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Sétimo artigo de primeiras impressões da temporada de abril de 2016 e oitocentésimo artigo do Anime21! E sim, oitocentésimo é sinônimo do impronunciável e indecorável octingentésimo, não estou inventando a palavra! Os seis artigos de primeiras impressões anteriores foram:

  1. Mayoiga, Terra Formars Revenge, Re:Zero Kara Hajimeru Isekai Seikatsu
  2. Jojo’s Part 4: Diamond is Unbreakable, Kuma Miko, My Hero Academia
  3. Endride, Ushio to Tora, Gundam Unicorn RE:0096
  4. Bakuon!!, Joker Game, Seisen Cerberus
  5. Age 12, Bungou Stray Dogs, Unhappy
  6. Sailor Moon Crystal 3, Twin Star Exorcists, Netgame no Yome wa Onnanoko ja Nai to Omotta

No artigo da vez dois originais e uma adaptação de mangá: Shounen Maid. Kabaneri e Kuromukuro são originais, mas o primeiro é original de uma forma bastante “curiosa”, duplicando quase exatamente um sucesso anterior de seu estúdio e contratando um character design dos anos 1980. E com tudo isso Kabaneri é um dos animes mais interessantes da temporada, de várias formas, mas eu não deveria adiantar minhas impressões aqui na introdução, né? Leia abaixo!


Anime21 Diário

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Mumei instantes antes de decapitar um kabane com um chute

Mumei instantes antes de decapitar um kabane com um chute

Kabaneri of the Iron Fortress, episódio 1 – Ataque dos Titãs Zumbis Flamejantes!

O Wit Studio produziu o grande sucesso que foi Ataque dos Titãs, e com saudade de fazer sucesso decidiram fazer mais Ataque dos Titãs. Mas não são eles que decidem quando vão fazer Ataque dos Titãs porque, bem, o mangá não lhes pertence. Então investiram para criar seu próprio “Ataque dos Titãs”.

Ao invés de um mundo europeu medieval, um mundo japonês steampunk. Ao invés de titãs, zumbis flamejantes. Ao invés de uma única cidade com o poder super centralizado, uma federação de “estações”, com o poder bem distribuído entre os diversos senhores de cada cidade (bom, isso ainda está para ser mostrado, mas tenho motivos para crer que seja assim). E ao invés de consertarem um traço tosco porém típico dos anos 2000 (o traço original de Ataque dos Titãs é muito ruim, o autor melhora ao longo do mangá mas o começo é horroroso), contrataram uma estrela da década de 1980 para desenhar seus personagens.

Pelo menos o começo de Kabaneri é muito parecido com Ataque dos Titãs, indo ao detalhe da cidade ser atacada e invadida logo no primeiro episódio. Mas também já há várias diferenças, além das que eu listei no parágrafo anterior e que são mais ou menos estéticas. Há diferenças de enredo também: Ikoma, o protagonista, não começa a história fraco e patético como o Eren. Também não tem alguém como a Mikasa para limpar a bunda dele. Tampouco há qualquer sinal de que o anime vá ter uma fase inicial de treinamento, com direito a escolinha e tudo. Considerando que por ser uma obra original Kabaneri provavelmente terá um final mais ou menos definitivo (bem mais definitivo que o de Ataque dos Titãs, pelo menos), arrisco dizer que Kabaneri é um Ataque dos Titãs sem todos os defeitos de Ataque dos Titãs. E dá para melhorar ainda, porque a história não precisa e na verdade não parece que irá seguir sua inspiração à risca.

Para finalizar, preciso comentar sobre o character design. Você já assistiu? Quando eu assisti fiquei com uma impressão muito louca que aquilo era um character design bem antigo, o que ficava mais evidente quando tinha close-up no rosto de algum personagem. Eu simplesmente fui obrigado a pesquisar após assistir, e descobri: o character designer por trás de Kabaneri é Haruhiko Mikimoto, que vem a ser ninguém mais ninguém menos que o character designer de Macross, o anime original, além de algumas outras séries da franquia. E também de Gunbuster, um dos animes da franquia Gundam, enfim, alguém que trabalhou muito durante as décadas de 1980 e 1990, mas desde a década de 2000 não tinha nenhum anime para TV. Ele foi especificamente escolhido para esse projeto, e o resultado está sendo bastante interessante.

Robô Jesus anda sobre as águas - e ele é inimigo, salve-se quem puder!

