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O que mais me despertou curiosidade em Battery foi o fato da nota dele ser extremamente baixa no famigerado MyAnimeList. Numa análise geral, costumava ser fácil entender o que cada grupo de médias representa: 9 eram animes excelentes, 8 muito bons, entre 7,9 e 7,5 costumavam ser bons, entre 7,4 a 7 o alerta começava a soar e com os de média 6 era onde o alarme soava de vez. Não havia muitos exemplos no geral de coisas que ficavam abaixo disso. Se focarmos nas séries de TV, tem pouquíssima coisa, a maioria antiga, se filtrarmos ainda mais para pegar coisas recentes apenas, só temos o exemplo de Aku no Hana.

Em 2016 eu percebi alguns animes que juntos se tornam uma minoria percebível, e curioso como sou, fui atrás do que me parecia mais engolível deles para entender a espécie de fenômeno que aparentava assistir. Posso dizer que vi esse anime de forma “experimental”. E como Battery é do bloco Noitamina, que é conhecido por ter uma considerável qualidade em suas séries, de alguma forma, nem que só a abertura e o encerramento, ou talvez só a animação sejam boas, e o resto uma porra, ele foi o escolhido.

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A história fala sobre Takumi Harada, um jovem que se muda para uma cidade nas montanhas na província de Okayama, durante as férias de primavera antes de entrar no ginásio (ensino fundamental II, sexta série) por causa de uma transferência de trabalho de seu pai. Takumi é um arremessador, e depois de se mudar ele começa a perder a confiança em seu próprio talento. Então o colega de classe Gou Nagakura surge diante dele com um forte desejo de formar uma bateria (combinação entre arremessador e receptor) com Takumi.

O anime foi exibido de Julho a Setembro, com 11 episódios animados pelo desconhecido Zero-G e dirigido por Tomomi Mochizuki (que tem um currículo considerável, mas que eu não vi boa parte do que ele fez, então não vou entrar em comparações com outros trabalhos do mesmo).

Como um experimento, se eu tivesse que fazer um relatório mais sério sobre a experiência, eu diria que eu entendi o motivo por trás da nota, ela é baixa porque provavelmente não teve o povão que dá nota pra qualquer coisa e a média final fica nos 6.

Em suma, Battery é decepcionante, tem todo um potencial jogado fora pela sua curta duração de 11 episódios; talvez em 2-cours (no caso, 22 episódios) a coisa poderia ter funcionado de forma mais interessante.

Existe um diretor de cinema americano, Terrence Malick, que é conhecido por fazer filmes quase que filosóficos, mas que pra mim é só um roteiro que tenta fazer algo mas que não chega a lugar algum. Por Battery ser baseado em uma série de livros de 6 volumes, eu quero e desejo acreditar firmemente que tenha sido apenas culpa de não terem adaptado tudo por algum motivo qualquer que não me interessa saber. Em muitos momentos, a série se assemelha com os filmes do citado, existe uma tentativa forte de fazer cenas dramáticas e de construção de mundo, mas no final é tudo irrelevante, e que apesar de o ritmo lento desse não ser ruim como o de Malick, ele ainda não tem substância para que faça que realmente gostemos daquilo. Em seu filme mais novo, De Canção em Canção (Song to Song), temos problemas similares aos de Battery, tudo é muito raso, mal desenvolvido e desperdiça a boa produção que tem por trás de tudo.

No mesmo filme, os dramas também não tem real ponto, tudo soa irrelevante visto a falta de desenvolvimento futura, o esporte é deixado em segundo plano para um drama que não é desenvolvido, para focar em personagens que querem se encontrar e que tem potencial a ser desenvolvido, mas apenas uma grande feijoada acontece.

Os primeiros episódios de Battery podem ser descritos como “ok”, o famoso não fede e nem cheira, eram aceitáveis, o máximo que já era demonstrado era que a série se focaria mais em drama e seria uma série esportiva com uma puxada mais realista. O problema exato não é bem uma queda de qualidade, e sim mais para uma falta de subida.

