o próprio Deus da Morte que ele mencionou para a colega de trabalho no episódio anterior. No pior caso, o único jeito dele corrigir seu erro (deixar a criança errada morrer) é ele mesmo morrer. Enfim, encerro o artigo dizendo que ou ninguém sabe traduzir (fansub em português e inglês, o Crunchyroll em inglês e scanlator em inglês, pesquisei em todos eles) ou o Kenya falou um livro que simplesmente não existe para o Satoru. Com certeza foi de propósito, e não foi só para testar caráter – foi para testar se aquele Satoru era o Satoru de verdade. Ela chora e se desespera ao perceber que não é, mas se sente aliviado ao sentir que ele pelo menos é um bom Satoru – talvez até o original melhorado em circunstâncias complicadas (o que de fato é o caso). E se não quiser você mesmo se desesperar muito, tente acreditar que a pessoa que entrou no ônibus no final do episódio seja a mãe do Satoru. Vem logo episódio 8!

Olhos de mãe que tudo vê

Olhos de mãe que tudo vê

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