Robô Jesus anda sobre as águas – e ele é inimigo, salve-se quem puder!

Kuromukuro, episódio 1 – A pressão de ser filha de gênios

O começo do episódio é muito interessante. Yukina, a protagonista adolescente, está tendo uma reunião de orientação com seu professor no colégio junto com sua mãe. Ela não sabe direito o que quer fazer da vida, se sente muito pressionada por não ter herdado geneticamente a inteligência da mãe (e provavelmente de seu pai desaparecido também), isso interfere em suas notas já apenas medianas, e seu professor tenta fazer recomendações sensatas para ela com base nisso. Ele diz o óbvio: as pessoas são diferentes. Mas a mãe não entende, não quer entender, acha que se as notas da garota não são boas a culpa é do professor, e acha que ele deveria incentivá-la a tentar as faculdades mais difíceis porque sim. Ela chega ao cúmulo de ameaçar o emprego dele (ela é importante por ali, ela pode). Isso não é uma caricatura de muito do que está errado na nossa educação hoje em dia? Os pais não dão apoio, não acompanham, apenas cobram resultados da escola e sequer se importam em conhecer seus próprios filhos.

Mas duvido que Kuromukuro será sobre isso. Pela prévia, no próximo episódio a Yukina já estará co-pilotando robôs gigantes e é isso aí. Fiz questão de mencionar de todo modo porque é tão caricato que duvido que não seja proposital. É uma mensagem que quiseram passar, e aqui está ela, registrada. A história em si … não entendi de onde vêm os robôs gigantes malignos, será do espaço? Talvez. O fato é que um samurai foi colocado em hibernação por alguns séculos e a Yukina sem querer o desperta enquanto os robôs do mal atacavam. E ele estava nu. Por que ele estava nu? Oh, bem, quem se importa … ele reconhece nela uma “princesa” e começa a lutar contra os robôs como se fosse a coisa mais normal do mundo. E derrota alguns só com sua espada (ele tinha uma espada de verdade embora não tivesse roupas, ok?) enquanto os robôs da ONU derrotam os robôs do mal do lado de fora. Bom, não foi um começo ruim, e pode ficar bastante interessante ainda.

Chihiro conhece Madoka e descobre que tem um tio após a morte de sua mãe

Chihiro conhece Madoka e descobre que tem um tio após a morte de sua mãe

Shounen Maid, episódio 1 – Muito mais sensível do que eu esperava

Pelo título, pela arte, por tudo, eu esperava uma comédia bem absurda, cheia de piadas sexuais constrangedoras, e abuso de menores de idade em geral. Mesmo assim eu quis assistir porque eu não tenho muito amor próprio. Mas me surpreendi bastante com o que vi!

Chihiro acabou de perder sua mãe, não tem mais família nenhuma, não sabe o que vai fazer, para onde vai ir. A ficha dele ainda não caiu, e ele chega a admitir isso. Entra em cena Madoka, o tio que ele não sabia que tinha. E ele é rico, de uma família rica. Por que nunca ajudaram sua mãe? Por que deixaram ela trabalhar até morrer de exaustão? Ela foi deserdada pela família. Tanto pior! Mesmo alguém encurralado pelo infortúnio da vida como o Chihiro pode ter orgulho. Ele não quer saber de aceitar agora, de bom grado, que a família que ignorou sua mãe faça o favor de criá-lo.

Não que ele tenha qualquer outro plano ou qualquer opção. Mas o que ele pode fazer? Sua mãe acabou de morrer afinal. E é bastante razoável ter raiva da família que a abandonou. Ele é só um adolescente, ele não entende tudo, mas pelo que ele entende ele não pode simplesmente aceitar aquilo. Madoka soube ser compreensivo com o garoto. Como sua mãe trabalhava muito, era Chihiro quem cuidava da casa, e ele acabou desenvolvendo gosto por isso. Gosto até demais, obsessão mesmo. Quando Madoka percebeu isso fez a oferta que seu sobrinho não recusou: ele não o criaria por favor então, mas seria uma forma de pagamento pelo serviço de cuidar da sua nova casa.

A mania de limpeza do Chihiro e o gosto por babados (e por zombar de forma saudável do Chihiro) do Madoka criam as situações de humor do episódio, transformando o que poderia ser um drama familiar pesado em uma dramédia leve e divertida. Mas a ficha do Chihiro ainda não caiu.

