Um goliath (como num bom RPG, descubro que isso é um tipo de monstro e não o nome do chefe específico do andar anterior) apareceu, muito mais forte aquele do qual Bell fugiu antes de chegar nesse andar. Ele é capaz de se regenerar de qualquer dano recebido em uma velocidade que deixaria o Wolverine morrendo de inveja, e o desmoronamento que causou em sua entrada bloqueou a passagem para outros andares, efetivamente trancando todos os que ainda estão ali. Os monstros do próprio andar, até então pacíficos, e outros tantos que chegaram com o goliath, atacam ferozmente. E não custa lembrar que a ala mais forte (todos os personagens que conhecemos) da Família Lóki já havia partido, diminuindo vastamente o poder ofensivo das dezenas de aventureiros azarados que ainda estão ali. Muitos morrem logo de cara com os grandes desmoronamentos, outros tantos morrem durante os combates, e no fim todos os aventureiros acabam mortos. Apenas os deuses (Hermes e Héstia) sobrevivem, e ele a arrasta para que se escondam enquanto aguardam alguma forma de resgate, pois essa é sua última esperança. Héstia está em prantos, inconsolável, e Hermes teve grande dificuldade para convencê-la a não usar mais uma vez seu poder divino, pois mesmo que assim conseguisse matar o goliath, apenas acabaria atraindo inimigos cada vez mais poderosos.

Infelizmente o final não foi exatamente assim, embora a descrição inicial do cenário esteja correta e as conjecturas para o que poderia acontecer não tivessem eles um Bell protagonista protagonizando ao seu lado me pareçam bastante razoáveis. Mas não foi tão ruim também!

Como eu já descrevi, todos os aventureiros do andar, conhecidos e desconhecidos, estavam em uma terrível encalacrada: o goliath era simplesmente poderoso demais. Mesmo os mais poderosos entre eles já estavam chegando ao seu limite no fim do episódio. O combate contra o goliath em si foi decente, devo dizer. Não inesquecível, como seria mais adequado para um final de série, mas foi um dos mais bacanas de Dungeon. Quase todo resto do episódio foi uma lástima. Sequências de quadros parados tremendo ou se movendo pela tela, sugerindo movimento que não existia, enquanto a dublagem e os efeitos sonoros tocavam no fundo.

Bell e todos seus companheiros, a equipe de resgate da Héstia e todos os personagens de rosto conhecido sobreviveram. Mas para tamanha calamidade duvido que se possa dizer que o mesmo valha para todos os que estavam no andar. Se ninguém tiver morrido ali essa terá sido a maior bobagem do anime inteiro. Dezenas devem ter morrido. Se Ryuu estava exausta no final e ela e Andromeda sobreviveram literalmente se apoiando uma na outra, imagine o Zé Aventureiro que chegou ali pela primeira vez, não exatamente bem equipado mas com um grupo no qual confia e com um pouco de sorte também, depois de algumas tentativas anteriores frustradas. Esse cara ou se escondeu o episódio inteiro (supondo que houvesse onde se esconder, o que é discutível dado o levante de todos os monstros) ou morreu. Sim, haviam curandeiros e tal, mas decerto que a prioridade deles era os poderosos guerreiros que talvez tivessem alguma chance de tirar eles dali vivos. Um campo de batalha é uma coisa feia assim.

Bell brilhou (literalmente) e conseguiu derrotar o goliath no final, enquanto Hermes e Héstia discursavam em pensamento sobre o que é um herói. Um herói não é o mais forte, o que tem o melhor equipamento, a melhor magia, os maiores feitos. Herói é quem arrisca a vida pelos outros. É uma boa definição e com a qual eu concordo, e analisando o comportamento do protagonista durante toda a série é fácil perceber que isso o descreve com exatidão. O que sozinho não quer dizer de forma alguma que a série não tenha sido medíocre. Coerência interna é apenas um dos requisitos para uma boa história, e Dungeon peca em muitos outros.

