Assim como a tragédia cruzeirense (que salvou o meu Vozão, ufa!), a tragédia desse episódio já estava anunciada; ainda que menos do que o rebaixamento futebolístico. E esse, ainda por cima, foi merecido!

Isso é bom? Isso é ruim? Foi bom ver a desgraça acontecer? Acho que o ocorrido foi sim bastante interessante para a trama, mas se vai ser bem aproveitado mesmo ou não só o tempo dirá…

O fato é que LOGH agora se encontra em outro patamar, mas diferente do que ocorre no futebol brasileiro, a rivalidade na prática me parece bem menos desigual. É hora de LOGH no Anime21!

A desgraça já tinha sido anunciada antecipadamente, mas, ainda assim, doeu um pouco em mim. Doeu em você? Apesar de eu achar que o remake não faz um trabalho tão capcioso no que tece a construção e aprofundamento dos personagens, posso dizer que gostava demais do Kircheis.

Okay que não vi o anime antigo, mas seus mais de cem episódios me levam a crer que a coisa era mais desenvolvida lá. De toda forma, enquanto Yang é carismático pelo que diz e faz, Kircheis me encantava por suas convicções e dedicação a um objetivo que não era só dele, mas, por escolha própria, o colocava na linha de frente. Feito um colete à prova de balas? Feito isso. À prova de balas talvez, de lasers nunca…

É, esse meu último comentário pode ter soado meio maldoso, mas a verdade é que eu curtia muito o personagem, só que já esperava por esse desfecho dele. O anime deu pinta disso algumas vezes nessa temporada e, além disso, o quão relevante uma morte dessas é para a guerra internacional?

Foi pensando em atear fogo na trama que o Kircheis foi retirado dela nesse ponto, mas, principalmente dessa maneira, logo após tudo o que aconteceu entre ele e o amigo. Dá até para considerar uma punição se você acreditar em coisas como destino, etc, apesar de que há explicação bem mais lógica…

Mas antes de escrever mais sobre esse ponto, me impressiona que não importa o quanto a sociedade “evolua”, no final sempre tropeçam em seus instintos mais primitivos, como o de controle e vaidade que uma audiência presencial é para um futuro ditador que poderia muito bem ter feito isso a distância, sem arriscar a própria cabeça no processo.

Sei que deve ser a tradição militar, que o Oberstein insistiria para que ele não abrisse mão dela, que os subordinados cochichariam pelas costas, mas não teria valido a pena se o Kircheis continuasse vivo?

Reinhard não é tão diferente assim dos nobres que tanto repudiava, ele está fadado a repetir ao menos alguns dos mesmos erros que eles cometiam, e um deles foi se fazer vulnerável como se fez.

Morreu Siegfried Kircheis, um personagem elogiável em toda a sua trajetória, pois ainda que não fosse um poço de profundidade (acho que nem os protagonistas são nesse remake), tinha várias características que constroem um bom personagem e não só isso, um personagem do qual dá para gostar, pois ao mesmo tempo em que foi bem construído, sua motivação sempre me pareceu bastante palpável, compreensível.

Não à toa ele morreu fazendo o que sempre fez, cuidando das costas do amigo, em prol do objetivo que ele também almejava: conquistar o universo, digo, fazer o amigo conquistá-lo.

Enfim, a situação da morte do segundo no comando me pareceu demais uma armação do Oberstein. Você compartilha dessa opinião? Eu tinha as minhas suspeitas até o momento em que ele se aproveitou do ocorrido para tirar de jogo o ministro de estado – depois disso se tornou certeza -, e assim acelerar o processo de ascensão imperial de seu senhor.

Sim, seu senhor, seu mestre, apesar de ser Oberstein aquele que manipula. Ele usou o Reinhard como ninguém, fez o mesmo no caso das bombas, o que não diminui em nada a culpa do loirinho, é verdade, mas sem o conselho do braço esquerdo duvido muito que aquilo teria acontecido.

O fato é que o conselho da nave Lohengramm de nada serviu. Okay, serviu para o Oberstein dar ordens e expor de forma bem clara a situação para os subordinados, mas me desculpe a sinceridade, é tolice acreditar que o capacho do Otho sacou uma arma enorme do caixão flutuante sem uma “ajudinha” do Oberstein. Acredito mais em Papai Noel…

Não digo nem que ele influenciou diretamente o ato, mas certamente afrouxou a inspeção que deveria ter sido feita e pode até mesmo ter facilitado a obtenção da arma. Espero que isso seja revelado em algum momento da trama, porque se não for, se tiver sido tudo coincidência mesmo, vou achar ridículo demais.

O que eu tenho a dizer sobre o Oberstein? Nunca falei mal, é parça!

Além disso, deve ter dedo dele na ideia de acabar com a exceção concedida ao Kircheis. Não lembro de nenhuma cena clara sobre isso, mas acredito que seja esse o caso.

Por quê? Porque ele sabia que o segundo no comando agiria pra proteger o chefe/amigo e que o subordinado de Otho (nem lembro o nome da figura, aliás, muitos dos nomes de LOGH são longos e difíceis de lembrar) tentaria levar alguém com ele.

Oberstein é muito bom em observar comportamentos alheios e manipular as pessoas, não à toa esperava um baita choque do Reinhard, como aconteceu, e com ele uma total dispersão do loirinho sobre os detalhes no mínimo “confusos” que cercaram a morte do amigo e braço direito.

