Fui convidada para publicar aqui no Anime21. Me chamo Ananda Santos e sou escritora, otaku e cosmonauta.

Esse artigo é o primeiro de uma série sobre Legend of The Galactic Heroes, voltados primariamente para quem ainda não conhece a franquia. Não é uma resenha ou coisa do tipo, mas um guia mesmo: o que esperar, o que assistir. Mas mesmo se você já conhecer talvez descubra algo novo.

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Com a confirmação de que a clássica série de novels de Yoshiki Tanaka ganharia uma nova adaptação para anime em 2018, é natural a galera se interessar em conhecer a série original…

…Aliás, nem é natural não. Já não basta o bagulho ser um OVA de CENTO E DEZ EPISÓDIOS (episódios que, a partir de algum ponto da 3ª temporada, passam a ter quase 30 minutos de duração), a série também é famosa pelos diálogos/monólogos longos e cheios de informação, tornando-a o tipo de coisa que definitivamente você não assiste de forma casual, enquanto lava a louça.

Como eu sou doidDEDICADA, assisti não só o OVA, mas também todos os filmes e o OVA prequel (dividido em duas partes), e tirei minha carteira de fã. É um dos meus animes favoritos.

Visto que LOGH é o anime campeão de ser jogado e esquecido no sacão de animes too-cult-too-long-didn’t-watch (junto com Monster, a franquia Gundam, Galaxy Express 999, Detective Conan e etc) e graças ao fato de que eu tenho muito tempo livre (deu pra notar, né), resolvi fazer este texto e explicar a cronologia de Legend of The Galactic Heroes. Vou falar de seus filmes e impressos e sanar as dúvidas que geralmente quem vê ou pretende ver a série tem.

O texto a seguir, bem como os demais artigos da série, NÃO contém spoilers. Siga na paz!

O que é Legend of The Galactic Heroes?

O primeiro problema é o nome da série e suas abreviações. Gineiden, LOGH, LotGH, Star Trek

O nome em japonês é Ginga Eiyuu Densetsu (“A lenda dos heróis galáticos”). Os japoneses curtem abreviar para Gineiden, que acho bem simpático e gostoso de falar, mas ninguém aqui no ocidente usa. O nome em inglês é Legend of The Galactic Heroes, que pode ser abreviado para LOGH ou LOTGH. E a série ainda usa um título alternativo (que é o que aparece na abertura do anime), em alemão quebrado (!): Heldensagen vom Kosmosinsel (“Contos heróicos da ilha cósmica”, WTF?). Provavelmente para remeter ao fato de que o Império Galático é baseado na Prússia. Bem, eu uso LOGH quando escrevo, e Galactic Heroes quando falo (como se eu falasse com alguém sobre a série. COMO SE ALGUÉM TIVESSE ASSISTIDO ISSO).

Trata-se de uma série de 10 novels de ficção científica espacial (isto é, de navinha), lançada em 1982, de autoria de Yoshiki Tanaka.

Capa por Yukihisa Kamoshita

Tanaka também é o autor da novel Arslan Senki (1986), ilustrada por Yoshitaka Amano (ilustrador da série Final Fantasy), que recebeu uma versão mais nova em mangá em 2013, com arte de Hiromu Arakawa (Fullmetal Alchemist), e um novo anime no ano seguinte.

A novel de LOGH foi adaptada em 1988 para OVA (isto é, não foi exibida na TV, mas vendida em vídeo; dado que será importante para algo que vou abordar mais à frente). A animação é do estúdio Artland (Macross, Mushishi), com uma mãozinha dos estúdios Madhouse e too much Magic Bus.

Atualmente (início de 2018), a novel de LOGH está sendo publicada nos EUA pelo Haikasoru, um selo da Viz Media que publica ficção científica e ficção especulativa japonesa. Atualmente, a publicação está no quinto volume.

A série alcançou um status cult só porque é longa e chata pelas suas batalhas épicas de navinha, sua trilha sonora exclusivamente de composições clássicas orquestrais, pelos personagens extremamente humanos e cativantes, e pela abordagem realista e inteligente de temas complexos, como: política, história, intriguinhas internas imperiais, a pinguinha nossa de cada dia, criação de gatos e guerras quase infinitas em escala galática.

O gênio Yang Wenli profundamente concentrado em novas estratégias para conduzir a Aliança à vitória

Sendo o universo LOGH tão cheio de personagens marcantes, e tendo uma linha do tempo tão extensa — ainda que Tanaka apenas trabalhe em suas novels com mais ou menos 15 anos dessa história — , há animações, novels e mangás cobrindo variados momentos da cronologia.

Para quem quer entender a cronologia da série (que, aliás, é bem linear) e saber se há algo que possa ser lido ou assistido antes do trambolhão homérico de 110 episódios, leia os próximos artigos dessa série especial!

