Caro leitor (a), já parou para imaginar se por um acaso, animes/mangás/light novel (ou qualquer outra formar de entretenimento) desaparecesse? Pois bem, Pastel Memories aborda justamente essa temática, que se bem executada pode ser algo muito interessante, mas caso contrário, pode ser algo extremamente enfadonho.

Referência ao mangá Gochuumon wa Usagi desu ka?

Segundo o primeiro episódio, Akihabara, a Meca dos otakus, de repente perde todo o seu charme se transformando em um bairro comum. As pessoas misteriosamente pararam de consumir mangás e, aparentemente, outras mídias que fazem parte da chamada “cultura otaku”.

É interessante notar que a mudança não foi brusca, mas foi um processo que se deu de forma lenta, no qual as pessoas acabaram nem se dando conta de que pararam de consumir algo que gostavam. Entretanto, tal processo não se deu de forma natural, pois criaturas conhecidas como “vírus” passaram atacar mangás (entre outras coisas relacionadas aos otakus) fazendo que suas histórias fossem simplesmente esquecidas.

Anime e mangás são parte da cultura japonesa, e que foi exportado para o mundo inteiro. A própria existência desse blog é um fruto da chegada dessas mídias em solo tupiniquim. Em escala menor (e menos fantasiosa) dá para comparar o que aconteceu na estreia de Pastel Memories, com o mesmo fenômeno que aconteceu aqui no Brasil, pois tivemos um boom da animação japonesa nos anos de 1990 até o declínio que foi ocorrendo com o tempo. Os clássicos como Dragon Ball Z (dá para incluir também a primeira fase de Dragon Ball), Cavaleiros do Zodíaco, e posteriormente, Naruto, foram importantes para o surgimento de uma base de fãs de cultura japonesa, em especial (anime/mangá).  Também há de se mencionar o valor dos Tokusatsus como Ultraman, Jaspion, e a franquia Kamen Rider.

Esse mascote parece bonzinho, mas nunca se sabe, afinal, sempre desconfie do mascote

Voltando ao anime, por mais fantasioso que seja, a perda de identidade cultural é um tema interessante e pouco abordado em anime, mas aqui temos uma história mais leve e descompromissada, por isso a inserção de elementos fantasiosos.

A maior parte do episódio foi meio entediante, mas toda a caçada para juntar todos os volumes de um mangá, ao meu ver, parece ter um significado, que é o esforço das personagens principais em tentar manter viva a memória os elementos que compõe o mundo otaku. No final é que vem a parte mais interessante, que é saber que as personagens combatem os responsáveis por toda a perda de memória cultural que ocorreu em Akihabara (ou quem sabe em todo o Japão)

No que diz respeito à parte técnica, ela aparenta ser fraca, mas não chega a ser horrível a ponto de comprometer o anime. As personagens têm características genéricas em relação à personalidade (que vai desde a cabeça de vento à menina rica), entretanto, nesse caso em especial até faz sentido ter personagens genéricas, pois esse anime aborda o mundo otaku, e clichês fazem parte desse mundo.

Outro ponto a ressaltar, é o uso de referências relacionada à cultura otaku, em especial, mangás. A principal referência feita nesse primeiro episódio (e que vai aparecer no episódio seguinte) foi ao mangá Gochuumon wa Usagi desu ka? (Is the Order a Rabbit?), que é um mangá que segue o estilo 4-koma do gênero comédia/slice of life.

Aliás, a ideia das personagens entrarem dentro de obras é muito interessante, caso o anime explore os mais diferentes gêneros e demografias. Por fim, Pastel Memories, à primeira vista, parece mais um daqueles animes “para vender bonequinhas”, mas ele possui uma boa proposta que pode surpreender.

Do lado esquerdo temos o mangá Sunohara-sou Kanrinin-san; e do lado direito, acho que é Yagate Kimi ni Naru

  1. Avatar

    Este primeiro episódio de Pastle Memories até que foi bom.
    As referências a várias obras, desde mangás a figures, como foi bom ver uma referência a Mikakunin de Shinkoukei, a Yagate Kimi ni Naru e claro a Gochumon, obra que inspira bastante o café onde as protagonistas trabalham.
    A animação deste primeiro episódio não foi grande coisa, abrindo a porta para uma eventual queda na qualidade da animação, a dublagem está ok.
    A história de Pastel Memories até que é interessante, a questão dos vírus que fazem desaparecer determinada obra no anime, meio que soa a uma metáfora para o esquecimento e perda de culturas.
    Por fim, só achei que o anime tem mais personagens do que precisa, em vez de 5 protagonistas, podia ter só 3. A Ayaka pode ser impressão minha, mas parece uma referência disfarçada da Hanekawa de Monogatari.
    Agora é esperar para ver como o anime se vai desenvolver.
    Excelente artigo, de primeiras impressões de Pastel Memories Flávio.

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