Vou citar como exemplo dois arcos do anime, caso não queira spoilers é só seguir lendo normalmente, senão clique abaixo:

Por ter poucos episódios, a série ficou prejudicada na construção dramática e evolução de seus personagens, posso citar como exemplo um dos primeiros conflitos iniciais, que é o treinador querendo que o protagonista corte seu cabelo e ele, claro, se recusa.

Isso poderia render alguns episódios tranquilamente, já que poderíamos ter uma construção dramática em torno disso, do protagonista mostrando que seu treinador só está de frescura por motivo nenhum. Mas ao invés disso, temos de desenvolvimento apenas o treinador se mancando que ele não ia cortar o cabelo mesmo e que se ele ficasse de frescura por isso não teria quem é provavelmente o melhor jogador da equipe em campo (o que temos que entender só pelos diálogos mesmo, porque os outros jogadores não têm sequer nome, com exceção de quem vai ajudar nas construções de dramas futuros, então eu não sei realmente o quão melhor o protagonista é comparado aos outros), e isso só queimaria o protagonista (e o time provavelmente) mesmo, então num belo foda-se ele aceita e fica tudo por isso mesmo.

Em outro “arco” (que é um episódio) temos a construção do quanto o irmão do protagonista ama beisebol e quer jogar mesmo que ele possa morrer (?) por causa disso. Uma noite, depois de ter sido repreendido pelo seu irmão, ele foge de casa, se perde, tem cena bonitinha, voltam para casa e… é isso. Não tem nenhuma construção de sua condição de doente, o porquê de fato ele não pode jogar, ou melhor, ele ser repreendido por seus atos, afinal, construção de personagens também é algo importante, mesmo que ele seja um personagem secundário que depois desse episódio fica quase em total segundo plano. Era uma situação que poderia ter dado mais background para a família, ou por exemplo, porque ele estava perdendo a confiança em si mesmo. Incidentes relacionados sempre costumam ser uma boa forma de fazer que nós expectadores entendamos o motivo de algo ser de tal forma, mas não temos necas de nada.

A face triste do irmão doente que não é desenvolvido

Os outros arcos também têm problemas parecidos por não terem tempo de se desenvolver, a série fica superficial, e por termos apenas os já mencionados 11 episódios, a situação se agrava para quem assiste, temos uma falta de chuva no molhado, ou melhor, não temos sequer uma chuva para molhar em primeiro lugar.

Assim sendo, a falta de um desenvolvimento real é o grande motivo por trás da nota baixa, é um anime totalmente esquecível e que se torna ruim por justamente não tentar nada, inclusive com seu final sendo completamente aberto, e no geral finais abertos são ruins por deixarem dúvidas a serem solucionadas.

A outra escola

Mas aqui a frustração toma conta como se você estivesse num trem expresso, e o trem simplesmente pulasse a estação que é a que você quer descer. No caso, a falta de desenvolvimento para dar num final que no máximo seria… o começo de outros animes do mesmo esporte, como Diamond no Ace. E a inserção de outras escolas com mais dramas que não serão bem desenvolvidos é frustrante, já que o máximo que rende é mais um motivo para se ver tudo como uma perda de tempo e olhe lá.

  1. Como diz o ditado “a curiosidade matou o gato” e nesse caso então foi perda de tempo. Eu até tinha um pingo de vontade em conferir o anime por ser do bloco NoitaminA, mas agora é praticamente nulo. Apesar da review mostrar praticamente só o lado negativo (ok foi citado que ela tinha potencial), mas ainda assim foi uma boa leitura o/

    • É que os pontos positivos são bem mais subjetivos e não acrescentariam muito a resenha, já que seriam coisas tipo falar do CD, da animação, das músicas, coisas que pra entender o porque ele foi mal visto não acrescentam, afinal, ter um CD bom ou uma OST boa não faz nada ser bom.

      • Vc tem que por na balança e ver se compensa visto o tamanho dele, eu falo que compensa mesmo tendo o problema padrão da época, talvez não tanto quanto um logh.

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