Parabenizo a equipe que produziu esse anime, o autor do mangá original em particular, por capturarem a própria essência do que é uma garota monstro. É uma garota, claro, mas que é um monstro. Como é um mangá harém, para não complicar e forçar seus leitores e espectadores a pensar muito, as garotas são apenas clichês. Assim, você sabe que elas estão ali apenas para ter personalidades exóticas, conflitantes e rasas, o que ao mesmo tempo que gera muitos dos conflitos da série agrada diferentes gostos masculinos na audiência. Gosta da garota rígida? Tem uma. Gosta da cabeça de vento? Tem uma também. De fato, essas são as garotas apresentadas nesse episódio. A garota principal é a mais “normal”, como costuma ser, não normal demais para ser chata, não incomum demais para agradar apenas uma minoria. Esses são os ingredientes de haréns há anos, e se vem funcionando não há porque mudar. O cenário e as circunstâncias em que os personagens se encontram pode mudar, mas não a estrutura básica da história. Em Monster Musume, como eu disse, a genialidade está não nas garotas, mas nos monstros.

Mas dessa não.

Mas dessa não.

Como monstros que são, elas são todas feias de doer. A principal parece uma lesma fazendo cosplay de cobra rosada. Ela tem até umas escaminhas no rosto para adicionar uma dose de feiúra extra. A cabeça de vento parece uma criança (e essa é a parte humana dela), mas tem enormes pernas de galinha e asas azuis bagunçadas. E creio que a feiúra aumente em ordem de aparição, porque a rígida, que aparece a seguir, é ainda mais feia: como centaura, possui uma parte humana que seria ok se os peitos dela não tivessem o mesmo tamanho que sua cabeça. Cada um. E dependendo da cena e do ângulo eles parecem ainda maiores (ela é um monstro, talvez cresçam e fiquem temporariamente maiores mesmo). Claro que eu sei que há fetiche para tudo, inclusive para seios feios de tão grandes e impossíveis (tá bom, com silicone é possível fazer até maior e só não coloco foto ou link aqui porque aqui ainda é um blog adequado para menores de idade e pretendo que continue assim), então foi preciso que a monstruosidade dela se mostrasse de outra maneira, e sua parte monstro deveria dar conta disso, como ocorre com as outras duas. O problema é que cavalos, em comparação com lesmas rosas e avestruzes azuis, até que são bem bonitinhos. Colocar cornos? Escamas? Uma foto minha? Não dá, centauros são bastante conhecidos e qualquer desses elementos ficaria blatantemente exposto, esquisito, falso. E que tal cobri-la como mobília velha em casa mal-assombrada? Boa ideia!

Assim, a centaura que se chama Centaura (mas escrito errado porque centauros são burros) mas prefere ser chamada de Sereia (mas escrito errado porque leia novamente o parêntese anterior) trota por aí vestindo uma respeitável toalha de mesa que a deixa parecendo uma mulher alta demais e com peitos ainda mais impossíveis que sua altura andando por aí arrastando um armário de rodinhas colado na sua bunda. Se você olhar para as patas ou para a cauda dela vai se lembrar que ela é uma centaura, mas todo o resto do tempo é apenas uma visão monstruosa.

E imagino que a essa altura você deva estar se perguntando porque fazer um harém com garotas monstruosas (de feias). Ora, ora meu caro leitor, minha cara leitora, essa é uma pergunta cuja resposta eu carrego na ponta da língua: não faço a mais pálida noção. Mesmo em animes que não são harém, mesmo em animes que não são romance, raramente personagens femininas são feias. Falo feias de verdade, não feias por algum motivo estúpido como “eu não acho que garotas de cabelo verde e desgrenhado sejam bonitas”. E eu particularmente não consigo me lembrar agora de nenhuma personagem feminina feia que é humana ou humanóide, possui posição importante na história (como protagonista, coadjuvante ou personagem secundário recorrente e relevante), e que seja feia. Com personagens masculinos isso acontece direto. Apenas nessa temporada já consigo dizer vários. Monster Musume revolucionariamente apresenta um harém inteiro de garotas feias. O que isso pode significar?

