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O título mais correto seria: 5 animes que definiram o gênero e mais 2 que mostram o quanto ele continua vivo independente de suas franquias originais. Para os mais chatos, 4 e 3 respectivamente, hehe. Optei pela versão mais curta e menos precisa, como percebeu, e o fiz porque as alternativas são impraticavelmente longas e ainda embutem controvérsias no que é ou não é definidor do gênero, então joguei tudo no mesmo balaio e boa. O gênero Robô Gigante provavelmente é o mais japonês de todos os gêneros populares de anime, no sentido de que nasceu sem a menor sombra de dúvida no Japão. O gênero Garotas Mágicas, por exemplo, foi fortemente influenciado por seriados americanos como Jeannie é um Gênio, embora na prática o que se produz hoje em termos de garotas mágicas no Japão não encontre paralelo no resto do mundo. Com Robô Gigante se dá o exato oposto: o resto do mundo copia o Japão. Transformers nasceu como produção nipo-americana, alguns sucessos de Hollywood como Matrix emprestam elementos do gênero, e outros como Círculo de Fogo são basicamente apropriação ocidental do gênero japonês, completo com invasores desconhecidos como os de Evangelion e até o Rocket Punch de Mazinger Z.

Mas para chegarem até onde chegaram, os robôs gigantes percorreram um longo caminho ao longo de décadas em mangás e animes. A ideia de robôs e andróides não é japonesa mas já estava presente em Astroboy. Mas o robô de Osamu Tezuka ainda não era um robô gigante. Continue lendo para saber como o primeiro robô gigante surgiu e se desenvolveu até os dias de hoje!

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1956 – Tetsujin 28-go

Tetsujin 28-go

Tetsujin 28-go

Em 1956 estreou o mangá Tetsujin 28-go, de autoria de Mitsuteru Yokoyama, e em 1960 um anime de 13 episódios para a TV foi transmitido. Essas datas em si são uma grande curiosidade, pois o Astroboy que eu já citei foi lançado em mangá alguns anos antes, em 1952, mas apenas em 1963 seu anime chegou à TV. Foram obras contemporâneas, é o que quero demonstrar. Como tal, tiveram as mesmas influências: o período de guerra. E a abordagem era semelhante também, refletindo provavelmente o espírito de sua época: robôs, com seus super-poderes, são armas (em alguns casos podem ser monstros também), mas não eram necessariamente bons ou maus. Com uma mensagem pacifista, a ideia era mostrar que um grande poder era melhor usado quando em nome do bem do povo, da paz. Tetsujin era uma metáfora e era bastante infantil, de forma que não havia nenhum rigor científico na obra. O robô foi criado pelo Dr. Kaneda, pai do protagonista Shotaro Kaneda, era uma máquina única e seus poderes não eram explicados (“um cientista fez, é por isso”). Ao contrário do que se veria depois dele, Tetsujin não tinha uma cabine de pilotagem: era comandado externamente através de um controle remoto. Curiosidade: Shotaro Kaneda é o arquétipo de garoto objeto sexual em mangás e animes, e o termo shotacon é uma abreviação de “Shotaro Complex”.

1972 – Mazinger Z

Mazinger Z - "Rocket Punch!"

Mazinger Z – “Rocket Punch!”

Mazinger Z foi o primeiro robô gigante com cabine para piloto, um padrão que se tornou praticamente universal depois dele. Estreou em 1972 tanto em mangá quanto em anime, com diferença de poucos meses, autoria do incansável Go Nagai. Abro um parêntese aqui para dizer que se você é do tipo que se importa com autores de mangá e com a história do mangá, que chama Osamu Tezuka de Deus e Shotaro Ishinomori de Rei, arranje um título para o Go Nagai pois ele está no mesmo nível desses outros dois pesos pesados, em volume, variedade e importância das obras criadas. Retornando, Tetsujin 28-go foi o anime que criou o gênero robô gigante, e mais especificamente o subgênero que mais tarde seria conhecido como super robot, mas quem terminou de defini-lo foi Mazinger Z. A cabine de pilotagem é um exemplo de clichê do gênero que eu já citei, além disso Mazinger Z criou o próprio termo “super robot” e deu destaque aos golpes especiais. É criador do rocket punch, golpe onde o antebraço e a mão se soltam do braço e atingem o inimigo como um soco à distância. O sucesso foi tão grande que continua tendo novos produtos da franquia até hoje. Em 2009 foi transmitido Mazinger Edition Z: The Impact!, que reconta a história original, em 2010 Mazinkaizer SKL, um OVA de um spin-off, e em 2014 ele foi um dos robôs gigantes homenageados em Robot Girls Z (uma das protagonistas representava o Mazinger Z, e o próprio “Z” do nome da série é uma homenagem a Mazinger) Com Mazinger Z, consolidou-se o robô gigante como super-herói.

