Eu sabia que eram hortênsias! Essa é uma das poucas flores que eu reconheço. Graças à Sankarea

Muita chuva nesses dois episódios desse anime que não perde uma oportunidade de ser mais simbólico do que realista: chuva é tristeza, depressão, sentimentos ruins. Pelo menos para adolescentes, porque adultos maduros como a professora já passaram por essa fase eufórica da vida e aprenderam que tudo existe por uma razão, que tudo tem a sua beleza, até mesmo dias de chuva.

E até mesmo adultos ainda tem o que aprender com adolescentes, ou não foi essa a conclusão do sétimo episódio? Em episódios assim há significado em cada traço, cada som e cada movimento de Amanchu!, e o anime quer sim passar uma mensagem. Mas não é pedante ou invasivo porque é apenas uma mensagem relaxante de que encontrar paz e satisfação está sempre ao alcance de todos nós, a qualquer momento. Se nada te convencer disso, pelo menos assistir as vidas e relações dos personagens desse anime (principalmente as duas protagonistas) deve servir para te aquecer o coração um pouquinho.

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Essa brincadeira "infantil" ficou bastante intensa

Essa brincadeira “infantil” ficou bastante intensa

Com saudades da sessão “pedagógica” mais inútil da blogosfera otaku lusófona?

O que aprendemos sobre mergulho nos episódios 6 e 7?

Nada, realmente. Ok, tá bom, aprendemos uma coisa: que para mergulhar é preciso saber nadar. Quero dizer, eu não aprendi isso porque já assumia que fosse o caso desde o começo, mas se você, como a Futaba, achou que não ou não pensou muito no assunto, então deve ter aprendido.

Aviso: o Anime21 não é um blog sobre mergulho. Mesmo se fosse, isso não é algo que se aprenda na internet, procure ajuda profissional. Eu sequer sei nadar, então não acredite em mim, de verdade. Isso tudo é só curiosidade.

A Futaba não saber nadar foi no começo uma piada (como poderia não ser?) e em seguida um drama: ela estava se esforçando tanto mas de repente percebeu que ao invés de estar mais próxima da Hikari e dos demais membros do clube, ela subitamente havia ficado mais distante. Bem mais distante. Foi difícil para a garota segurar o choro. E de alguma forma isso iria se encaixar com sua melodramática lembrança de infância.

Ai que dó que deu da Futaba, e eu tinha acabado de rir dela afundando que nem pedra...

Ai que dó que deu da Futaba, e eu tinha acabado de rir dela afundando que nem pedra…

Não é de agora que ela é tímida e tem dificuldade para se aproximar de outras pessoas, e por conta desse tipo de personalidade introspectiva ela se remói até os dias de hoje sobre um episódio de quando ainda era estudante do fundamental: instada por sua professora a escrever um desejo em um pedaço de papel para o tanabata, ela, ao contrário de todas as outras crianças, não tinha ideia do que escrever ali. O que ela poderia desejar? Acabou se saindo com a resposta das misses: que todos possam sorrir! No que isso é diferente daqueles discursos vazios sobre desejar a paz mundial, o fim da fome, a cura do câncer e que todos possam acordar todos os dias a uma da tarde com café da manhã servido na cama?

Corta para a Futaba do presente e, parece, ela ainda não sabe o que desejar. O trauma de infância foi tão grande assim ou só eu me incomodei por achar que já fosse desejo dela mergulhar com todo mundo, com a Hikari em especial? Mas pode ter algo perdido na tradução aí também, talvez uma coisa seja “desejo” e outra esteja mais para “objetivo”, sei lá. De todo modo, depois de comer doces e trocar elogios com sua melhor amiga suficientes para deixar as duas coradas, ela descobriu a resposta. A professora pode se achar super madura, mas a resposta que a Futaba encontrou é uma que muitos adultos demoram a encontrar, se é que encontram em algum momento. Eu demorei bastante e mesmo assim não é como se eu tivesse paciência para aceitá-la sempre.

Só faltou declaração de amor nessa cena. Mas tudo bem, vou corrigir: Eu amei essa cena!

Só faltou declaração de amor nessa cena. Mas tudo bem, vou corrigir: Eu amei essa cena!

O que você quer ser quando crescer? Um bombeiro! No que a criança que diz isso é diferente daquela pessoa ainda no ensino médio, que nem começou a estudar para o vestibular ainda ou se informar sobre o mercado de trabalho, mas enche a boca pra falar que quer ser um médico de sucesso com clínica própria? Desejar o ponto final é muito fácil. O difícil é chegar lá – tão difícil que na maioria das vezes desistimos ou nem tentamos. Sem nunca ter passado por isso (porque nunca teve um desejo) Futaba adivinhou a resposta: não deseje pelo final, deseje apenas pelo próximo passo. Algo tangível e que você pode se esforçar agora mesmo para conseguir. Claro que a Futaba quer mergulhar com todo mundo, mas nesse instante o que ela mais quer é aprender a nadar, porque é a primeira coisa que ela precisa para que um dia possa mergulhar com todo mundo. A Hikari, que não precisa de nada em particular e que tem uma atitude completamente positiva (e contemplativa) sobre o mundo não tem nenhum desejo próprio, quer apenas que o desejo da amiga se realize.

