Depois de assistir o primeiro episódio (e eu já li o primeiro volume do mangá também) fiquei me perguntando qual seria o objetivo dessa série. É engraçada, tem um monte de personagens, alguns mais ou menos interessantes, mas qual história ela pretende contar? A de um polvo super-poderoso que vai destruir o planeta em um ano? Mesmo? Duvidei disso. E ainda duvido. E se você conhece o mangá peço que não tente me “esclarecer” com spoilers, por favor. Eu posso até estar errado, mas prefiro errar e curtir a série do que saber o que vai acontecer sem ter assistido nada. Enfim, ao invés de uma história sombria sobre um apocalipse iminente, acho que é uma história sobre um professor incomum que salva uma turma (as vezes uma escola inteira, mas no caso se Assassination Classroom é só uma turma) de alunos que já haviam desistido. Longe de ser um demérito, eu acho que é um mérito: histórias apocalípticas há aos montes (se somar as pós-apocalípticas então…), mas uma boa história sobre o relacionamento entre professor e aluno é rara. E talvez sobre tempo para algumas críticas ao próprio sistema de ensino.

O Nagisa (há uma cena nesse episódio em que ele parece ter até cintura definida, ele é homem mesmo?) desde o primeiro episódio se mostra muito satisfeito com o novo professor, o elogiando mentalmente o tempo todo, pensando como eles agora têm um bom professor e tudo o mais. E ao invés de isso forçar a barra, na verdade só reforça o que se pode ver em boa parte do primeiro episódio e desse segundo. Inclusive o enredo central desse episódio foi o professor Koro ajudar um aluno ex-jogador de beisebol a recuperar sua confiança e seu sonho e querer voltar a jogar. É ou não é uma história de um professor que veio para salvar seus alunos?

Claro que sendo um monstro cefalópode que se move vinte vezes mais rápido que o som isso é bem mais fácil para ele do que para qualquer ser humano: para ajudar o referido aluno jogador de beisebol, ele foi assistir uma partida profissional em estádio e atacou um jogador famoso que ele acreditava que seu aluno estivesse imitando o estilo apenas para comparar os portes físicos de ambos e dar uma dica valiosa sobre como se tornar um jogador melhor. O que quero dizer é que nessa posição terrivelmente superior é fácil ignorar a bondade e o esforço do professor, acreditando que ele faz isso apenas porque para ele é muito fácil. Eu não sei, talvez ele não se importe com os alunos ainda, mas ele certamente tem sentimentos suficientes para ter feito uma promessa a uma mulher e essa promessa era precisamente educá-los. Se ele ainda não sente um vínculo especial pelos alunos, suspeito que virá a sentir. Alguns de seus alunos já começam a sentir algo especial por ele, de todo modo.

Como é de praxe nessas histórias, pode-se esperar todo tipo de problemas causados pelas personalidades, motivações e visões de mundo dos diferentes alunos. Como eu disse sobre o episódio anterior, essa é uma classe de rejeitados de todos os tipos, desde pessoas que apenas não conseguem aprender com as aulas normais a delinquentes que não querem aprender, passando por pessoas desmotivadas que acabam caindo no fundo do poço, como é o caso do jogador de beisebol. A maioria dos alunos parece bem normal agora, e exceto pela construção ser antiga e por ficar no meio do mato nada faz sugerir que aquela é uma classe de rejeitados. A história tem um tom bastante feliz até. Será nas histórias individuais que ficará claro que esses alunos foram rejeitados pelo sistema mas que o professor Koro está ali por eles. Em algum momento talvez haja também um agente externo tentando separar o professor e seus alunos, mas como isso é a adaptação de um mangá em andamento talvez não chegue a esse ponto.

Por fim, Assassination Classroom critica o sistema de ensino? Eu acredito que não, e explico porquê. Sim, eles foram rejeitados pelo sistema, e nesse episódio há o primeiro vislumbre de que sistema é esse: uma escola opressiva, que ameaça com o banimento para a Turma do Fim (o nome dado a turma que protagoniza a série) para motivar através do medo seus alunos a estudarem. De uma forma ou de outra, dá para dizer que a maioria ou todas as escolas e sistemas de ensino são assim, não é? Mas o anime não entra nessa questão. Eu acredito que o sistema opressor tenha sido exibido agora e provavelmente será exibido várias outras vezes apenas para destacar por contraste o quão bom professor é o Koro. Não é como se houvesse uma resposta fácil para “como tornar todas as salas de aula do mundo como a atual Turma do Fim” mesmo. Claro que motivar com estímulos positivos é melhor do que com o medo, mas como fazer isso? Pessoas são diferentes e não há estímulo que vá ter a mesma eficácia com todo mundo. O anime não propõe nada. A não ser que a proposta seja criarmos em laboratório vários polvos amarelos super-poderosos e instalarmos eles nas escolas no lugar dos professores humanos. Claro que ainda é cedo e isso pode mudar. Estarei aqui para dizer isso, se e quando acontecer.

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