  1. Finalmente o review que eu mais esperava nesta temporada, Kanbaneri of the Iron Fortress, para mim tem tudo para ser um dos melhores animes desta temporada, excelente animação, excelente trilha sonora até os dubladores são bons (veja-se o protagonista, tem uma voz mais adulta, ao contrário do Eren do Snk que quase me deixava surdo cada vez que falava). Para quem queira uma experiência pós- apocalíptica tipo este anime aconselho que vejam o filme The Empire of corpses (foi feito pelo estúdio Wit) também sobre zombies e passa-se no século XIX e diga-se de passagem o filme é muito bom. Quanto ao personagens, o personagem principal já começou fora dos padrões normais para este tipo de anime, é inteligente, independente, tem o desejo de poder mudar a situação em que se encontra sem grandes dramas e para quem tem dúvidas na parte final quando ele é mordido e não se transforma num Kabane, há vária explicações possíveis, primeira: quando o protagonista quando repara que foi mordido/infectado não entrou em pânico e decidiu logo cauterizar (queimar a zona ferida) e pôr uma braçadeira no braço de forma a evitar que o vírus se alastrasse pelo corpo todo (isto inclui a cena da auto-sufocação) esta parte foi essencial pois se o vírus não alcançar o cérebro a pessoa não se transforma num Kabane, não sei se reparaste Fábio aquela pedra que o protagonista tem na mão será que ela não poderá ser uma cura, só o tempo o dirá, quanto à treta do protagonista ter ficado com uma madeixa de cabelo branco, também tem uma explicação cientifica e racional, o stress provoca cabelos brancos. Quanto à Mumei, para mim uma excelente personagem, parece que é apenas uma personagem descontraída e desfasada da realidade é apenas uma “camuflagem” como se viu na última parte ela é uma guerreira habilidosa. Só eu que reparei que aquelas partes dos infectados terem que se matar com um saco com explosivos que mais se faz parecer uma granada, faz-me lembrar dos soldados japoneses na Segunda Guerra Mundial, quando estavam cercados pelo inimigo tinha que cometer suicídio colectivo e este era feito com a detonação de uma granada na barriga dos soldados. E há coisa mais épica de uma história passada na idade medieval japonesa, katanas, armas que mais parecem as primeiras espingardas de mecha introduzidas em Tanegashima pelos portugueses (só que estas em vez de usarem chumbo e pólvora usam vapor/gás como se fosse uma pressão de ar), os bushis (samurais ou guerreiros), para mim só no primeiro episódio foi melhor que Snk inteiro.
    Quanto a Kuromukuro, pareceu-me mediano mesmo sendo mecha (eu aprecio muito animes de mecha e sci-fi) mas não é nenhum Code geass da vida (este sim é o supremo anime de mecha, simplesmente um dos melhores animes que já vi).
    Vou dar uma vista de olhos no Shounen Maid, pensava que ia ser uma coisa completamente diferente do teu review, por ser o contrário vou dar uma oportunidade.

    • Fábio
      Fábio "Mexicano" Godoy

      Kabaneri sem dúvida está muito caprichado e já começou à todo vapor (e nesse anime isso é literal, hehe), o que é muito bom! Fiquei curioso com a pedra na mão do protagonista sim, acredito que ela certamente será um ponto importante do enredo. Quanto à cena dele combatendo a infecção acho que a única coisa que causa incômodo é o efeito visual: foi muito estranho as marcas de infecção e a cor simplesmente regredirem instantaneamente daquele jeito. Para um anime que se pretende científico aquilo pareceu muito mágico. Mas suponho que vá ser explicado de alguma forma mais adiante também.

      Seu mecha preferido é Code Geass? Você é do time do real robot então, eu sou mais super robot e meu preferido é Gurren Lagann, hehe =) Kuromukuro não mostrou nada demais, de todo modo. A ação dele não foi tão espetacular quanto Kabaneri, fiquei com a impressão que ganharam até fácil aquela batalha – fora que odiei aquele piloto que fica usando termos chulos enquanto luta. Existem pessoas assim? Existem. E eu não gosto delas, ué. Comparando com outro recente de mecha, Kuromukuro não teve o impacto que Aldnoah.Zero teve no final do primeiro episódio, por exemplo. Você assistiu? Eu fiquei embasbacado, imóvel, na beira da cadeira. O anime no final das contas foi apenas mediano ou fraco, mas o começo foi espetacular.