Não é todo dia que se vê essa garota corar

Não é todo dia que se vê essa garota corar

E é a Hikari que mais uma vez ensina algo novo sobre felicidade para a professora, adulta e madura. Mesmo a estação de chuvas, durante a qual não podemos fazer muita coisa, tem algo belo que só ela pode oferecer, e que vale a pena aproveitar mesmo se isso significar pegar um trem inutilmente. Quero dizer, justamente porque vale a pena não é inútil. A professora se surpreende. E começa a filosofar sobre como a vida real não é como provas com testes que temos nas escolas. Bom, não é mesmo. Eu adoraria que o meu trabalho fosse apenas estudar para provas. Ou, para encarnar uma Futaba aqui, vamos desejar apenas pelo próximo passo, não é? Eu adoraria ter um trabalho. Enfim, conhecimentos diferentes, cada um com o seu valor. Mas a essa altura a professora já estava tão impressionada com tudo o que aprendeu com seus alunos que resolveu se juntar a eles e brincar um pouco. E roubar nas regras, porque isso que é ser adulto e maduro.

Adulta e madura, isso aí

Adulta e madura, isso aí

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  1. Eu continuo a gostar muito deste anime, não há nada melhor para relaxar do que ver um episódio deste anime. O episódio 6 esteve cheio de simbolismos, aquele pequeno flashback da Futaba serviu perfeitamente para explicar a forma de estar dela, afinal ela sempre foi tímida e se manteve afastada das outras pessoas. Aquela cena em que a Teko e a Pikari se sentam no banco do jardim foi muito boa, mais um pouco e parecia uma declaração de amor entre as duas. Aquela cena das fitas dos desejos também foi muito bonita, a Futaba como tu bem referiste, não traça planos para o futuro, ela deseja apenas coisas mais tangíveis, neste caso aprender a nadar para se juntar aos outros. O episódio 7 fez-me lembrar como não gosto de dias chuvosos, são monótonos, húmidos, quando se anda na rua nunca ficamos secos e acima de tudo a chuva estraga os penteados. Aquela cena do trem foi bem interessante, quem pagaria um bilhete de ida e volta sem razão aparente, até que a Pikari tinha um objectivo a alcançar, ver as hortências por alguns segundos, achei esta cena dela com a sensei bastante reflectiva. Eu quando andava na escola primária, brinquei muito aquele jogo do episódio 7, era sempre uma tensão quando aquele que estava a contar olhava para trás, aquilo sim eram momentos de stress, afinal ninguém queria perder o jogo. A sensei representa-me completamente como adulto, principalmente aquela parte em que ela modifica as regras do jogo, eu faço o mesmo quando tenho que treinar os novatos no meu emprego.
    Como sempre uma excelente matéria Fábio.

    • Fábio
      Fábio "Mexicano" Godoy

      Você brincou daquilo que eles brincaram no episódio 7? Eu brinquei de muita coisa diferente, mas aquela brincadeira em particular eu sequer conhecia =D De todo modo, bastante curioso que uma brincadeira com regras relativamente complexas exista em (pelo menos) dois cantos do mundo tão distantes e diferentes assim.

      E eu também odeio chuva, hehe. Só serve pra me molhar, deixar tudo molhado e abafado, me forçar a carregar peso extra na tentativa vã de não me molhar tanto assim, nada de bom vem da chuva.

      A cada episódio parece que elas aprenderam algo muito incrível embora bastante simples, e sempre resta a sensação de que já se foi tudo o que havia para aprender. Mas sempre nos surpreendem no episódio seguinte! Acho que eu sei mais ou menos como a professora se sente, hehe.

      Obrigado pela visita e pelo comentário!

      • Eu brinquei muito desse jogo, principalmente nas aulas de educação física na escola primária, o objectivo era melhorar a coordenação motora e o equilíbrio, as regras são quase as mesmas que aquelas que o anime mostrou, só muda uma coisa ou outra, mas nada de mais. A chuva para mim é um sacrifício, deixa uma pessoa molhada, deixa a temperatura abafada, depois da chuva fica um calor dos infernos, realmente não vem nada de bom com a chuva.
        Se este anime continuar assim, vou ficar com ele marcado na memória.

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