O que achar de uma estreia com dois episódios tão intensos como esses? Bom, Vivy vem com a árdua missão de nos conquistar com a jornada da Diva, que precisa reconstruir 100 anos de história, para que assim humanos e IAs possam coexistir em paz e harmonia – ao menos dentro do possível. 

Olhando esse enredo por cima, será essa moça capaz de dar conta de algo tão complexo como alterar toda uma linha do tempo? Isso ainda não sabemos, mas com certeza eu e o Flávio – meu parceiro resenhador da temporada – já estamos empolgados com o que esse início oferece.

Em linhas gerais a ideia central do anime me remeteu um pouco ao que acontece no filme “O Exterminador do Futuro” – ou Terminator no original -, com a batalha entre robôs e humanos, alteração de eventos que favorecem o curso da guerra, e um andróide que carrega o fardo de resolver os “B.O” nas costas.

Confesso que logo de cara achamos as cenas iniciais – e a última – bem fortes e apesar da violência e sangue presentes, destacamos a AI Idol cantando para um público de cadáveres, sem que aquilo trouxesse qualquer impacto, reforçando a noção de que os robôs não carregam quaisquer sentimentos.

A Diva no meio de todos esses representa uma exceção, pois ela não só estava excluída dessa batalha, como também tem uma construção diferente dos demais, afinal é a primeira IA humanóide. Assim como foi uma lenda na época em que estava na ativa, Matsumoto – o humano – acreditou no potencial dela para mais uma vez salvar alguém, nesse caso a humanidade e os AI como um todo. 

É bem legal a forma como estão desenvolvendo a personalidade da andróide nesses primeiros eventos, porque embora ela apresente lampejos de sentimentos humanos, pela sua programação inicial, ela não compreende muitas coisas e se limita a outras, no que o Matsumoto – agora robô e de volta ao passado – a força a expor mais esse outro lado por ser o oposto ele.

Apesar da estranheza com a chegada do robô e as inúmeras informações que ele traz consigo, Vivy decide aceitar a tarefa e no momento em que ela abraça esse destino, é que ela começa a entender a dificuldade do que está fazendo.

Primeiramente, o Matsumoto quer eliminar as IAs, então o que se passa na mente dela ao pensar que precisará combater os seus? Na sequência ela precisa evitar mortes que são importantes, mas ao mesmo tempo, nem todos os que ela quer salvar se importam com ela e seus “irmãos”.

Para pesar ainda mais a consciência da moça, existem acontecimentos que ela não deve alterar, mas o seu interior vai contra essa regra, como será que ela vai lidar com tantos sentimentos e desejos conflitantes, nessa missão de salvamento? O que vai despertar na Diva enquanto ela estiver lutando?

Algo que fica bem marcado nessa estreia é como a Diva e o Matsumoto são um contraponto interessante, porque ele carrega a sua missão com muita fidelidade e não se importa com os meios para chegar no seu fim, já ela por ter uma convivência e criação mais humanos, pensa no bem estar de todas as vidas que lhe cercam e isso é visível a todo momento.

O fato de não se importar com danos colaterais torna o Matsumoto alguém horrível? Sendo objetivos, ainda não, afinal ele está buscando algo que representaria o bem comum e nesse caso a morte não é uma exclusividade de um ou outro, porém ainda assim a mentalidade dele é questionável e a andróide vai contra essa linha.

Ela quer cumprir a missão que lhe foi dada, mas também quer realizar a sua própria missão que é fazer as pessoas felizes, e zelar pelo bem estar delas é parte disso. Vemos os dois aprendendo um com o outro ao longo dos desafios, ela mais do que o colega por fatores óbvios, mas essa parceria incomum deve dar certo.

Não sabemos como o roteiro lidará com as alterações que ela causará, mas por hora é interessante como ele pensa no micro para tornar o macro possível, tanto na garota como no problema central.

Por exemplo, o deputado Aikawa que ela salvou – por duas vezes, física e psicologicamente – provavelmente repensará sua falta de caráter e o descaso com a função que exerce. O terrorista que sobreviveu, apesar de todo o ódio que lhe incutiram, obviamente vai começar a perceber que o caminho de seus companheiros pode não ser o ideal.

Enfim, são pequenas mudanças que parecem pequenos pontos, mas que em algum momento poderão se tornar as ramificações que farão o desejo dos dois aliados acontecer. Em compensação, acreditamos que as tragédias inevitáveis, também farão da Diva alguém mais forte e porque não, mais evoluída, para um ser que é rotulado pelas suas programações.

Já citando um momento, sentimos bastante o que aconteceu com a menininha amiga dela, inclusive foi bem cruel ela presenciar aquilo justo com alguém tão importante, e bateu até um ranço pelo Matsumoto – em mim passou mais rápido que no Flávio -, contudo em uma guerra nós sabemos que infelizmente as casualidades são um fato, mesmo as acidentais – ainda que nesse caso outras circunstâncias tenham pesado contra.

Depois de tantas emoções, a curiosidade que fica quanto a história é que, até aqui vimos muita ação, a própria missão exige riscos, mas cremos que a Diva criará muitas pontes nesse processo, logo, qual o espaço que a música deve ocupar na trama? – já que a intenção da IA é trazer felicidade através da sua música.

Pincelando um pouco sobre a parte técnica, o Studio Wit entrega aqui mais uma adaptação de qualidade visual inquestionável, design bonito e limpo, cores bonitas, fluidez, tudo o que um bom anime pede está presente – que assim permaneça. A ideia de ter lançado os dois primeiros episódios juntos funcionou muito bem, porque um complementa muito bem o outro e com os dois nós enxergamos a totalidade do que cerca a personagem.

Vivy: Fluorite Eye’s Song começou muito bem e nós dois acreditamos que ele tem potencial para ir ainda mais longe, seguindo com essa premissa sci-fi e cheia de dualidades, esse vale sim a tentativa e nós estaremos aqui para cobrir.

Obrigado a quem leu e nos vemos no próximo artigo!

 

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