E eis que Given fecha com chave de ouro, tendo casal formado e filme anunciado para 2020. Ainda não é um adeus, apenas um até logo. É hora de Given no Anime21!

A bagunça interna do Uenoyama após ouvir a declaração do Mafuyu foi engraçada, mas não inesperada se lembrarmos do episódio anterior. Diferente dele, quando algo parecido rolou comigo meu eu calmo não foi quem tomou as rédeas da situação e por isso admiro o personagem, acho bacana ver um jovem com cabeça no lugar apesar de estar apaixonado.

A conversa que ele pesca da memória serviu para que o público visse que segundo a autora o problema de um relacionamento entre integrantes de banda nada tem a ver com o sexo do casal. Não que fosse preciso, pois Given sempre tratou a homoafetividade de forma sensível.

É o mesmo que um relacionamento no ambiente de trabalho ou entre primos. O entorno pode acabar sendo muito prejudicado caso o relacionamento passe por problemas e ele vai passar, nenhum relacionamento real, e na medida do possível a história é realista, está imune a isso.

Eu curti que antes de se deixar levar pelos sentimentos os garotos agiram racionalmente e o desfecho não poderia ter sido melhor.

Outra atitude poderia levar a problemas maiores (brigas internas por não terem contado ou até mesmo a descoberta por parte de uma sociedade ainda muito preconceituosa), a saída mais saudável era essa mesmo, pois dava menos abertura para o drama, este sempre mais leve do que eu esperava do anime.

Sei que a minha felicidade e a sua por ver um anime tão bacana é mútua também.

O Haruki, como líder natural da banda que é, foi o primeiro a saber e a forma como ele reagiu foi responsável, mas não intransigente. Ele jamais poderia obrigar os amigos a não darem vazão ao que sentem, mas também não teria como não alertá-los sobre os riscos, tudo sem tocar no assunto “preconceito” com mais ênfase.

E eu gosto disso, mas fico pensando se esse “positivismo” todo com o qual os personagens abordam as relações homoafetivas deles e dos outros é o ideal. Por quê? Porque a gente sabe que o “mundo lá fora” não é como o Haruki ou o Akihiko, até porque eles são parecidos com o Ue e o Mafuyu na forma de pensar e agir, é muito mais nocivo para os gays.

Contudo, o roteiro deixa isso subentendido na fala do Haruki sobre “esconder” o relacionamento do público e, sinceramente, trazer essa carga realista, e inevitavelmente negativa, não é algo que devia ser feito pelos companheiros de banda mesmo.

Por um mundo em que o preconceito interfira o mínimo possível em um romance homoafetivo!

O de Given mostra o lado bom disso, mas, ainda assim, há interferência, afinal, em uma sociedade diferente eles poderiam se relacionar abertamente, né?

Aliás, é claro que há casos de romance homoafetivo “interno” no meio da música, mas certamente o heteroafetivo é mais aceito, apesar de que a preocupação dos meninos foi mais pela nocividade do segredo para o grupo que uma preocupação com o externo.

Enfim, no fim das contas fico dividido sobre o que pensar. Gosto da naturalidade que a autora dá aos relacionamentos que são desenvolvidos ao longo da trama, mas confesso que não desgostaria de um arco mais dramático “tocando na ferida”.

Given deixou a desejar no quesito drama, no sentido de ter sido menos dramático do que eu esperava, mas lá no fundo adorei isso. Os personagens são muito aprazíveis, doeria ver eles sofrendo para valer.

A cena do Mafuyu com os amigos em que ele mostra uma expressão incomum, mesmo tendo sorrido mais nesses últimos episódios, foi uma prova disso, além de ter fechado bem esse arco do passado dele.

Eu preferia que contassem em mais detalhes as circunstâncias da morte do Yuuki, mas fazer o que, o Mafuyu está seguindo em frente, então que assim siga a narrativa. Não acho um problema ser assim.

Mafuyu fazendo o que amigos fazem de melhor, zoar uns aos outros.

Como bom fã do Muse que sou captei a referência na cena dos cds. A capa com as sombras de fundo foi baseada na capa do Absolution, terceiro álbum de estúdio do trio mais instigante do rock mundial contemporâneo, o Muse.

