Se a Minare não fosse japonesa seria cearense, pois tira piada com a própria desgraça com uma desenvoltura daquelas e, ainda que se desespere, segue em frente para onde a vida a levar. Quer mais reviravoltas? Aqui tem!

Após o último episódio parei para pensar que seria um desperdício não aproveitarem um pouco mais os personagens do antigo trabalho da nossa heroína, além do próprio local, e foi exatamente isso o que aconteceu. Ela voltou ao antigo emprego em circunstâncias bastante atípicas e penso que foi ótimo para a história a fim de propor um contraste entre o que ela poderia ganhar, ou perder, se desistisse do rádio antes mesmo de começar.

Eu gosto bastante da protagonista porque, apesar de viver falando como se sente, acho que ela demonstra mais através de suas atitudes, seja indo atrás de um patrocinador para o programa ou retornando ao restaurante, Minare não sabe exatamente o que quer da vida e nem como, mas parece ter uma ideia sólida do que não quer, pois, mesmo tendo se incomodado com as ações do colega supostamente “apaixonado”, sempre o recusava.

Se sentir traída, ainda que nem tenha sido exatamente esse o caso, é normal depois da cena que ela presenciou e com certeza é algo que pode impulsioná-la a se dedicar somente ao programa. Aliás, é o que deve ocorrer, pois ainda que siga no Voyager, a ideia de cuidar de um restaurante com o colega de trabalho deve sair de vez de suas opções, ainda que estivesse só nas mais remotas. Não é possível que ela não tenha aprendido a lição!

Não que ela nunca mais vá namorar alguém, mas confiar demais em outra pessoa e/ou moldar sua vida; seus sonhos, que ela ainda nem sabe ao certo quais são; aos dessa pessoa já se mostrou uma cilada e, por mais que possam não existir segundas intenções no convite do cozinheiro, só a ideia de se prender a alguém não é interessante. Ainda mais alguém que procura a mulher ideal para uma coisa, e essa mulher ideal, é claro, não é ela.

A nova personagem, que me incomodou de início só pela expressão facial, desempenha melhor esse “papel,” eu só não entendi quais são as circunstâncias dela ou se ela estava “seduzindo” o cozinheiro de propósito. Sua forma de entrar no restaurante e “ir se criando” deixou bem claro para mim que ela tinha segundas intenções com tudo o que fez, só não consegui entender bem quais. Tenho uma ideia, mas é a mais simples de imaginar…

O importante é que o fator imprevisível se manteve presente na trama; fosse na volta ao trabalho, no temor do programa não dar certo ou na cena que ela presenciou. Ela não teve chão no qual pisar e isso não é anormal quando a pessoa está em um momento de “transição” em sua vida, quando tudo que ela menos tem é estabilidade. Se você parar para pensar, e não for tão novo, deve ter passado por um momento assim antes. Passou?

Já passei mais de uma vez e talvez não demore a passar de novo, então sei que mesmo vislumbrando a oportunidade de “fincar raízes” e definir um caminho a pessoa fica dividida entre apostar tudo nessa oportunidade e mudar indubitavelmente ou se deixar levar por algo que pareça mais fácil, até mais seguro, mudando pouco ou quase nada, ou mudando sem realmente desejar isso. Assim fica muito mais fácil se arrepender no futuro, né?

Na verdade, o problema nem é se arrepender, mas se arrepender de algo que se queira e se experimentou é uma coisa, se arrepender por nunca ter tentando ou ter tentando o que não se queria é outra. Enfim, se há uma coisa em que essa nova personagem ajudou foi a pavimentar o caminho da Minare para a rádio, o resto depende dela e pelo programa em que ela finaliza um urso a gente pode ter certeza que a coisa deu mais que certo.

Ademais, posso comentar que achei o episódio extramente divertido, cheio de zoeiras proporcionadas pelo senso de humor afiado e criativo da heroína, a qual eu nunca consigo levar completamente a sério, até por saber que ela vai se recuperar dos baques que sofre. Gosto também da não sexualização das personagens femininas, Nami é um anime sério, tem uma roupagem adulta. Tem sensualidade feminina? Até tem, mas nada forçado ou bobo.

Ecchi por ecchi não combinaria com essa história, mas construir personagens adultos com os quais a ideia de romance e sexualidade sempre se faz presente, o que costuma ocorrer na vida de qualquer pessoa normal, sim, não à toa antes mesmo de pensar na imagem visual da Minare eu penso em sua voz, em sua personalidade, em sua autenticidade. Rostinhos bonitos por si só jamais “venderiam” a obra pelo que o autor quer que ela seja.

Não que eu saiba exatamente o que ele deseja, mas tenho uma ideia. Enfim, o nome do programa de rádio ser o nome da obra pode ser meio clichê, mas isso é irrelevante. Aliás, passa a ideia de que esse programa será o ponto mais relevante da trama, que esse programa vai mudar a vida da Minare ao expandir seus horizontes e fazê-la dar forma aos próprios sonhos, sem se deixar levar pelos de outro alguém. Quero ver isso acontecendo, e você?

Até a próxima!

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