1979 – Mobile Suit Gundam

Mobile Suit Gundam

Mobile Suit Gundam

Nem mais filhos da guerra, nem mais super-heróis. Em 1979 Yoshiyuki Tomino escreveu e dirigiu Mobile Suit Gundam, retirando toda a “magia” do robô gigante ao transformá-lo em mera ferramenta de guerra, como um tanque, um avião ou uma peça de artilharia, maior preocupação com a física e a mecânica, explicações científicas ou pseudo-científicas verossímeis e cenários militares. Gundam era robô gigante, mas não era mais super robot: em 1979 nasceu o real robot. Embora tenha conservado algumas características, principalmente o protagonista escolhido pelo destino. Animes posteriores da franquia têm alguns mais e alguns menos elementos emprestados do super robot, mas nenhum jamais se deixou confundir com um. O real robot não veio para substituir o super robot, que continua existindo até hoje como verá em alguns itens adiante, mas veio para ficar.

1982 – Super Dimension Fortress Macross

Super Dimension Fortress Macross

Super Dimension Fortress Macross

A ideia original era que fosse uma paródia de Gundam, mas isso nunca aconteceu. Escrito por Shouji Kawamori e dirigido por Noboru Ishiguro, Macross foi uma opera espacial com robôs gigantes que expandiu e consolidou os domínios do real robot. Kawamori o descreve como “um triângulo amoroso sobre um pano de fundo de grandes batalhas”, e Macross com efeito valoriza bastante seus personagens e vários elementos de enredo que não os robôs ou batalhas entre eles. É de vital importância em Macross por exemplo a personagem Lynn Minmay, uma cantora, que com sua música ajuda a mudar os rumos da guerra em dada altura. E para a indústria do anime a relevância dessa personagem foi ainda maior: ela foi uma espécie de protótipo do que apenas décadas mais tarde se consolidaria com o gênero idol. Sua dubladora foi uma das primeiras dubladoras-cantoras celebridades do Japão. E Macross fez tudo isso (e muito mais) sem descuidar dos seus robôs gigantes.

1995 – Neon Genesis Evangelion

Neon Genesis Evangelion - "Entra no robô, Shinji!"

Neon Genesis Evangelion – “Entra no robô, Shinji!”

Você sabia que ele ia aparecer, não sabia? Bom, lógico que sabia, está na imagem de capa do artigo. O que quero dizer é que mesmo sem a imagem você saberia, certo? Com um cenário militarista pós-apocalíptico mas protagonistas adolescentes, desde o começo Evangelion deixou claro que não era nem super robot nem real robot. Era algo entre os dois, ou os dois juntos. Um híbrido que as vezes é chamado de mixed robot. E longe de ser apenas uma impressão inicial, isso apenas se aprofunda ao longo da série, conforme a guerra contra os anjos se torna cada vez mais cruel e os robôs se revelam não totalmente mecânicos. No final, o anime se torna um obra psicológica super densa que resiste à maioria das análises, sendo essa a segunda razão pela qual algumas pessoas não gostam de Evangelion. A primeira é porque o Shinji não entrou no robô quando deveria.

2007 – Tengen Toppa Gurren Lagann

Tengen Toppa Gurren Lagann

Tengen Toppa Gurren Lagann

Esse é o primeiro item da lista que não considero exatemente definidor de gênero. Ao invés, ele é uma grande homenagem ao subgênero super robot. Mechas sencientes, super poderes, super-heroísmo, o protagonista escolhido pelo destino, ataque especial, tudo em Gurren Lagann grita super robot. Principalmente um robô que pilota um robô que pilota um robô que pilota um robô (acho que perdi a conta) que arremessa galáxias contra um ser de pura energia formado pela consciência de toda uma raça adormecida.

2014 – Knights of Sidonia

Knights of Sidonia

Knights of Sidonia

Se Gurren Lagann entrou para essa lista como representante contemporâneo do super robot, você já deve ter deduzido mas eu digo mesmo assim: Sidonia está aqui como um representante contemporâneo do real robot. É interessante a essa altura, no último item da lista, notar que os três últimos animes se passam em cenários pós-apocalípticos e os dois imediatamente anteriores flertam com a iminência do apocalipse, caso os mocinhos não possam impedi-lo. Talvez robôs gigantes combinem demais com apocalipse, não é? Se levar em conta que Tetsujin 28-go foi inspirado em um cenário apocalíptico real tudo simplesmente faz sentido. Enfim, voltando à Sidonia, no mangá que o inspira o autor Tsutomu Nihei narra a viagem da nave Sidonia, provavelmente a última nave onde ainda vivem seres humanos depois de destruição da Terra por seres chamados de gaunas, e que continuam vagando pela galáxia e atacando-os quando cruzam caminhos. Para enfrentar os gaunas, adivinhe? Sidonia usa robôs gigantes que enfrentam o inimigo na vastidão do espaço. Dois animes já foram produzidos, o segundo nesse ano, e estão disponíveis na Netflix (pelo menos a primeira temporada eu sei que está), então se ainda não assistiu não perca mais tempo!

