Um episódio bem interessante de Neverland e sobre o qual há muito a se comentar, ainda mais devido ao seu final bombástico, ou nem tanto. Esse anime adora um cliffhanger, né? Let’s a go!

O episódio começou com uma cena que disse muito sobre a “grande revelação” desse quarto ato de Neverland, afinal, se a Mamãe não queria que a Krone soubesse o nome das crianças que conhecem o “segredo”, também não iria querer que ela soubesse quem é o espião – sequer que existe um. Isso poderia pô-la em desvantagem caso o espião decidisse colaborar com a Krone pelas costas dela, né?

Não sei se foi o espião que passou a ela alguma informação que denunciasse as pretensões da Krone ou se a Mamãe só supôs que ela participou do pega-pega para sondar os meninos, eu só sei que foi uma boa sacada o Phil, citado como um potencial candidato a espião, ter estado presente na cena em que a Emma é sondada pela Krone, afinal, se ele fosse mesmo o espião o tom da Mamãe ao falar com a Krone estaria mais respaldado. Contudo, a vítima da suspeita nesse episódio foi outra!

Eu me deixaria enganar por um sorriso fofo desses sem arrependimentos! ❤

Nem vou ficar reclamando da cena infantilizada da Krone, porque já deu para perceber que no anime estão tentando dar um tom mais brando à personagem e isso em nada atrapalhou a narrativa, que se manteve interessante devido aos movimentos dos rebeldes no tabuleiro de xadrez.

Sofisticar o pega-pega era um curso de ação natural, mas se planejar para uma fuga rápida não, tanto é que a Emma e o Ray acham estranho essa ideia do Norman, mas após a cena final ela só me parece mais “sensata”.

Não pelo propósito de torná-la realidade, mas para usá-la a fim de expor o espião sob o olhar atento do Norman. Só que antes de chegar até o espião, acho importante comentar o papel das iscas nesse episódio, pois, a partir do momento em que o Don e a Gilda descobrem quase toda a verdade que os dois se tornam personagens de verdade – seres atuantes na trama.

Lembra da cena em que a Emma vasculha o corpo da bebê atrás de pistas e a Gilda observa tudo ressabiada? Lembra de alguma cena em que o Don foi o garoto bobo que ele aparenta ser mesmo?

Então, as reações dos dois justificam-se por causa dessas coisas e, pode até ser inocência minha, mas custo a acreditar que a Gilda atuaria tão bem naquela situação, que ela choraria lágrimas de crocodilo ali.

Aliás, o resto do episódio só foi na contramão do que ele queria fazer o público achar, é aquela velha tentativa de desviar a atenção do verdadeiro culpado fazendo parecer que é outra pessoa, clichê que há muito nesse tipo de trama.

Seria muito zoado a Gilda ser a espiã até porque, repito, não faria sentido ela se reportar a Krone, o que também poderia ser uma traição dela a Mamãe, mas seria muita coisa para acontecer em off, e nem estou dizendo que isso não poderia acontecer, só que seria embaralhar demais uma trama que não é tão simples, mas que também não está se vendendo dessa forma.

Parece que ela está gritando: “Olhem para mim, eu sou a traidora.”

Além disso, a Krone jogou verde episódio passado e jogou verde nesse também, o que ela tem são suposições nas quais crê, mas não certezas, e, na verdade, a cena da Gilda entrando no quarto dela e do bilhete sendo entregue à Mamãe já era prova suficiente de quem era o espião – apesar de eu achar que isso já estava fácil de sacar desde o começo –, pois aquela informação só foi dada a duas pessoas, e em uma trama cheia de “crânios”, a chance de alguém que tem cara de bobo ser tudo menos isso não é tão grande.

Não que ao escrever isso eu esteja também livrando qualquer suspeita em cima do Phil por ele ser mais novo e aparentar ser mais ingênuo que o Don, mas, pense comigo, se a pessoa quer jogar para ambos os lados, só que tem um objetivo próprio que diverge dos dois lados pelos quais age, não seria a decisão mais lógica a aproximação com ambas as partes? Isso não aumentaria as chances de que essa pessoa conseguisse realizar seu desejo?

Para esconder um segredo desses dos outros, e ainda ter frieza para enganar os irmãos de criação com os quais se conviveu por toda a vida, o quanto essa pessoa precisaria ser não só inteligente, mas também comedida, perceptiva e manipuladora? Quem a gente sabe que é assim além do Ray? Não seria forçação demais haver uma quarta mente sagaz assim escondida entre eles?

Quando o traidor só poderia ser um: Ray.

