Não se importe com o tom prepotente do título. Estou só sendo prepotente mesmo, mas foi só um pouquinho, ok? Na verdade acho que isso é inevitável para qualquer um que tente achar sentido em obras do Kunihiko Ikuhara. E não é uma coisa ruim, exercitar a mente é sempre bom. Basta tomar cuidado para não acreditar demais em si próprio, e isso eu faço. Escrevo essa introdução complicada por considerá-la adequada num artigo para esse episódio, onde finalmente a história começou a fazer menos sentido. Eu fiquei um bom tempo tentando compreender tudo o que vi, mas francamente não creio que seja possível. Concluí que simplesmente não há informações suficientes ainda. A história sobre o passado da Lulu não foi uma história, mas uma grande alegoria que eu acredito estar incompleta. Dá para ver o óbvio, mas não acho que Yurikuma irá se limitar ao óbvio. Nesse artigo tento listar o que eu vi no episódio (incluindo o óbvio) e fazer ligações com os demais episódios, se possível.

Há duas mensagens escandalosamente óbvias nesse episódio: “não sabemos o quanto amamos alguém até que o percamos” e “não há nada que possamos fazer para evitar o amor puro de alguém por nós”. A Lulu era uma princesa ursa mimada quando seu irmãozinho Milun nasceu e tomou o seu lugar. Só por isso ela o odiava. Eu o odiaria também por ser chato pra caramba, mas isso é eu né, ela é família e tal, deve ser diferente. Ele amava a irmã mais velha que só queria que ele morresse (de verdade, ursos são horríveis) para que ela voltasse a ser o centro das atenções do reino, e através de uma história complicada envolvendo estrelas cadentes e beijos, ele tenta transmitir seu amor por sua irmã dando a ela um pote de mel em troca de um beijo. Ela não suporta ele e sempre joga o pote de mel para longe. Mas ele sempre vai buscar, ela sempre tenta matá-lo a cada busca, e ele sempre volta vivo contra todas as expectativas com o pote de mel. Até que um dia ele morre. A princesa volta a ser o centro das atenções do reino mas agora está triste e amarga porque sente falta do irmão.

Milun pode passar por muito estúpido ou por ser uma criança muito inocente por tentar de novo e de novo trazer o pote de mel apenas para ver Lulu arremessá-lo impiedosamente pela janela mais uma vez, mas esse não é o ponto. Ele a ama e vai continuar amando, ele não desistirá desse amor não importa o que, mesmo que a própria Lulu o rejeite. Não sei se eu entendi o que essa ode ao amor quer dizer, mas se for literal, é bastante desagradável. Se você amar alguém que te rejeitar uma, duas vezes, não continue insistindo, ok? Isso só vai irritar a pessoa e te fazer parecer obsessivo e assustador. As vezes simplesmente não dá. Eu sei que não é fácil, que não dá para deixar de amar de uma hora para outra, mas é preciso desapegar, superar, dar o primeiro passo. Não seja como Milun.

Do outro lado Lulu agiu feito uma idiota. Ainda que ela não gostasse do irmãozinho, agir como ela agiu com ele é ser babaca. Nem falo de arremessar o pote de mel porque isso claramente era uma metáfora para a rejeição, não pode ser entendida de forma literal, mas o humor dela, a forma como ela o tratava e, bom, ela tentar matá-lo foi bastante babaca da parte dela. No meio de todo esse sentimento de babaquice ela ficou cega e não percebeu o quanto se importava com Milun. Talvez ela não o amasse, mas ela certamente não o odiava também. E pelo menos um pouco que fosse deveria se sentir lisonjeada com a dedicação do pequeno ursinho por ela. Mas como não poderia deixar de ser, ela só percebeu isso quando ele já não mais estava lá.

É nesse momento que ela conhece Ginko. A ursa preta entrou pela janela de seu quarto para entregar o pote de mel que o príncipe Milun morreu tentando entregar a Lulu. E depois disso partiu para o mundo humano à procura de Kureha (não exatamente, já chego lá). Emocionada com o gesto, as palavras e o amor de Ginko, Lulu decide segui-la. Mas antes precisa passar pelo tribunal para adquirir forma humana, e para isso precisa abrir mão de seu amor ou de seu “beijo” (aqui entendo que ela teve que escolher entre amar e ser amada – o beijo é a segunda opção -, e ela escolheu amar Ginko). Me pergunto se Ginko também teve que abrir mão de algo, além de todas as demais ursas escondidas na escola.

Ginko queria ir para a cidade para encontrar o seu amor e dar a ele o seu beijo prometido. Conforme os primeiros episódios, ela está atrás de Kureha, mas por quê? Só porque ela é lésbica e não escolheu esconder isso? Há mais nisso. Ginko está em posse de um pingente que aparece em posse da mãe de Kureha na foto que a garota tem. A mãe de Kureha atravessou o muro no sentido inverso, indo atrás dos ursos? Quem a devorou levou seu pingente? O pingente originalmente era de um urso? Talvez os pingentes não sejam os mesmos, mas tenham a mesma origem (e significado)? Enfim, essas são só algumas das dúvidas que esse episódio lançou no ar de propósito. Se segure porque a partir de agora a história vai ficar muito mais complicada.

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