Para começar, a história de Dungeon não trata tanto do herói Bell quanto trata do moleque Bell por qual todas as garotas se apaixonam e que quer ficar mais forte. Em quatro momentos ele age exatamente da forma que o anime define como heróica: quando salva a Héstia do gorila, quando salva a Liliruca do bando de formigas, quando salva de novo a Liliruca e o Welf carregando-os até o andar seguro, e agora no final quando salvou todo mundo. Não conto aquela luta contra o minotauro porque ela foi arranjada e sigo acreditando que ela poderia ter sido evitada, Bell naquele momento queria apenas mostrar que é forte, não que é um herói. Claro que um herói não tem que estar salvando pessoas o tempo todo para ser um herói, mas então o que faz um herói quando não está salvando vidas? Isso eu respondi em um artigo sobre Fate/Stay Night: um herói é um exemplo. Porque veja, qualquer um pode cometer um ato heróico em algum momento da vida. Talvez você já tenha sido um herói quando deu dinheiro que sabia que ia te fazer falta mas parecia fazer muito mais falta para aquela senhora de rosto sofrido e com uma história ainda mais sofrida. Mas Dungeon não trata do heroísmo cotidiano, casual ou acidental, mas do heroísmo como profissão (de fé?).

Quando não está sendo um herói, Bell está … precisando de um herói, em boa parte do tempo. Na verdade ele próprio só começa a ser reconhecido como herói agora no final. Seria adequado então dizer que talvez Dungeon seja a história de um garoto querendo se tornar um herói. O problema disso, de novo, é que na maior parte do tempo não é o que parece. Ele agiu de forma imprudente algumas vezes para ficar ou tentar provar que é forte, e treinou com a Aiz uma vez. Esse foi todo o esforço dele para se tornar um herói – ou melhor, para se tornar mais forte, nos próprios termos dele.

E claro, o harém do Bell que só fez crescer durante a série também não ajudou nem um pouco. Eu poderia dizer tudo o que há de errado nele mas já disse noutros artigos, então só digo isso: haréns não tem nada a ver com heroísmo, ainda que heróis eventualmente possam conquistar o coração das massas (e das donzelas). Bell simplesmente ainda não chegou lá, e já tem um harém pujante e orgulhoso. Se a Héstia não fosse tão ciumenta ela iria começar a emitir carteirinhas de fã-clube ao invés de hostilizar as demais haremetes.

Uma série problemática mas que foi divertida em alguns momentos, com vários personagens divertidos, embora subaproveitados. Não sei se eu aguentaria mais, mas acredito que haverá uma segunda temporada. Não sei como estão as vendas dos discos de Dungeon (acho que nem estão à venda ainda) nem o quanto o anime alavancou as vendas da light novel, mas o excesso de elementos não explicados nessa série, e principalmente agora no final, quando Hermes surgiu enviado por “alguém” e revela em pensamento para o expectador que Bell é neto de ninguém mais ninguém menos que Zeus, o líder do panteão grego olímpico, dão a entender que pelo menos a equipe de produção queria deixar essa possibilidade escancaradamente aberta. Como nota final, pelo menos Bell ser neto de Zeus explica os conselhos depravados de seu avô, mas não justifica a mediocridade de Dungeon.

  1. A dungeon realmente deixou a desejar bastante mais meça suas palavras ao falar mal de qualquer um personagem deste anime, tds mto bem eleborados, batalhas e poucas mais emocionantes historias creio q vc n faria algo melhor!!

    • Fábio "Mexicano" Godoy

      Eu não estou me propondo a criar nada, melhor ou pior, isso é irrelevante e é um dos piores argumentos possíveis.

      Gostaria que você desenvolvesse mais o tema “todos os personagens do anime foram muito bem elaborados”, porque eu sinceramente não vi isso. Há um bom desenvolvimento do Bell e da Héstia, algo razoável para a Liliruca, e é isso. Vamos lá, me diga quão bem elaborada foi a Andrômeda, por exemplo.

