[sc:review nota=5]

 

 

Takeo não é desejável. Ele anda falando tanto isso desde o episódio passado que convence não só a si mesmo, mas também os espectadores e, a longo prazo, talvez até a Yamato se convencesse disso. Pode parecer improvável, mas quem gosta da Turma da Mônica sabe que a doce Magali e o seu namorado Quinzinho tiveram problemas no relacionamento por motivos parecidos. Considerando isso, talvez a interferência da Mariya Saijou tenha sido algo positivo pra ambos os lados e para o seu relacionamento. Com certeza eles saíram dessa mais fortes – e, espero, um pouco mais atentos pro que acontece ao seu redor. Talvez assim o Takeo perceba que, sim, existem outras garotas que se encantam por caras como ele.

Takeo é desligado e Yamato não é muito esperta. Não sei dizer ao certo se o fato de ela ter aceitado tão facilmente a conversinha mole de “ela é minha discípula e gosta de mim como pessoa” vem de sua inexperiência em namoros ou da lavagem cerebral proporcionada por seu namorado nada atrativo ao sexo oposto. Pode também ter sido por ela crer piamente que todos amam o Takeo, não importa a forma de amor. Mas sejamos justos, Saijou se esforçou tanto pra enganar a si própria que não surpreende que tenha conseguido enganar os dois namorados bobinhos. Mas Suna não caiu nessa, é claro. É sempre o Suna. Desde o começo ele ficou atento com esse negócio sem sentido de a garota querer ser discípula de Takeo e decidiu ficar de olho nela. Como era esperado, não existiam intenções ruins vindos da parte dela, apenas um desejo feroz de permanecer ao lado do cara que ela ama da forma menos nociva possível. Mesmo que isso custasse a sua felicidade.

 

Se as circunstâncias fossem outras, elas poderiam realmente terem sido amigas?

Se as circunstâncias fossem outras, elas poderiam realmente terem sido amigas?

 

Cegos pela mentira, eles passam a inclui-la em sua programação: passeios, lanches, caminhadas. Ela e Yamato até se tornam boas amigas, afinal têm mais em comum do que possam admitir. Se não fosse todo o drama-amor-não-correspondido até seria uma boa ideia, quem sabe fizesse nosso Suna se sentir menos vela, mas nessas condições essa é a pior ideia. Afinal, Saijou está sofrendo e muito, mas ela mesma não sabe como lidar com isso. A solução está em nosso loiro sensitivo favorito, que decide aconselhá-la, da mesma forma que Hayato fez com Ai. Inclusive, as dúvidas dela são parecidas: é tão ruim assim? Ela precisa mesmo contar a ele? Assim como a outra Sunakawa, não, ela não precisa. Mas neste caso há diferenças fundamentais, como o fato de ela não o conhecer há tanto tempo e o carinho crescente que a namorada de seu amado sente por ela. E isso afeta a sua consciência, e a leva a tomar a sua decisão: ela quer se declarar.

A confissão de sua discípula mexe com Takeo de uma forma meio inesperada. Ele iria rejeitá-la, claro. Ele iria se sentir péssimo por isso e eles não poderiam mais sair juntos, óbvio. Mas eu não esperava que essa situação fosse levá-lo a entender e confessar seu amor por Yamato em voz alta. Isso aí, quebrei a cara, ele não está apaixonado, ele a ama de verdade. Todo o seu discurso sobre ela não precisar se preocupar por não existir concorrência para ela era meio distorcido; na verdade, ela não precisava se preocupar porque ele a ama o bastante para que ele não deseje nenhuma outra pessoa. Para Takeo só existe Yamato, e nada mais, e saber disso a alivia e alegra. Parecia um final feliz, mas não era. Saijou ainda sente dor, desta vez somada com a rejeição de Takeo ela enfim pode chorar em voz alta. Ao menos o atencioso Suna está lá, ao seu lado, para ajudá-la no pouco que puder. Ao mesmo tempo, ele conta para ela como Takeo está chateado por tê-la ferido, levando os dois a se falarem novamente e aliviando ambos os corações. Ela continuará chamando-o de mestre, e ele quer ficar ao seu lado a medida do possível, como amigo. Por outro lado, Yamato enfim admite que as duas não podem mais ser amigas, o que é uma pena, considerando o quão bem se davam.

Só pra concluir, vamos falar sobre o Suna: ele também merece uma garota para que possa se apaixonar, e, como seu primeiro critério de eliminação para gostar ou não de uma garota envolve o modo como ela se comporta para com seu melhor amigo, Saijou seria uma ótima alternativa. Não agora, claro, mas quem sabe mais tarde? Eu torço por isso. Os quatro poderiam voltar a andar juntos, mas desta vez sem dor e sem sentimentos abafados. Apenas quatro jovens felizes. Não suma, Saijou, nós gostamos de você!

 

Não me parece assim tão ruim.

Não me parece assim tão ruim.

  1. Fábio "Mexicano" Godoy

    “Todo o seu discurso sobre ela não precisar se preocupar por não existir concorrência para ela era meio distorcido; na verdade, ela não precisava se preocupar porque ele a ama o bastante para que ele não deseje nenhuma outra pessoa.”

    Eu estava pensando isso desde o episódio 15 (assistir os dois episódios juntos deve ter ajudado). Então, ao contrário de você, era exatamente por isso que eu esperava. Esse foi todo o objetivo desse arco, e porque ele conseguiu chegar a esse resultado de forma natural, bonita até, é que ele foi tão bom. No fundo, esse é o objetivo de qualquer romance, e por isso o anime poderia ter acabado aqui. Teria sido um final excelente.

    Mas não acabou, por isso foi preciso resolver melhor a situação da Saijou. Agora ela pode sumir da história ou não, sabemos que ela está bem; do contrário, seria constrangedor se ela continuasse aparecendo e viraria um esqueleto no armário se ela desaparecesse – e nada disso combina com Ore Monogatari. Também porque a série continua o Suna precisa continuar exercendo seu papel, então acho que ele não terá oportunidade de ser tão independente assim a ponto de ter seu próprio relacionamento tão cedo – talvez não antes do fim da série. E ele acabar com a Saijou seria muito … novela da Globo. Artificial. Nada contra os dois, adoro ambos personagens, mas as circunstâncias não permitem, seria preciso muita história (mais do que para ele encontrar uma garota totalmente nova), muita reviravolta, para que se tornassem um casal viável. Se for para o Suna ter seu par romântico, não deve ser com ela.

    Me preocupo um pouco com qual será o final que irão engendrar. Talvez a Ai finalmente se confesse? Seria legal, mas como você bem apontou, o caso dela é similar ao da Saijou, daí que sua confissão agora tenha bem menos potência. Pelo menos o Takeo está mais preparado para escutá-la. Aliás, o que será que passará pela cabeça dela quando souber que não só a Yamato, mas uma segunda garota se declarou para o Takeo? Enfim, com mangá em andamento pode muito bem acabar no meio do nada. Espero que seja melhor do que isso.

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