Esse episódio ficou aquém do que eu esperava, principalmente pela primeira parte, já que a segunda divergiu mais do mangá – mas até que ela ficou boa. Vamos para a antepenúltima dança antes do fim!

A primeira parte desse episódio serviu toda para conhecermos quem é o personagem Kugimiya Masami, todo o seu caminho até estar ali dançando naquele salão, naquela competição, e olha, tem história, tanta que acho que apenas metade de um episódio foi muito pouco contá-la – infelizmente.

Tão fofo, nem parece que vai ficar tão ranzinza…

Mas por que digo isso? Porque era muita informação para pouco tempo e algumas coisas – como a relação do Kugimiya com o seu mestre, que era mais próxima de um pai com o filho, e o raciocínio que o levou a se desiludir com a dança – não foram bem passadas. Claro que anime é anime e mangá é mangá, e não dá para achar pior ou melhor por seguir à risca ou não o que está sendo adaptado, é importante separar isso e mesmo separando ainda acho que a direção não foi boa como deveria.

Deu para entender que o velho mestre dele era antiquado e o ensinou um tipo de dança mais polida e perfeccionista, que com certeza é boa, mas é muito apagada e chata se comparada a dança envolvente e agitada de pares como Sengoku-Chizuru e Hyoudou-Shizuku, por exemplo. Deu para sentir como o personagem era diferente nesse quesito, mas não deu tanto para relacionar ele com o seu mestre na figura paterna distante que ele poderia ver nele, ou sentir a sua paixão pela dança e qual foi o ponto de virada que o fez querer morrer por estar tão frustrado por não conseguir vencer.

Minha primeira reclamação não tem muito fundamento porque, como disse antes, cada mídia é cada mídia. Agora a segunda tem bastante, pois se tratava de algo necessário para ajudar a entendermos melhor o personagem, mas no final acabou sendo raso no sentido de mostrar a sua forma de pensar e as suas tomadas de decisão – mas ao menos conseguiu transmitir um pouco da sua angústia.

A sua história de vida por si só é bem interessante e sofrida e me faz pensar o quão triste vai ser se ele perder, e perder novamente para um par que consegue brilhar e se destacar no salão – mesmo não sendo tão experiente ou perfeccionista como o par dele. Claro que isso só vai funcionar se o telespectador se envolver na história dele e sentir empatia pelo personagem, e é exatamente por isso que achei essa parte no máximo razoável, porque foi rápida e não ajudou a criar essa empatia.

“O inferno são os outros,” ou o inferno está dentro de você mesmo?!

Quanto a outra metade do episódio, ela foi bem interessante e necessária, se assemelhou a outros momentos marcantes do anime e conseguiu passar a carga narrativa e dramática da cena satisfatoriamente. O mais interessante aqui foi ver o conflito de ideias, pontos de vista e ações entre o par principal, e como foi através desse conflito que eles conseguiram, de um jeito meio torto, ir se ajustando um ao outro, se conhecendo, se entendendo e se aceitando ao ponto do Tatara finalmente ter entendido o que significava “tomar as rédeas” da sua poderosa e eloquente parceira, a Chinatsu.

Aliás, trabalhar e se valer da ideia de que boa parte da força do casal vem do corpo, da explosão e do talento da Chinatsu foi ótimo e ajudou a definir melhor o que é essa relação de “líder” e “parceiro” tão debatida nesse anime. Cabe agora ao Tatara usar essas concepções e essa confiança, que foi adquirida após muito esforço da parte deles, em prol de conseguir fazer transbordar a beleza da sua parceira, a fim de fazer com que ele se torne um verdadeiro e digno líder para a sua acompanhante.

 

Belíssima cena, diz um telespectador de passagem!

Algo que a Marisa falou no flashback do Kugimiya foi bem mostrado aqui, que cada dançarino tem seu próprio inferno pessoal, que cada um tem seus problemas e diversidades as quais tem que superar para estar dançando, para conseguir se destacar, para conseguir vencer uma competição.

É irônico como o Kugimiya passou a odiar ser visto dançando pelas pessoas, mas não consegue largar o salão. Isso me lembrou o Kiriyama de Sangatsu no Lion, que tem uma relação bem estranha, de verdadeiro amor e ódio, com o shogi – jogo de tabuleiro, similar ao xadrez, tradicional japonês. Chega ao ponto dele querer que dessem um fim na sua vida para evitar ter que voltar a dançar de novo e passar pela mesma humilhação de sempre – de ser um segundo ou terceiro lugar, no máximo –, o que é bem pesado e não sei se tornou o personagem mais simpático aos olhos do público, mas acredito que a sua derrota, ou quem sabe a sua vitória, vá sim significar algo para o telespectador.

Só gostaria de dizer que apesar da primeira parte ter sido um tanto quanto insatisfatória, a segunda foi ótima e pode não ter se ligado tão bem a primeira, mas ao menos apontou o caminho pelo qual o anime deve seguir. As finais se aproximam e agora o par principal parece ter condições de dançar o melhor possível, o que espero que provoque o final animado e marcante que estou esperando!

Espero também que as cenas de dança sejam ao menos como foram nesse episódio. Não todas, mas o passo-rápido – que na verdade era uma valsa adaptada, e isso em si foi uma ótima ideia deles – do par principal foi bem animado e bem movimentado em algumas partes. Nada “uau”, nada espetacular, mas bem melhor que a média razoável para medíocre do anime.

Até a penúltima dança!

A satisfação por um objetivo alcançado não tem preço!

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