Um encontro pode mudar o destino, quer seja para melhor ou para pior. Predestinado ou não, um encontro inusitado é o ponto de partida desse anime.

Como guardião da floresta, o golem tem o dever de proteger e manter a ordem natural naquele ambiente. Portanto, como a menina (Somali) foi encontrada na floresta, é obrigação dele protegê-la. Do ponto de vista lógico, faz sentido, mas creio que não seja apenas isso. Por mais que o golem diga que não tenha sentimentos, isso não quer dizer que ele não possa compreendê-los. O fato dele ser bastante observador ajuda bastante em aprender sobre o comportamento da garotinha.

A ideia de mostrar um mundo no qual a raça humana foi extinta (ou quase) não é nova, mas se bem trabalhada não só rende uma boa história, mas como também uma boa lição moral.

As criaturas não-humanas (monstros), ao contarem suas versões sobre o fim da raça humana acabam botando a culpa nos seres humanos. Portanto, ao não assumirem seus erros, tais criaturas não agem de uma forma tão diferente da raça que eles criticaram.

Um momento de quase tensão

De ambos os lados houve preconceitos, divergências, medos etc. Ou seja, reações naturais quando se encontra o diferente e/ou desconhecido. Lembra do que eu escrevi sobre encontros? Então, esse histórico encontro entre criaturas não-humanas e seres humanos poderia ter gerado bons frutos caso tivessem procurado compreender e tolerar uns aos outros. Como a humanidade era o elo mais frágil, foram eles que pagaram o preço mais alto do confronto.

Histórias sobre relações familiares costumam ser bonitas e emocionantes. Isso se dá, basicamente, pela possível identificação das nossas relações familiares com o que é apresentado nesse estilo de história, quer seja filme, livros, séries ou animações. No caso dos animes, desde o final do mangá Usagi Drop, muita gente começou a ficar com um “pé atrás” com animes que exploram relações pai e filha. Recentemente, Uchi no Musume reacendeu a polêmica sobre incesto devido ao final de sua light novel. Por mais que a adaptação para anime tenha cortado as partes polêmicas, ainda assim dava para notar que o adorável clima familiar estava sendo deteriorado por insinuações incestuosas. Enfim, pelo pouco que ouvi a respeito do mangá que serve de base para esse anime, e também pelo que vi no episódio de estreia, dá para ficar tranquilo no que toca ao medo da pureza e leveza do anime serem quebrados por um certo fetiche.

Segurar as mãos de um(a) filho(a) não é apenas um ato de proteção, mas também um gesto de afeto

O visual é muito bonito e lúdico, remetendo aos contos de fada. O clima mágico da obra nos faz mergulhar num mundo fantástico onde nós, humanos, somos os estranhos, e as criaturas que chamamos, genericamente, de monstros, são dominantes naquele mundo.

A Somali (garotinha) é curiosa e cheia de energia como qualquer criança. Outra característica marcante é a ingenuidade. O que é um ponto interessante, pois ela não carrega a maldade que os “monstros” atribuem à raça humana.

Essa curiosa e bonita relação entre um golem sem emoções e uma criança afável tem bastante potencial para se tornar uma história agradável. Será interessante acompanhar essa linda jornada em que dois personagens tão diferentes se encontram e passarão a compartilhar de forma mútua diversas experiências que trará o amadurecimento para ambas as partes.

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    Somali to Mori no Kamisama teve uma óptima estreia. Este anime foi dos poucos que vi o trailer e o primeiro episódio correspondeu a todas as expectativas que eu fiquei quando vi o trailer.

    A animação não é de topo, mas também não é abaixo da média, os cenários foram muito bem conseguidos, o design dos seres fantasiosos está muito boa, o design da própria Somali é muito fofo, mas se tiver que elogiar em demasia, o design do golem é muito bom. A trilha sonora está muito competente e o voice acting está nota 10 quando se trata das falas do golem.
    Antes que me esqueça a opening é muito boa e a ending também (o CG usada nela é muito bom, parece algo saído de um videojogo).

    Sobre o episódio, gostei bastante das personagens, o golem por enquanto é o meu preferido, a pequena Somali age como uma criança e tem a ingenuidade de uma. Os personagens de fundo todos têm muito estilo, em especifico fiquei vidrado na cozinheira que usava o fogo de uma salamandra.

    Espero que o anime mantenha a qualidade geral deste seu primeiro episódio.

    Como sempre mais um excelente artigo Flávio.

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