A partir do momento em que o Norman apontou o dedo para o Ray tudo passou a se encaixar, tudo passou a fazer mais sentido. Já fazia mais sentido no anime que no mangá se você observar a forma como o Ray age no primeiro episódio – induzindo seus amigos a transgredirem as regras para então espiar a conversa deles, e uma conversa que deveria ser bombástica, sem esboçar reação alguma.

O que posso esperar de alguém que foi retratado como tendo um conhecimento prévio da situação? A atuação dele como esse agente duplo que diz trabalhar para cada um dos lados, mas, na verdade, só trabalha em prol daquele que considera o cenário ideal para ele: fugir com os dois melhores amigos; foi, de fato, convincente, mas não se estamos falando do Norman, o grande gênio da plantação toda!

Com certeza o Norman estava de olho no Ray de bem antes e não só isso, a armadilha para o Don e a Gilda era na realidade uma armadilha para ele. Claro que ainda falta o Norman explicar como chegou a essa conclusão, mas desde que ele trouxe a mesa a possibilidade de existir um traidor ali entre eles, ele passou a agir estranho e a ficar de olho nas reações do Ray.

Um geniozinho como ele não soltaria uma ideia meio doida e fecharia a cara à toa, né? O Norman logo sacou qual era do Ray e preparou o terreno para encurralá-lo, o que só torna esse anime ainda mais interessante, essa “ambiguidade” de um personagem que é vendido como um dos três protagonistas da trama. Há muito a ser esmiuçado sobre as circunstâncias do Ray, assim como a Krone não vai ficar parada e ainda menos a Mamãe, né.

Então o futuro de Neverland continua promissor, ao menos mais que o de suas crianças. Antes de eu concluir minha análise desse episódio só gostaria de fazer um elogio, e uma ressalva.

A Gilda foi uma ótima personagem, porque na cena com a Krone a tensão dela foi muito bem explorada, mas não só por isso, ela foi bem por ter chorado, lamentado e, ainda assim, ter confiado nos irmãos, além de na hora em que ela foi sair, o que a Krone disse deve ter plantado a dúvida na cabeça dela, o que gerará um pequeno conflito que pode ser interessante.

Mas não vejo incoerência na mentira que o Norman contou, não dadas as circunstâncias, só que uma hora essa verdade deve vir à tona com força total e não há como proteger todos disso para sempre, essa quebra da inocência terá que ocorrer.

Krone é uma Deusa da Discórdia melhor que a Éris de Saintia Sho!

Esse é o ponto da minha ressalva: a personalidade da Emma, que é capaz de aceitar tudo, que ama os outros incondicionalmente e não é tão pé no chão quanto a realidade da situação carece.

Ela personifica os ideais de amizade e esforço da revista na qual o mangá é lançado, a toda poderosa Weekly Shounen Jump, e isso destona um pouco do que a obra apresenta.

Não é como se uma criança de 11 anos ser assim seja incoerente, de forma alguma, mas também não é incoerente que sejam bem mais céticas como o Norman e o Ray – ao menos se são crianças prodígios como os três são.

Enfim, o episódio da semana que vem promete! Prepare-se para mais revelações com a fuga das galinhas. Até a próxima!

Vamos ver até quando você poderá manter esse sorrisinho inocente no rosto, Emma…

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    Porque Ray sabendo de tudo desde o inicio mandou Norman´e Emma entregar o coelho para a cone, segundo ele dava tempo ?como ele sabia de tudo ele queria que eles descobrissem , com que objetivo ele fez isso?

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    ´´continuação do que escrevi antes´´ talvez a pedido da mãe ou por seu interesse,por não confiar no que a mãe provavelmente falava para o convencer a ajuda-la , acho que pode ser algo do tipo que a mãe falou para o convencer ´´deixarei vc escapar ou pouparei sua vida, então buscou um leque de opções maior?

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    em algumas senas o Ray ajudava o Norman buscando uma forma melhor de fugir ou fazendo ficar tudo mais obvio de como tudo iria acontecer, conseguido prever tudo , e buscando a outra forma de fugir ´´pela mãe´´?

  4. Kakeru17

    Acredito que o que ele diz no segundo episódio responda bem a pergunta. Ele quer salvar pelo menos a si, a Emma e ao Norman, por isso mandou os dois devolverem o coelho, para que descobrissem a verdade na qual eles provavelmente não acreditariam se ele apenas os contasse. Depois passou a sondar os amigos e esperou que eles o procurassem para contar tudo e pedir ajuda. Qualquer outra coisa que eu escrevesse aqui seria spoiler, então é melhor esperarmos para mais esclarecimentos nos próximos episódios.

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