[sc:review nota=4]

Anteriormente eu disse que a proposta de Himouto! Umaru-Chan se resume em ser leve e fazer sorrir. Porém, acredito que esqueci de citar seu objetivo principal: fazer não pensar. Não acho que isso seja algo completamente negativo, pelo menos não nesse tipo de anime. Às vezes, a única coisa que queremos ou precisamos, é colocar nossa mente em stand by e consumir algo que consiga nos libertar de qualquer tipo de tensão ou ansiedade. A dinâmica de Himouto não deixa o público cair no abismo do tédio, mas sacrifica a possibilidade de trabalhar melhor sua história. Ainda estamos no terceiro episódio e já fomos apresentados a cinco personagens completamente diferentes. Isso sem contar as múltiplas personalidades da protagonista. Por mais que esteja ciente de que este anime é uma comédia simples e que sua prioridade é criar situações cômicas, independentemente do nível de desenvolvimento dos personagens, eu esperava que pudéssemos saber um pouco mais sobre a Sylphynford Tachibana antes de introduzirem mais personagens. (Eita nomezinho difícil! Que bom que não preciso falar esse nome, apenas escrever… haha).

Sylphynford faz pequenas aparições desde o primeiro episódio, sempre na mesma situação: competindo contra a Umaru e perdendo. Pensei que, assim como foi o caso da Ebina, descobriríamos um pouco mais sobre sua história ou motivações. Não que eu estivesse esperando algo profundo, de qualquer forma. Talvez não haja mesmo nenhuma história interessante sobre ela e é provável que a sua única função seja mesmo competir e perder. Já Kirie Motoba nunca havia aparecido antes, mesmo estudando na mesma turma que a protagonista, e foi o foco do episódio quase todo.

Motoba demonstra ter total aversão ao convívio social. Ela é tão fechada e sua linguagem corporal é tão travada e rígida que ninguém se arrisca a se aproximar dela. Todos a temem. Exceto a Ebina, que por algum motivo a considera uma boa pessoa e já até tentou fazer amizade com ela. É claro que ela falhou nisso, afinal a função da Ebina é falhar em tudo. O que eu acho intrigante é o fato da Motoba ter ficado obcecada pela Umaru. Por que uma pessoa tão introvertida a ponto de não saber lidar com situações básicas de convivência social, como ter pequenas conversas ou controlar sua forma de se expressar, se interessaria justo pelo exemplo vivo de “perfeição social”? Umaru é o centro das atenções em tudo o que faz e até no que não faz! Ela nem precisa estar presente para ser assunto de todos na escola. Querer se aproximar de Umaru é, implicitamente, pedir para ter todos esses holofotes em si também. E isso, para alguém com tão grave fobia social, é o mesmo que pedir para ser torturado.

Encontrar a carteira estudantil que Umaru perdeu, deu a Motoba a chance de se aproximar dela. Mas é claro que isso seria feito da forma mais estranha possível. Ao invés de simplesmente devolver para ela na escola, Motoba passou a semana inteira seguindo Umaru até em casa. Sua técnica de observação e perseguição impressionaria até stalkers profissionais (Pensando bem, eu realmente espero que não existam profissionais nessa área). Ao tentar devolver a carteirinha, Motoba flagra Umaru em sua “versão chibi”, desleixada e preguiçosa. Isso faz com que Umaru crie mais um personagem para si mesma. Agora Motoba pensa que devolveu a carteira para a irmã mais nova de Umaru: “Komaru”.

Por alguma razão, tão inexplicável quanto ter se interessado por Umaru, Motoba fica deslumbrada por “Komaru” e toda a sua fofura. Tanto que chega ao extremo de pedir a ela que seja a sua mestra e, dessa forma, passa a frequentar a sua casa. Por não saber se expressar, Motoba age de forma realmente assustadora a maior parte do tempo. Apesar disso, Umaru obviamente não dispensaria a oportunidade de ter alguém sempre disposta a aplaudir com empolgação até a menor de suas ações. Então preferiu convencer a si mesma de que esse comportamento se deve a uma grande timidez que só se ameniza quando Motoba está perto de crianças como a “Komaru”. Eu não teria tanta certeza disso. Para mim, timidez é o que a Ebina sente quando está perto de outras pessoas. As atitudes da Motoba são descontroladas em um nível absurdo demais para ser considerado apenas timidez. Eu diria que é uma espécie de fobia ou obsessão, ou uma mistura das duas coisas. Para ela, só existe a Umaru no mundo e é por ela que viverá e fará qualquer coisa. Esse exagero é engraçado pelo contexto, mas se essas situações fossem postas em qualquer fundo de realidade, seriam assustadoras! Não importa de qual ângulo se observasse.

Mais um episódio super normal de Himouto! Umaru-chan

Mais um episódio super normal de Himouto! Umaru-chan

Ganhar uma discípula serviu para encorajar ainda mais a Umaru a alimentar sua personalidade ruim. Ou seja, toda influência positiva que Ebina poderia trazer não surtirá efeito algum enquanto Motoba estiver por perto. A menos que Umaru pare de se preocupar tanto com o que os outros pensam e encontre o equilíbrio necessário para formar uma personalidade real. Apenas assim ela conseguiria sair desse impasse. A questão é: quantas personalidades ainda veremos Umaru criar até ela alcançar esse nível de amadurecimento? Será que algum dia alcançará? Bom, na verdade não me importo. Himouto! Umaru-chan, você está falhando em me fazer não pensar. Por favor, não falhe em me fazer rir.

Não vá se perder em seus conflitos Komaru. Digo, Umaru.

Não vá se perder em seus conflitos Komaru. Digo, Umaru.

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