Desse mesmo álbum saiu a música usada como título uns episódios atrás e agora tenho ainda mais certeza de que a autora adora esse álbum. Aliás, o gosto musical dela se esbarra muito no meu e, modéstia à parte, ele também é muito bom. Ouça Muse, vale a pena!

Deixando meu momento tiete de lado, a sessão de fotos que veio a seguir foi divertida e fofa, com direito a vergonha coletiva e momento fofo de casalzinho. Vou sentir falta da leveza de Given, mas fiquei muito feliz ao ver a imagem promocional do filme anunciado, a qual dá a entender que o foco vai ser na dupla Akihiko-Haruki.

Metade da parte final focou justamente no líder e em sua paixão platônica, assunto ainda a se resolver e que pode causar certo rebuliço na banda, mas duvido muito desestabilizá-la.

Given é good vibes demais para isso, e foi só eu que tive essa impressão, mas o Mafuyu vai ao menos tentar compor uma nova canção como presente de aniversário para o namorado?

Isso é algo que quero muito ver no filme, ainda que o foco seja nos outros integrantes da banda. Também quero ver os dois sendo um casal de verdade, esse episódio ainda foi meio “estranho” nesse sentido e isso é normal em qualquer transição de amizade para namoro, ainda mais em um país em que a cultura do namoro é um pouco diferente do que é por aqui.

No Japão não é tão estranho que a proximidade física se desenrole de forma mais lenta e nem que a demonstração de afeição em público seja rara, e isso independe de ser um casal gay, mas com certeza é de se esperar que eles se contenham nesse começo até por causa das dicas do Haruki.

Enfim, mantendo o ritmo lento e agradável o episódio prossegue e quer evento melhor para encerrar um anime feliz que um festival de verão?

Por fim, o anime acaba no meio de uma frase, como se desse a entender que ainda tem muita história a contar. E tem. O anúncio do filme, que me pegou positivamente de surpresa, não só prova isso, como confirma que há muita gente interessada em ver a história dessa banda.

Aliás, Given me parece ter feito um sucesso razoável mesmo fora da fanbase que é seu alicerce e isso com certeza foi mérito do anime. Se a receptividade do público interno e externo ao mercado japonês não tivesse sido boa duvido que a ideia do filme tivesse ido para frente.

O saldo é positivo para Given? Qualquer pessoa que viu o anime deve concordar com o meu “sim”. Considerações maiores farei na vindoura resenha, por ora só declaro minha saudade e satisfação porque vai ter mais.

Given é um anime saudável, nada fetichista e muito bem escrito que dada a leveza e consistência da escrita indico não só para pessoas de mente aberta, mas, principalmente, para quem quer se despir da armadura do preconceito.

Um relacionamento homoafetivo é o mesmo que um relacionamento heteroafetivo e fico feliz que cada vez mais pessoas vêm pensado assim. Não fosse o caso o anime não estaria sendo tão curtido. É claro que essa mudança de mentalidade ainda pode melhorar, mas sinto que estamos avançando, apesar de sermos representados por quem somos…

Song.2 é um hit da banda Blur, outro medalhão do britpop que não por acaso protagonizou por anos uma das rivalidades mais marcantes da história do rock mundial com a banda Oasis, referenciada no título do episódio passado. A autora fez de propósito, tenho certeza, e não poderia concordar mais com os títulos que foram dados a esses episódios finais.

Não quero me despedir, mas preciso. Até a resenha e o filme!

Não consigo dizer adeus, ainda estou à deriva com seus ecos.

Até a próxima!

Agora Mafuyu vai escrever uma música sobre sentimentos mais felizes.

  1. Estava no aguardo ♥️
    Obrigada por ter feito essas resenhas e ter acompanhado Given, é ótimo ver que algumas pessoas mesmo não curtindo o gênero deram um chance para quando o anime saiu, e olha, não se arrependeram. u.u

    Como sempre, mt bom todos os artigos <3 agora estou na torcida com vc pelo filme, apesar de eu já saber oq vai rolar(fiquei bem triste com uns acontecimentos, vontade de socar a cara do ***) eu quero mt mesmo ver o que vai rolar animado. ♥️

  2. Você falando do filme e eu me segurando pra não dar nadinha de spoiler. O anime adaptou até o capítulo 14/15 do mangá, então se o filme prosseguir com a adaptação… (se bem q uma segunda temporada seria melhor, já q o mangá está no capítulo 28.5 e é difícil cobrir todos os acontecimentos só num filme).

