O estúdio Go Hands decidiu dar sua contribuição nesse início de 2019 nos apresentando outro anime original do seu portfólio. W’z tem sua premissa baseada na música, poderes estranhos e seus efeitos, mas o que de fato eles pretendem mostrar com isso? Vejamos.

A sinopse por si só já não diz muito, na verdade é até bem confusa e pouco informativa, só sabemos que de algum modo um garoto ligado a música teve acesso a um poder que não devia ter e isso aí vai trazer muita dor de cabeça pra ele, ponto.

Acho que a primeira coisa que todo mundo precisa se situar é o contexto onde a história se insere. Logo no comecinho, nos é mostrado que a história que veremos se passa num período de 10 anos pós os acontecimentos de Hand Shakers, aquela guerra entre duplas pra chegar a divindade daquele mundo – tem até um corte especial meio que mostrando o que tinha sido o final do outro, eu creio -.

Percebi que muitos hão de entortar a cara pra o anime achando que é um fracasso total já que ele é considerado uma sequência de Hand Shakers, mas aviso que talvez seja uma decisão aparentemente sem muito sentido. Confesso que não acompanhei Hand Shakers então não tenho muito a dizer sobre, porém o que é necessário entender é que mesmo sendo uma “continuação” dele, ao mesmo tempo W’z é uma história independente. Independente como? Eu explico.

Não fica bem claro nesse primeiro episódio, mas o mundo retratado em W’z seria uma espécie de consequência do que aconteceu no anime anterior, logo não é o mesmo. Essa primeira afirmação não necessariamente quer dizer que os personagens que foram vistos no outro vão aparecer aqui também. De mesmo modo pode ser que a realidade tratada aqui seja algo paralelo ao primeiro também, ainda não dá pra saber, o fato é que mesmo eles apontando ligações com os handshakers do passado, a história tentou se guiar por uma linha diferente em outros aspectos.

Esquecendo um pouco essa parte, a série em si começa com uma outra cena rápida que mostra alguns dos personagens se enfrentando num futuro próximo, sem dar pistas do que seria tudo aquilo já nos confundindo mas ok. Então somos guiados ao cotidiano do novo cenário e apresentados aos que vão movimentar essa história.

Yukiya é o nosso protagonista e é fissurado por música, ele tenta se aperfeiçoar e se lançar pra crescer nessa indústria, mas como sabemos isso não é tão simples quanto parece. Em conjunto com isso Yukiya possui um estranho poder de “mudar de mundo”, ele tem noção dessa habilidade, sabe no que incorre e inclusive faz um certo uso dela, mas assim como em Hand Shakers ele só consegue isso estando em dupla.

A diferença aqui seria que Yukiya está em um outro nível, ele não precisa ter um parceiro fixo, a habilidade dele parece ter atingido um patamar mais elevado, onde a dupla é só um complemento e pra melhorar sua condição ele parece poder fazer mais coisas ainda. Até então ele não tem uma noção clara no que aquilo pode dar, apenas segue com sua vidinha simples e seu sonho de se tornar um DJ e músico famoso.

Como todo bom anime, o protagonista precisa ter um amigo pra embarcar na bagunça que a vida dele vai se tornar e é aí que entra Haruka, a amiga comum dele e apaixonada que também tem uma ligação com a música (clube de musica leve). A interação deles durante boa parte da estréia foca em mostrar a obstinação de Yukiya, e o interesse dela em continuar ao seu lado como suporte enquanto ele continua denso como todo protagonista genérico.

Só que não né? Seu amigo é lento demais pra essas coisas

Saindo desse pedaço de apresentação dos protagonistas e seus objetivos, o resto do episódio vira uma verdadeira zona sem que nada fique entendível pra qualquer um. Os demais personagens que vão se apresentando parecem confundir mais nossa cabeça e não dizem nada com nada, apenas parecem insinuar que nada faz sentido e que um novo caos de batalhas se aproxima e pronto.

E pra fechar o pacote, em uma de suas mudanças de mundo Yukiya leva Haruka – que tem um flashback estranho quando toca a mão dele – e passados uns poucos instantes eles são jogados no meio de uma batalha entre entre duas duplas, que por sinal também parecem querer a cabeça dele por ter um poder especial que só aparece a cada 10 anos que conveniente. Então se inicia um rápido combate entre eles e a dupla de protagonistas que está parcialmente perdida no fogo cruzado – Haruka pelo menos é a única inocente ali e nem tem armas -.

Resumindo, eu considero W’z uma estréia com potencial, mas bem confusa. Foram muitas informações jogadas na cara do espectador e que sabe lá, se terão um destrinchamento satisfatório. As personagens em si ainda tem um ar bem misterioso e duvidoso, com exceção dos protagonistas que são bem simples e diretos – eu particularmente simpatizei com o ar descontraído e comum de Haruka, já Yukiya não fede nem cheira ainda -.

Apesar de ter achado tudo embolado e nublado – o que é normal num começo, embora alguns extrapolem -, um dos pontos positivos desse início foi a animação em geral. Gostei bastante da ambientação e da arte nesse estilo misturado entre o CG e 2D. A movimentação em si é boa, tanto a dos personagens quanto a da multidão ao fundo dos protagonistas na cidade, o que também dá um certo preenchimento e vida no cenário deixando as coisas com um ar mais dinâmico.

A pouca ação que teve também me empolgou e tem uma movimentação fluída nas batalhas, os ângulos são meio diferentes porém dá pra se acompanhar, mas como nada pode ser perfeito, as armas em CG são horripilantes e se destacam demais. Confesso que se a luta não tivesse aqueles trambolhos seria melhor, ou então que tivessem feito elas em 2D o que pelo design delas não me parecia difícil, mas enfim.

Quanto a parte musical que é um ponto chave do anime, confesso que ainda tá mediano pra mim. Não achei pobre, mas também nada espetacular, apenas parece casar bem com esse ar meio moderno e estranho do anime.

Apesar de estar sob o estigma de Hand Shakers, a história de W’z não me pareceu tão totalmente ligada a ele e nem sua estrutura e protagonistas parecem tão perturbadores e nauseantes como as do infame anime. A estreia conseguiu me manter minimamente curioso pra ver o que pode sair daqui.

Tomara que você consiga alavancar mesmo a série e ela seja um sucesso Haruka!! GO FOR WIN

    • JG

      Se pronuncia como a palavra em inglês “wise” mas não tem a ver com ela, é só a sonoridade mesmo.

      Mas o que achou do episódio, conte me suas impressões =D

Comentários