  2. Só tenho algo a dizer:
    Cora mais, chora mais haha…

    Todos sabemos que o anime é um heite.. Sabemos que você é fã de kirito, mas meu, já deu essa choradeira.

    • Fábio "Mexicano" Godoy

      O que é um “heite”?

      E você tá maluco se acha que eu gosto de SAO. E outra: opinar não é chorar. Se você gostou do anime, opine sobre ele. Opinar sobre a minha opinião é inútil.

  3. Deve se entender o seguinte, um bom anime atualmente não se trata apenas do ponto de vista estético ou somente conteudista, a harmonia é necessária e não abro mão de dizer que para o gênero escolhido esse anime rendeu algumas porções de criatividade e humor para o conteúdo.
    Bell para todos que assistiram esse anime pode parecer o maior protagonista, mas na minha opinião o protagonista dessa história não é nenhum dos personagens neste anime criado, o verdadeiro foque para mim foi o “romance”, o desejo de alguém se tornar mais forte para alcançar aquilo que se ama. Quando você disse que Bell em certos momentos deixou de lado seu heroísmo para mostrar sua força isso comprova que ele não quer apenas ser o herói que você falou mas sim mostrar que é capaz de se igualar ao seu amor. Dungeon em termos gerais conquistou o publico pelo amor com seus personagens, e quanto aos personagens mal trabalhados com a Andrômeda não acredito que uma temporada de 13 episódios é o suficiente para contar a vida pessoal de cada personagem… Por isso eu digo, que venha a nova temporada :3

    • Fábio "Mexicano" Godoy

      Eu entendo e aceito sua opinião, mas me desculpe por não aceitá-la.

      Se não forma nem conteúdo, então o quê? Sensação? Ora, essa deriva da forma e do conteúdo! Peguemos como exemplo a mídia musical, que depende essencialmente de sensações: a forma no geral (ritmo, harmonia, o “som” da música) todo mundo capta e já é capaz de derivar sensações daí. Mas em quantos casos essas sensações não mudam completamente (ou são aprofundadas) quando vemos a letra de uma música em idioma estrangeiro que não compreendemos, ou quando assistimos um clipe dela? Nos dois casos, o que mudou foi apenas o conteúdo.

      Forma e conteúdo são a fundação, não é possível jamais ignorá-los. São independentes entre si e nem sempre têm a mesma importância, mas todo o resto depende desses dois. Tudo o que você descreve são sensações que, ao fim do anime, estavam satisfeitas. Mas para mim não funcionou, porque não consegui levar esses personagens à sério o bastante – o conteúdo não me permitiu.

      Mas sim, tudo o que eu descrevo é apenas o que aconteceu (forma e conteúdo) e a minha opinião pessoal sobre isso. É perfeitamente possível que pessoas diferentes absorvam e entendam de forma diferente, e talvez a minha própria experiência fosse diferente se alguém como você aparecesse antes. Agora, anime finado, não consigo reavaliar retroativamente. Antes, mesmo que eu discordasse, eu poderia tentar enxergar segundo seu ponto de vista – e talvez visse algo bom (e talvez não, talvez visse algo ainda pior, hehe). É isso o que eu busco com meus artigos nesse blog, por isso obrigado pela participação e por favor volte mais vezes. Discórdia bem fundamentada e não agressiva é sempre bem-vinda =)

    • Fábio "Mexicano" Godoy

      Sim, apenas até o 13 (feliz ou infelizmente, depende da pessoa, hehe). Por enquanto não há nenhuma notícia sobre uma segunda temporada, mas eu, pessoalmente, acredito que ela virá se e quando houver material original disponível (light novel).

  4. caramba vey, esse anime era mt bom, pq todos animes que acho tem tao pocos eps eu assisti ele todo num dia só, hoje e ja tou tralmatico, quando eu adoro o anime e ele tem pocos eps, quando ele acaba eu fico tralmatico.

    • Fábio "Mexicano" Godoy

      A maioria dos animes tem apenas 12 ou 13 episódios, por isso é mais legal assistir enquanto estão lançando, um episódio por semana, como eu faço, hehe

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