  1. Apesar de curto(poderia ter estendido mais), gostei do texto. Sempre tive vontade de assistir esse anime, quero saber logo qual a ordem de assistir, se tem algum ova ou filme que deveria assistir antes. Vou ficar no aguardo das outras partes do guia.

  2. Excelente artigo de introdução a LOGH Ananda Santos.
    Eu descobri esta pérola do culto em 2007, vi alguns episódios da longa série de 110 episódios no formato OVA, e achei meio monótono devido aos seus diálogos extremamente expositivos e cheios de informações de importância considerável para a trama (mas em 2007 ainda não era suficientemente maduro, para entender tudo o que se passava no anime, por isso deixei o mesmo em pausa). Até que em 2017, com os meus 22 anos completos, achei já estar suficientemente maduro para ver LOGH e durante 3 meses, tive a minha melhor jornada a assistir anime de sempre. A forma como LOGH apresenta uma trama em escala colossal no espaço, é épica e mesmo com o seu visual datado, conseguiu transmitir de forma sensacional tudo o que queria mostrar. É de destacar as diferenças entre os dois pólos em confronto, num lado o Império Galáctico e no outro a Aliança dos Planetas Livres, cada um com as suas características e estilos de governo próprios (qualquer um, em certo ponto do anime, vai começar a gostar do lado do Império Galáctico, mais vale viver num regime autoritário e benevolente, com emprego e comida na mesa, do que viver numa democracia podre e corrupta, onde o povo não passa de um peão que gera dinheiro e votos (né Aliança dos Planetas Livres).
    Eu não sou apologista em nenhum tipo de política (aliás para mim a política não passa de uma perda de tempo e de uma poluição mental e visual), mas em LOGH,a parte política é que torna o anime, único entre os demais, com diálogos muito bem escritos, vários exemplos históricos como por exemplo (no meio do anime, salvo erro, teve dois episódios inteiramente dedicados à explicação da formação do Império e da Aliança dos Planetas Livres, onde foi exposto os crimes de guerra horrendos entre ambos os pólos, as motivações políticas e sociais de cada lado (estes dois episódios para muitos que assistiram LOGH, foram chatos e com informação pesada, mas para mim esses dois episódios foram importantes para reforçar os alicerces de cada um dos lados do conflito).
    Deixando um pouco a parte política do anime, vou falar um pouco sobre os personagens, LOGH possivelmente deve ser o único anime com elenco enorme, a ter mais personagens mais marcantes e bem escritos ( como por exemplo: Yang Wenli, Reinhard, Kircheis, Mittermeyer, Oskar Von Ruenthal entre muitos outros). De longe o Império Galáctico, tem os personagens mais bem escritos e desenvolvidos e também os mais carismáticos (como o Mittermeyer, a Hilda e Kircheis), mas o lado da Aliança tinha o mago Yang Wenli (eu no começo não suportava este personagem, mas ao longo do tempo, a sua forma de estar humana e relaxada fez com que eu mudasse de opinião), tinha o velho Alexander Bucock (que para mim, representa o que é a verdadeira honra) e a Frederica e o Julian, estes 4 personagens apenas, conseguiram equilibrar a balança de personagens bem escritos e desenvolvidos no lado da Aliança.
    A trilha sonora de LOGH é épica, mesmo usando composições clássicas, esta mesmo nas lutas consegue empolgar, no momento de drama consegue emocionar, nos momentos de alegria/felicidade consegue transmitir essas vibes (isto tudo para dizer, que a trilha sonora de LOGH é mais do que competente).
    Falando um pouco do Império Galáctico (o lado que mais gostei no anime), tudo nele lembra o feudalismo/imperialismo, só que com tecnologia de ponta e nave espaciais (e pensar que a vingança do Reinhard, começaria com uma das práticas mais antigas do mundo que é o concubinato). Tudo no lado do Império é bem feito, a arquitectura, os estratos sociais, as formalidades da nobreza, o vasto exército e vários estilos diferentes de batalhões (tanto de naves como de homens, estilo Prussiano). Os uniformes do exército imperial, assemelham-se muito aos uniformes de elite do exército prussiano (que é algo que gosto de ver, como alguém que gosta de estudar história militar), a roupa da nobreza, que faz lembrar a época áurea das cortes germânicas, os enormes salões de dança e jantar, tudo isto me fascinou no lado do Império (mas claro que as injustiças sociais presentes no mesmo, os gastos excessivos dos nobres e do imperador são factores negativos).
    Vou ficando por aqui, antes que o meu lado de fã desta obra se mostre ainda mais (de tudo o que saiu de LOGH só me falta ver o prequel, os filmes foram ok, mas aquele filme do Golden Wings nem devia existir).
    Ansioso pelos próximos artigos deste guia de LOGH.

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