Henjo: Hen na Joshikousei Amaguri Senko é um mangá de autoria de Yoshiru Konogi e sai na revista Young Animal. A obra é de comédia e ecchi com uma pitada de romance e conta a história de Senko, uma colegial meio pervertida que fala abertamente sobre assuntos como masturbação e pênis. Ela trabalha na agência de faz tudo do pai e é lá que conhece dois caras que “sofrem” com seu “pitoresco” jeito de ser.

Henjo é ecchi tanto visualmente quanto verbalmente, mas é na comédia que o mangá se sobressai, pois o jeitinho kuudere da heroína acaba contrastando bem com as coisas incomuns (ao menos considerando os estereótipos de personagens femininas em mangás) que saem de sua boca. Ela não tem pudor em falar sobre sexo, mas ao mesmo tempo acaba indo mais para o lado da curiosidade que da lascividade, o que puxa o mangá mais para a comédia, e uma das boas.

Tanto é que as interações dela com o Ryou, o co-protagonista, são sempre muito engraçadas, porque ela o provoca demais sem perceber e ele acaba entrando no ritmo dela, se horrorizando com as coisas incomuns que fala e suas atitudes inusitadas. Ainda assim, a Senko trata tudo relacionado a sexo com normalidade, além de abordar tópicos sobre os quais um homem e uma mulher sem mais intimidade prévia, e até comum, não costumam conversar.

A leveza e criatividade em explorar temas sexuais é um ponto forte da obra, ainda mais porque não se ignora o “ecchi verbal” que os dialogos provocam, e muitas vezes há também um pouquinho de ecchi visual para explorar mais das situações. A Senko é o tipo de personagem criada propositalmente para explorar os fetiches masculinos (muitos homens gostam de ver mulheres falando de sexo) sem deixar a coisa passar do ponto, sem objetificar as mulheres.

As características da comédia me agradam bastante, pois explora-se as questões do dia a dia e do serviço que o trio (tem o amigo do Ryou que quase sempre contracena com eles) desempenha como faz tudo. Há situações mais absurdas aqui e ali que mantêm as mesmas características das cenas do cotidiano e acho que isso traz uma linha consistente a comédia, como se o leitor soubesse o que esperar, ainda que não faça ideia de qual será a próxima situação.

Tem até “falso” triângulo amoroso que se configura assim ao menos nas primeiras dezenas de capítulos do mangá, mas dada a natureza da comédia e a própria falta de evolução real entre os protagonistas (que a cada capítulo seduzem mais o leitor pela ideia de formarem um casal), Henjo me passa muito a impressão de que vai demorar a dar nome aos bois, se isso realmente acontecer. Não é o foco, apesar de, repito, Senko e Ryou formarem um belo casal juntos.

Enfim, quanto a parte técnica há uma boa evolução no traço do autor que se dá de forma gradativa e é noa detalhes que se faz perceptível. Por exemplo, os cabelos dos personagens passam a ficar mais detalhados, além dos designs ganharem contornos mais esbeltos e consistentes. Acho bem legal ver um autor se desenvolvendo enquanto escreve e ilustra sua obra, na parte visual principalmente, mas não só nela, afinal, Henjo cresce com mais personagens.

É com a adição de novos personagens, femininas principalmente, que a obra vai ficando ainda mais criativa e também divertida. Não dá para focar só nas interações entre a Senko e o Ryou, uma hora já não é mais novidade, então as variações trazidas a trama simples, mas razoavelmente linear, agregam. É como se o mangá tivesse começado como laboratório para uma ideia ousada que dá certo, porque o autor é muito criativido e trabalha duro.

Isso não foi um trocadilho proposital, eu juro, mas fica a zoeira. Para pervertidos e não pervertidos, Henjo é uma boa indicação. Claro, se você não se horroriza ao ler as palavras “masturbação” e “pênis”, e isso só para começar, pois o vocabulário da Senko é vasto como a curiosidade e normalidade com a qual trata de temas tabus para mulheres mesmo nos dias de hoje. Infelizmente, porque todos somos seres sexuais que deveriam ter liberdade de se expressar.

Até a próxima!

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