A essa altura só posso especular. Talvez o autor tenha muito mau gosto ou seja zoófilo (ou tenha mau gosto e seja zoófilo). Talvez ele seja feminista e esteja abrindo o espaço dos personagens feios, até então ocupado apenas por personagens masculinos, também para personagens femininos. Talvez ele queira causar desgosto em sua audiência na esperança de expôr o próprio gênero harém ao ridículo. Ainda é muito cedo para emitir juízo a esse respeito, mas talvez um dia Monster Musume entre para o mesmo panteão onde vivem eternamente obras como Evangelion, Madoka Magica, entre tantos outros considerados desconstruções de seus gêneros. O que Evangelion é para o Mecha e Madoka Magica é para a Garota Mágica, Monster Musume pode ser para o Harém. Bom, tecnicamente, embora por outra rota School Days já fez isso antes.

    • Fábio "Mexicano" Godoy

      Ela aparece na abertura? Sim, eu acho as que aparecem na abertura mas não apareceram na história ainda mais feias. O que corrobora minha teoria de que elas vêm cada vez mais feias.

      • Pra mim tá de boas, se eu ligasse para aparência, eu saia matando 90% da população mundial :v
        Na minha visão, o que o mangá (to desconsiderando o anime por terem cortado algumas coisas) aborda é a justamente o oposto de sua matéria cheia de algo que muitos chamariam de recalque, seria o convívio com aqueles que são diferentes, seja tanto física quanto mentalmente. Tema que é mais abordado em outros mangás como Centaur no Nayami (obra de MURAYAMA Kei) e Hitomi-sensei Hokenshitsu (de Shake O). É claro que Monster Musume apela para o ecchi+harém, mas é como o Stan Lee uma vez disse: “O universo é meu, eu criei ele e os personagens dele, eu faço o que eu quiser”.
        Em geral eu bato palmas desta vez ao Okayado, pois antes de Monster Musume ele possuia relativa fama nas convenções japonesas e na “übbernet” por doujins de temas semelhantes. É legal ver bom autor sair do submundo e vir para a vida social “aceitável”.
        Por fim, acredito que Monster Musume possui um pouco mais de profundidade do que você viu até agora, até por que acredito que apenas viu o anime, mal da maioria dos haters e fanboys de todo o planeta, mas é de acordo com a disposição de cada um a buscar informação e compreensão, não é mesmo? :v

        Boa Temporada e tente abrir mais a sua mente, Quaid :v

      • Fábio "Mexicano" Godoy

        Antes de tudo preciso esclarecer uma coisa: isso é um blog de anime. Eu analiso e critico animes. Não me importo se na origem eles são uma obra-prima shakespeariana ou cordel escrito por um analfabeto funcional. Dito isso: o anime é ruim, como você mesmo sabe e afirmou.

        Não tem “recalque” (uma palavra que perdeu completamente o significado), não sou hater (eu não odeio Monster Musume, nem anime, que estou assistindo, nem mangá que nunca li mas já havia ouvido falar), não sou fanboy (fanboy de quê, exatamente? Nem comparei Monster Musume a nada). Sou só um cara que escreveu uma crítica sobre um episódio de um anime. Um anime que você, verdadeiro fã (eu poderia dizer “fanboy”, mas não quero dar nenhuma conotação negativa a isso), reconhece como ruim – pelo menos até agora. Se houver algo para elogiar depois, eu vou elogiar.

        Eu poderia sim, se tivesse tempo e interesse, procurar o mangá. Mas olha só: estou conhecendo Monster Musume através de um anime que é ruim. A minha primeira impressão não é exatamente positiva, certo? Em um mar de mangás (eu tenho centenas para ler em casa me esperando) disponíveis, por que raio eu escolheria ler um cujo anime me deixou com má impressão? De todo modo, ainda que eu lesse o mangá e o achasse a Odisséia da cultura popular, não mudaria em nada a ruindade do anime e eu continuaria.

        Se o mangá é bom, se você gosta, ótimo! Não falei nada aqui sobre o mangá. Especulei sim, que a ruindade do anime possa vir assim pronta desde o mangá, o que tornaria o anime ruim por culpa do autor original. Mas leia de novo meu texto e veja que falo nisso por hipótese, não afirmo categoricamente.

        E obrigado pela participação =)

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