  1. Nesta lista só vi dois animes (o Gundam não conta, pois só vi alguns mais modernos), o Tengen Toppa Gurren Lagann e o Knights of Sidonia. Vou começar pelo Tengen Toppa Gurren Lagann, meu deus nem tenho palavras para descrever este anime, pessoalmente gosto muito de mechas, ainda me questiono o porquê de ter demorado tanto tempo a ver este anime (se bem que só o vi, porque o me recomendaste uns bons meses atrás). Este anime é cheio de exageros, desde os seu mega, mega mechas ou vulgo super robôs, ao longo de 27 episódios foram tantas as transformações dos mechas que cheguei a meio já tinha perdido a conta, mas ainda assim Tengen Toppa Gurren Lagann conseguiu um lugar na minha memória junto com Code Geass. Nesta lista também podias ter colocado Code Geass acho que teria feito um bom contraste com o Tengen Toppa Gurren Lagann já que ambos são da mesma época (impressionante como estes animes quase com 10 anos são melhores que muitos animes de mecha que se fazem hoje em dia).
    Quanto ao Knights of Sidonia eu gostei, mesmo com o seu 3D (que não era mau, muito pelo contrário), a história é boa e os seus personagens também. Este como tu bem disseste no artigo, está mais para o lado do real robô, não há cá aqueles exageros de máquina indestrutível, mais chegado à realidade tal como os Gundam e Code Geass, e das melhores coisas que estes animes tiveram foi o facto dos mechas evoluírem ao longo dos episódios, Gundam deve ter sido o pioneiro nestas coisas, mas ainda assim Code Geass é o melhor anime mecha já feito (não desmerecendo o Tengen), ele começa com robôs simples e acaba com super máquinas e de forma mais realista possível, no final eles chegam ao ponto de um mecha que disparava uma coisa parecida com uma ogiva nuclear, até mechas que voavam com fontes de energia radioactiva (no anime puseram assim, mais valia dizerem que voavam com energia nuclear).
    Como sempre um excelente artigo Fábio.

    • Fábio
      Fábio "Mexicano" Godoy

      Que bom que gostou de Gurren Lagann =)

      Esse artigo é um caso incomum de sucesso no blog, hehe, ele continua tendo muitos acessos mesmo mais de um ano após sua publicação. Não que eu esteja reclamando disso, muito pelo contrário, hahaha!! De todo modo, tenho a intenção de escrever outro artigo melhor e maior sobre a história do gênero. Algo nos moldes do artigo sobre Garotas Mágicas.

      Obrigado pela visita e pelo comentário!! =)

      • Fiquei surpreso pela história de Gurren Lagann, ele teve uma das coisas que mais prezo num anime, teve início, meio e fim. A lutas insanas (às vezes pensava se tinha tomado lsd por causa da variedade de cores durante as lutas), os personagens, todos eles foram muito bons, até os vilões foram bons e eu a julgar que este anime ia só ser lutas e humor, mas estava enganado, a assistir o anime tive um misto de sentimentos, desde de de alegria, a tristeza e suspense. Aquilo que destaca Gurren Lagann, além dos seus personagens é a sua animação diferente, ele deve ter inspirado o Studio Trigger a animação é muito semelhante. Já agora podes dizer-me se os filmes são bons?

      • Fábio
        Fábio "Mexicano" Godoy

        Os filmes são exatamente a mesma história, só que com menos tempo ficou mais corrido. Tudo o que é importante está lá, e talvez esteja até mais destacado por causa do tempo curto, mas sei lá, prefiro a série. Se gosta do Kamina, talvez curta os filmes, hahaha!

        Quanto ao estúdio Trigger, ele foi formado justamente pelos animadores saídos da Gainax que trabalharam em Gurren Lagann (e em Panty & Stocking, se não me engano). A equipe de Kill la Kill é quase idêntica à de Gurren Lagann.

      • Bem me parecia que conhecia aquela arte única. Sinceramente o Kamina para mim não foi o melhor protagonista dos 4, aquele jeito dele incomodava às vezes mas ainda assim tive pena quando ele tombou em batalha. Pelo que li os filmes são quase como uma versão remasterizada da série mas vou ver na mesma, mas acho muito difícil superar a série. O episódio 6 para mim foi o mais épico e cómico, ele fez uma caricatura perfeita, daquele clichê da maioria dos animes, as fontes termais, onde as garotas mostram os seus atributos, até agora ainda não me esqueci daquela cena em que o Kamina desfaz a fusão só para ver o corpo das garotas que apareciam num holograma pixelado, simplesmente um cena hilária.

      • Eu vi o Ova e o filme de Little Witch Academia. Estou ansioso para ver a série de tv. Aquela animação do estúdio Trigger é inesquecível.

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