Rin-ne é um anime sobre o quê, afinal de contas? Uma comédia romântica sobrenatural? Acho que fui meio tola ao esperar que a história se tornasse mais séria em algum momento, mas esses arcos seguidos de “Aparece espírito” – “Derrota espírito” são repetitivos além do que seria interessante para a maioria. Pra piorar, os personagens não estão evoluindo. Nenhum deles. O máximo de desenvolvimento da Sakura, por exemplo, foi notar que ela não é completamente insensível a seu colega de classe Rokudou. E só. Nem as assombrações dá pra levar a sério, afinal o ato mais perigoso do que são capazes é de encher o saco – não estou falando de damashigamis, claro. Não surpreende a caixa de pedidos do garoto estar vazia ultimamente, ninguém liga mais. A única coisa que me espanta na história toda é a quantidade de crianças e adolescentes que morreram ao redor dos protagonistas. Me chamem de caipira de terceiro mundo, mas nunca nenhum colega meu morreu tão jovem assim, será coisa do Japão ou do anime mesmo?

A única coisa  em comum que os dois episódios apresentam foi, novamente, a determinação de Ageha e Tsubasa em conquistar o seu amor. Mesmo que da forma mais errada possível, ao menos eles tentam. Rokudou ainda não conseguiu esclarecer sabe-se lá o quê com Sakura, e, na real, dá a impressão de que ele nem está tentando direito. Já a shinigami descobriu seu amor e imediatamente começou a agir, desta vez usando uma lancheira que em teoria concede qualquer desejo. A pobrezinha só queria pegá-lo pelo estômago, e eu tenho certeza de que em outras circunstâncias até teria grandes chances, mas se isso fosse fácil se chamaria quebra cabeças infantil e não conquista amorosa. A lancheira continha um espírito maligno que concedia desejos em troca da alma do usuário, então eles acabam sendo forçados a combater um polvo de salsicha gigante, que posteriormente se fragmenta em outras centenas. Nada de desafiador, de perigoso, nada pra se levar a sério. Bleh. Claro que a tentativa de conquista da garota fica só no mundo das ideias.

 

Nossa, que meda.

Nossa, que meda.

 

Em seguida é a vez de Tsubasa tentar, mais uma vez, fazer com que a poker face da Sakura talvez desperte algum interesse nele. Ao menos as armas dele são um pouco mais poderosas: o passado e as memórias. Uma velha árvore que fazia parte da escola de fundamental deles está no centro da história, aliás, as suas raízes. Foi nelas que Tsubasa enterrou uma pedra mágica que quer de volta, então chama a garota para irem juntos. Com sorte, ela seria tocada pelas memórias e ficaria um pouco mais emotiva…só que não. Pra piorar, ao chegarem lá a tal árvore está amaldiçoada, claro, e o culpado é um garoto com quem eles estudaram e que morreu nessa época – eu não disse que todo mundo morre aqui? Tenso. As coisas ficam mais divertidas quando é claramente mostrado que ele prestava bastante atenção em Sakura, já que ele era expert em ioiô mas ela era ainda melhor. Então, ele passou todo o período escolar tentando provocá-la, inclusive ela é o motivo para que ele continuasse preso na terra. Ele roubou o ioiô dela e o enterrou nas mesmas raízes que a pedra de Tsubasa, e não conseguiu ficar em paz sem devolvê-lo. Aliás, ele parece nem ter percebido que passou tanto tempo preso, já que não reconhece a garota de quem gostava bem à sua frente, agora mais crescida. Pudera, ele estava possuído por um espírito maligno há não se sabe quanto tempo, talvez desde sempre, e a determinação em devolver o brinquedo foi sinceramente a melhor coisa do episódio. Pode parecer bobagem, aliás a maioria das motivações dos espíritos que permanecem parece ser, mas devemos lembrar que era uma criança. Ela era a garota da qual ele gostava. Aquilo que motiva as crianças é muito mais simples e mais puro do que o que motiva adultos, e o alívio dele em saber que seu desejo será finalmente atendido é muito bonito de se ver. Bom trabalho, Rokudou, ao menos pra isso seu comportamento de stalker serviu.

A única coisa que eu não compreendo, ainda, é porque o garoto gostava dela. Aliás, ele, o Tsubasa e o Rokudou. Claro que sentimentos não são racionais e nem podem ser explicados, mas qualé: pra alguém que não tem muita personalidade e não é sequer gentil com os garotos, ela faz até sucesso demais com eles. Dá até peninha, pobrezinhos, desse mato não vai sair nenhum coelho. Vão trabalhar/ascender que vocês ganham mais, e arrumem um caso que realmente seja perigoso e empolgante. Tô cansada de coelhinhos e salsichas do mal.

 

"Sai daqui, moleque, já é difícil o bastante sem você pra aumentar a concorrência!"

“Sai daqui, moleque, já é difícil o bastante sem você pra aumentar a concorrência!”

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