Kircheis morreu, mas, me desculpe a sinceridade, Oberstein deu um show de inteligência. Nesse quesito, estritamente no que compete ao avançar da guerra e as mudanças que ela provoca, me atrevo a dizer que ele é mais revelante que o Kircheis, mesmo com o apoio que um amigo dava ao outro.

O Reinhard, aliás, tanto controlou as pessoas para fazerem exatamente o que ele queria, mas no final também acabou sendo controlado, induzido a seguir certos passos, que eu sei, não se distanciam tanto do seu objetivo final, mas se distanciam um bocado da maneira como ele pensava em alcançá-lo.

Enfim, o prosseguimento do plano do Oberstein foi até tranquilo e como o Reinhard bem disse, quem quiser tirá-lo do poder que se mexa para isso. Por que ele está com tanto “sangue nos olhos”? A pergunta certa é por que não estaria!

A sensação de solidão e perda passou a preenchê-lo, um vazio ocasionado não só pela perda de um ente querido e o afastamento de outro, mas o distanciamento do que o mantinha nos trilhos, a ideia de que precisava se esforçar para proteger alguém.

Reinhard decidiu conquistar o universo para que o ocorrido com a irmã não se repetisse e até tivesse sua reparação, mas também para desmanchar as acentuadas diferenças entre nobres e pessoas comuns e assim mudar a sociedade para melhor, o que eu questiono muito por manter a existência do regime ditatorial, mas não vou ser apenas cético.

Acho sim que é possível fazer mais e melhor, fazer diferente, mesmo sendo um ditador. Mas o quão difícil é não se corromper, ainda mais quando quem mantinha seus pés no chão não está mais presente?

A conversa entre os irmãos que dão início a uma nova dinastia é desanimadora do ponto de vista pessoal, mas do ponto de vista da guerra não, pois se você pensar como quem ganha com ela, um ditador com sede de sangue só tende a promover a continuidade e quem sabe a expansão dos conflitos.

Como a própria trama só existe por conta da guerra a mudança do Reinhard serve como combustível para seu prosseguimento. Um tratado de paz com a Aliança a essa altura acabaria com a história e, mais importante que isso, seria ilógico, afinal, a Aliança quer “converter” o resto da humanidade para a democracia, enquanto o Reinhard quer centralizar ainda mais o poder, incluindo a própria Aliança nisso.

Comentando mais a questão pessoal, quando o Reinhard perguntou à irmã se ela amava o amigo a expressão que ela fez foi a resposta mais cruel que poderia ter dado, tanto para ele quanto para o telespectador que torcia pela felicidade do casal, quer ficassem juntos ou não. É um anime de guerra, né, sempre há a possibilidade de acontecer o pior, ao menos se a obra é séria como LOGH é.

Até por isso, além de querer evitar ser envolvida em ataques indiretos à figura do ditador, que ela deve ter pedido para se afastar do irmão. Annerose está de luto, carece de tempo para processar o que ocorreu e também já deve estar cansada de viver sendo atormentada pela possibilidade de perder alguém. E ela sabe que não pode fazer muito pelo irmão, no máximo se resguardar e deixá-lo seguir seu caminho. Inclusive, acho legal o apoio que ela o dá em sua empreitada, ela veste a carapuça de “estopim” mesmo.

Por fim, Reinhard perdeu o que mais prezava e agora ele busca se entreter para não se aperceber da solidão que o engole. Yang é o adversário, o rival, o antagonista perfeito para sua tragédia pessoal e nesse conflito ele contará com a vida de muitos, de bilhões, como suas fichas. É assim que ditadores jogam. É assim que o homem que jurou combater esse tipo de atitude decidiu seguir com a vida.

A guerra, o contato com as pessoas, os últimos acontecimentos, as concessões perigosas. Tudo isso veio para moldar Reinhard naquilo que ele mais abominava, e o que pudemos presenciar nesse décimo primeiro episódio talvez tenha sido somente o “nascimento” dessa epopeia, agora bem distorcida.

Você ainda tem alguma dúvida disso? Vou me sentir com cara de palhaço caso tenha errado algo naquilo que escrevi, mas, claro, tenho a consciência de que o que separa o ditador do democrata pode ser sim só uma linha tênue em um primeiro momento, mas depois uma muralha.

Tudo depende do processo e, por mais que Reinhard, e até mesmo Yang, sejam geniais, há muitos fatores que fogem do controle deles levando em consideração suas personalidades, experiências e certamente contextos. Perder Kircheis foi um baque que dilacerou o coração do loirinho e o mudou para sempre, mas também mudou todo o contexto dessa guerra secular que terá um novo pontapé “inicial” já no próximo episódio. Iniciar e acabar com guerra, é assim que funcionam as coisas no mundo de LOGH!

Até a próxima!

Posso ir agora?

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    Na versão original, Ansbach esconde a bazuca dentro do corpo do seu falecido mestre, é por isso que logo após a morte de Otho von Braunschweig ele pede para um soldado levar o corpo para a enfermaria, e o soldado responde surpreso “mas ele já não está morto?”. A diferença é que a bazuca dessa versão é gigante e é difícil acreditar que caberia dentro do corpo de uma pessoa.

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