[sc:review nota=4]

 

 

Uma das coisas que aprendi depois de acompanhar Bakuman e Gekkan Shoujo é que existem algumas formas padrão de se mexer com as estruturas ou calmaria de uma história. Duas das mais populares são: a adição de um novo personagem, ou o retorno de um antigo. Podem analisar que isso acontece em todas as demografias e gêneros, e quase sempre esse acontecimento marca o início de um novo e interessante conflito. Observado isso, dá pra entender o meu entusiasmo quando Ore Monogatari resolveu fazer as duas coisas ao mesmo tempo, né?

É o aniversário de Suna (e sim, as semanas voam na história), então Takeo e Yamato agem de forma muito mais estranha do que o normal para tentar agradá-lo. Passeios, lanches, tudo por conta do trabalhador nem tão temporário assim Takeo. Pela cara de confusão do loiro não precisava ser um gênio pra sacar que ele havia esquecido do próprio aniversário – simplesmente um cabeça de vento ou um cara que não se importa com isso? Eu votaria no segundo caso. Anyway, eles comemoram e riem como o trio de bobos alegres que são, o Suna fica todo emocionado com o presente do Takeo, e depois (ou seria em outro dia) Yamato e Suan finalmente vão visitar o trabalho dele. Claro que nossa fofíssimo pequena tarada fica toda quente ao vê-lo trabalhando sério, pena ela não ter falado nada sobre o uniforme dele, hehe. O clima ameno é interrompido quando um cara desconhecido se senta à mesa deles e encara Suna, assim, sem nenhuma explicação. Tudo fica daora quando Takeo vêm em seu socorro como um mastim fiel, e ainda mais daora quando Ai irrompe porta adentro e sequestra o garoto pra fora dali. Tá confuso? Vamos por partes: o garoto se chama Hayato, estuda com Ai e está apaixonado por ela. Quando soube que ela já gostava de alguém, aproveita que ela veio ver o irmão e a segue pra conhecer o tal fulano, mas o confunde com Suna por alguns segundos, sem querer acreditar que a paixão de sua garota é, digamos… O Takeo. Ofensivo, mas compreensível, sejamos honestos. Ah, Suna havia esquecido de que sua irmã viria visitá-lo, mas vindo de alguém que nem notou que estava ficando mais velho, isso é o de menos.

 

"Pera, hoje é o quê de quem? Ah é, é meu..."

“Pera, hoje é o quê de quem? Ah é, é meu…”

 

Agora, na real, qual seria a necessidade da presença do Hayato na história? Para os personagens, nenhuma, visto que apenas o Suna sabe que a Ai é apaixonada por Takeo ao mesmo tempo em que ela não pretende contar pra ele. E, como ela já dispensou seu pretendente, o fato de ele continuar perseguindo-na só faria com que ela gostasse cada vez menos dele, né? Sim. Mas não é só isso. Hayato e Ai são opostos em muitos aspectos, mas o mais marcante é que, enquanto ela cora à qualquer menção de Takeo, ele não tem pudores em revelar que gosta dela e foi dispensado. Aliás, é essa cara de pau que deixa o personagem divertido e causa tanto conflito entre os dois. Ele é o tipo de cara paciente que espera uma oportunidade perfeita para investir em seu alvo – e, se a oportunidade não aparecer, ele a criará. Acompanhemos a evolução.

Takeo recebeu seu salário e quer gastá-lo com a namorada em um parque de diversões, mas Yamato recusa o convite. Acuado, ele vai pedir socorro (como sempre) ao amigo e acaba recebendo uma mão amiga de Ai… De novo. Esses Sunakawas que não resistem ao desespero do Takeo-kun, rsrs. Como da última vez, era um problema simples que eles poderiam ter resolvido entre si se não fossem tão bobos: há um boato de que os casais que vão ao tal parque juntos acabam se separando. Como proceder? Vai todo mundo junto, ué. A ideia vem do mui solícito Hayato, que tá mais do que cheio de terceiras intenções mas olha só, o garoto é muito mais esperto do que eu esperava. Após analisar a situação, os integrantes, o casal de namorados e o coração de sua pretendida, ele toma uma decisão inteligente: diz a Ai que, no passeio, separará Yamato e Takeo. Mas não definitivamente, apenas por um tempo, para que ela tenha a oportunidade de se confessar pra ele, ser rejeitada e finalmente seguir em frente. Ó, eu não disse que ela ainda gostava dele? Se não houver uma rejeição clara, mesmo que a outra pessoa esteja namorando, fica muito mais difícil e demorado, e ele, mesmo tendo acabado de entrar na história, foi o único que percebeu isso. Claro, há o lado negativo da história, de que a confissão pode afetar o relacionamento dos dois e blaá blaá blá… Mas Ai está sofrendo. E, para uma pessoa apaixonada, ver o sofrimento de quem se ama é a pior coisa. Ainda pior do que ser rejeitado por ela. Se a Ai dará uma chance ao Hayato depois disso é uma incógnita, e meio improvável até, mas ele continuará ali, ao lado dela. Pelo tempo que precisar.

 

Hayato já está lá em cima no meu conceito.

Hayato já está lá em cima no meu conceito.

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