      E eu esperava algo diferente de Shounen Maid também! Gostei bem mais do que vi do que teria gostado do que eu achava que iria ver =)

  2. Podemos só tirar um minuto para notar os nomes “Chihiro” e “Madoka”? Quando eu vi os nomes eu fiquei “Oh… okay então… rsrs” xD Isso de lado, Shounen Maid foi uma surpresa pra mim. Esperava dropar no primeiro ep, mas no final foi mesmo bem mais emotivo, ainda que cômico. É o tipo de mescla que eu espero de um bom anime de comédia, já que essa parte mais dramática é justamente o que dá personalidade e faz os personagens soarem um pouco mais humanos, ao invés de apenas estereótipos e clichês forçados cujo único motivo de existência é fazer uma ou duas piadas. Se seguir nesse caminho, pode ser um anime bem divertido.

    E koutetsujou pra mim foi… digamos… “não esperava nada e ainda estou desapontado”. O worldbilding foi muito mal feito nesse primeiro ep, e num geral tudo o que ele deveria apresentar ele apresentou mal. Além de ser um anime que tacou o “show, don’t tell” pela janela xD (não que isso em si seja um problema, mas nesse caso teve algumas coisas que incomodou. Por exemplo, o protagonista diz que as pessoas consideram a “zumbificação” como uma maldição, mas nunca vemos alguém que não o protagonista falando isso). E vou dizer que o traço dos personagens incomodou um pouco. Em close, eles parecem saídos de algum filme de alto orçamento dos anos 80 ou 90, mas nas demais cenas parecem personagens de anime bem mais “normais”. Esse contraste me incomodou um pouco, e achei mesmo desnecessário. Espero que diminuam um pouco ou ao menos padronizem =P

    • Fábio
      Fábio "Mexicano" Godoy

      Chihiro e Madoka? Não peguei a referência D= As Madokas que conheço são as protagonistas de Madoka Magica e Kimagure Orange Road, e Chihiro de cabeça agora só a protagonista de A Viagem de Chihiro =x Me explica? D=

      Mas sim, adorei o clima de Shounen Maid. Adoro dramédias, espero que ele não se desvirtue ^^

      Eu gostei da apresentação do mundo de Kabaneri. Não apresentou tudo, algumas coisas ficaram mais misteriosas do que se não tivessem sido citadas, enfim, mas acho que é tudo intencional e vai retornar mais adiante no anime. Claro que não foi perfeito, mas no geral eu gostei bastante.

      Quanto ao traço dos personagens, bom, isso é consequência da escolha que fizeram né? Escolheram deliberadamente um grande character designer que é sim dos anos 1980, mas os ilustradores que estão dando vida a esses personagens são dos anos 2000 mesmo. Acho que só a Sunrise ainda tem equipes especializadas em fazer animação estilo antigo, por isso conseguem entregar algo como Gundam Unicorn, mas mesmo com essa aparente contradição no traço eu o estou achando muito interessante. E talvez melhore ao longo do anime.

      • Sobre shounen maid, eu falo realmente da Viagem de Chihiro e de Madoka Magica. São nomes BEM icônicos, então achei interessante os nomes rs (certeza q certo ou tarde surgem fanarts do Madoka vestido de Madoka shauhsaushuashaushu).

        Sobre Koutetsujou, espero que expliquem e retomem algumas coisas sim, pq esse primeiro episódio não me impressionou nem um pouco =/

      • Fábio
        Fábio "Mexicano" Godoy

        Ah sim =D

        Bom, algum anime de ação te impressionou nessa temporada? Para eu ter noção das suas preferências =)

    • Sim eu vi Aldnoah zero, e realmente o primeiro episódio dele foi muito bom, só é pena que o resto do anime não tenha seguido o mesmo rumo. Tenho que dar uma chance ao Gurren Lagann já a uns anos que tenho andado a ver se arranjo um tempinho para o ver mas não é fácil (estudos, emprego temporário) quase nunca tenho tempo para ver nada. Já agora Gurren Lagann é bom? Tem alguma característica especial que o destaque?

      • Fábio
        Fábio "Mexicano" Godoy

        Gurren Lagann é um dos animes mais exagerados que já vi, e isso é de propósito, faz parte de sua estética e sua história. Os personagens centrais têm histórias simples mas muito desenvolvimento, são bastante humanos. E a ação é de tirar o fôlego na maior parte do tempo, além de ser muitas vezes imprevisível.

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