    Given foi uma delícia de acompanhar, deixou com certeza um gosto de quero mais que não vai passar tão já. Os personagens são muito fáceis de gostar (eu sou suspeita, ano todos).

    Suas resenhas certamente deram um toque especial, foi bacana ver suas opiniões sobre cada episódio.

  3. Fico feliz que tenha gostado. Eu também estou ansioso pelo filme, espero que a Crunchyroll o traga como fez com o filme de Youjo Senki. Adorei Given muito também porque não foi fetichista, mostrou relacionamentos saudáveis e teve drama, mas passou longe de ser um dramalhão. O pacote completo para um anime bom desse gênero. Quanto ao filme, vou me segurar para não ler o mangá até lá, e quem sabe a New Pop não lance ele aqui, né? Vou esperar um tempo, ficar no aguardo e, claro, pedindo muito!
    Agradeço por ter acompanhado meus artigos até aqui! Espere pela resenha de Given e por mais artigos sobre animes shonen ai/yaoi, e shoujo ai/yuri também, que com certeza sempre serão contemplados aqui no blog.

  4. Seria incrível ter uma segunda temporada anunciada após o lançamento do filme, mas acho que só o fato de ter filme já é muito bom, então não vou com tanta sede ao pote. Inclusive, imagino que o longa adapte um ou dois volumes do mangá e o resto ficaria para uma possível segunda temporada mesmo.
    Given foi um anime bem bacana, melhor do que eu esperava, teve menos drama e muitas resoluções boas. Um anime divertido que indico para qualquer pessoa, que de extra tem uma ótima trilha sonora, seja instrumental ou as músicas da banda.
    Estou me segurando para não partir para o mangá, mas como vai ter o filme devo aguentar até lá.
    Agradeço o comentário e em breve sai a resenha do anime!

  5. Given está no meu top 10 de animes preferidos deste ano. Gostei da história, dos personagens, trilha sonora e animação. Confesso que esperava doze episódios, mas o anúncio do filme e a esperança de uma possível segunda temporada me deixam na expectativa de continuar acompanhando a história (naturalmente, li todo os volumes do manga disponíveis, mas a magia da animação é sempre melhor).
    Obrigada pelas resenhas! Foi interessante lê-las e compartilhar impressões que pessoas que acompanharam o anime.

  6. Fallaaa peoples!!! E…Given se acabou…Digo que até que ficava um pouco com um pé atrás no andamento dos eps. mas não decepcionou, se deixou ver suavemente…Tinha uma aura “feel good” nas cenas…Gostava quando os caras entravam para ensaiar e respirar a complexidade de quatro caras em manter uma banda….Decepcionou um pouco pq queria saber mais da historia do Mafuyu seu background se teve traumas até a sua atual idade…Foi legal, muito legal…

  7. HAHA O que é isso? Vocês engoliram uma vitrola? Todos repetem a mesma coisa sobre esse anime bem mediano… Me pergunto se quem fez essa resenha é realmente fã do gênero, bem, não entendo porque “O pacote completo para um anime bom desse gênero.” é um anime que “passou longe de ser um dramalhão.” E quem gosta de drama? Meninas amam drama… E sobre o anime não ter sido “fetichista”, sério eu to tentando até agora entender o que isso significa, digo, há milhares de obras BL assim, Given tem um conteúdo bem leve, deve ser classificação livre talvez, em seu país de origem (?), é algo que no ocidente classificamos como “shounen ai”, apesar dessa divisão não aparecer no japão, esse tipo de mangá realmente não é pelo que me lembre “fetichista”… Talvez sim, uma obra pra adultos. E além disso, sinceramente, eu fui a unica que achou o desenvolvimento dele mais lento do que deveria? Sim, a história era lentaaaaa demais, para chegar a lugar nenhum. Promoveu o mangá? Ta. Os personagens [casal principal] não tinham química nenhuma, o que é o Mafuyu? Tão Meh. Eu tentei, mas não deu. Ainda tem o fato dos fãs estarem acusando a autora de copiar os personagens de haikyuu, o que não se pode negar, a própria tem centenas de doujins de haikyuu! xD Mas pelo que vi, o mangá é lento e sem sal, como o anime. Personagens genéricos, traços genéricos. Enfim, talvez agrade aos fans de primeira viagem…

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