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Assim que terminei de assistir esse episódio pensava em xingar muito no artigo. Na verdade eu ri bastante durante o episódio, e se você assistiu, sabe que ele tem bem pouco humor. Do humor proposital eu não ri, apenas senti vergonha alheia, mas do humor involuntário de todo o resto do episódio em rachei de rir. Mas Cross Ange é um anime consciente de que é ridículo e tem um enredo, na melhor das hipóteses, fraco. As narrações durante as prévias para os próximos episódios e as piadas vergonhosas em momentos inadequados (como a do fedor de Ange e Hilda nesse episódio) não me deixam mentir. O problema é que além do enredo, se você tem me lido até agora, sabe que eu critico também a forma apelativa como Cross Ange trata a discriminação, a violência contra a mulher, entre outros temas sérios, mas principalmente esses dois. E esse episódio começou com uma cena imperdoável, de dar nojo mesmo, para livrar a cara dos irmãos da Ange por tudo o que fizeram a ela. Com a cabeça fria, horas depois, reconheço que a reviravolta no enredo foi interessante e pode ser positiva. Mas isso não significa que esse episódio mereça ser melhor avaliado ou ter a dita cena patética esquecida.


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Vou descrever como o episódio dessa semana começou: Sylvia, irmã de Ange, anda pelos corredores escuros do castelo durante a noite aparentemente com medo que sua irmã faça mal a ela de novo (crianças são impressionáveis), indo em direção ao quarto do irmão. Chegando na porta dele, escuta vozes lá dentro e vê seu irmão na cama com a chefe de segurança do castelo (aquela mulher que desde o começo sempre aparece com ele). Para seu assombro, Sylvia descobre que a tal chefe de segurança tinha asas (parecia um demônio, uma súcubo) e não sei se ela viu, mas ao espectador é mostrado ela derramando um líquido suspeito na boca do irmão de Ange e dando ordens a ele, que age como uma criança e está totalmente submisso a ela. Quando ela percebe a presença de Sylvia na porta, a garotinha sai correndo e chega a chamar pela ajuda da irmã norma, mas a cauda comprida da chefe-súcubo a pega pelo pescoço e começa a estrangulá-la. Fim da cena.

Por que isso é patético? No episódio anterior Sylvia chicoteou Ange. Dois episódios atrás tentou esfaqueá-la. Ainda antes emitiu uma mensagem falsa para Momoka para atrair Ange para uma armadilha com a intenção de matá-la. Mas pobrezinha, estava só sendo enganada o tempo todo! Veja como agora que ela descobriu a verdade voltou a confiar na irmã mais velha e até clama por sua ajuda! Há quem se comova com isso. Para mim é lixo. Não importa o quanto alguém possa estar equivocado em suas ideias, o quanto outra pessoa possa ter o enganado e o manipulado, ao fim e ao cabo cada um é responsável pelas ações que decide tomar de forma consciente. Mudou de ideia depois? Abriu os olhos? Descobriu a verdade? Mas já não era sem tempo, que bom hein, finalmente! Ainda assim, deve ser responsabilizado pelo que fez. E de forma justa, devo acrescentar, e não sofrendo algum tipo de “retribuição” por ter sido estúpido, como aconteceu com Sylvia que, ao descobrir a verdade, foi estrangulada (morta?). Lógico que o manipulador é culpado também: culpado por manipular. Mas cada um tem que arcar com suas próprias responsabilidades e pagar pelos seus próprios crimes. Da forma colocada em Cross Ange, porém, isso insinua dois tipos de reações: pena com perdão da irmã mais nova, porque ela foi “forçada pelo meio” a delinquir, ou caso não haja pena, satisfação com o destino miserável que ela teve por ter “se deixado enganar”, como se isso apagasse os crimes que cometeu. Por isso, só por isso, esse episódio é horrível.

De volta à Arzenal, Ange e Hilda continuam presas enquanto um ataque direto é dirigido contra a base por centenas de dragões agindo sob comando de mechas que vieram de outra dimensão junto com eles. Dá a entender que foi o irmão da Ange que abriu o portal, por ordem da súcubo, aliás. Outros dois esquadrões assumem o combate enquanto o primeiro esquadrão fica na base (por causa das ausências de Hilda e Ange o poder de fogo delas diminuiu e não estavam mais partindo em missões). Apesar dos estragos causados, a situação está mais ou menos sob controle até os mechas alienígenas atravessarem o portal. Aí um deles toma a frente, sua piloto começa a cantar, ele fica dourado e dispara o que parecem ser dois ataques sonoros poderosíssimos que destróem quase metade da ilha, dizimando um dos esquadrões e quase acabando com o outro no processo. Aí Salia é ordenada a decolar com seu esquadrão e Hilda e Ange devem voar também. Segundo Jill apenas o Vilkiss pode derrotar os mechas alienígenas, e apenas Ange pode pilotar Vilkiss. Salia se recusa a aceitar, e decola em Vilkiss apenas para ser quase morta antes de Ange tirá-la de lá e contra-atacar a canção do mecha desconhecido com a canção de sua mãe. As duas se vêem no meio de uma viagem lisérgica, conversam um pouco enquanto o que parecem ser cenas de incontáveis vidas onde elas cruzaram caminhos em lados opostos passa no céu ao fundo. Os aliens partem, Arzenal sobreviveu mas teve “a usina” destruída, o que pareceu ser sombrio.

Já estava escrito nas estrelas que havia mais do que apenas ataques bestiais aleatórios nesse combate contra os dragões, e agora Cross Ange finalmente inicia esse enredo. Demorou demais. Eu escolhi assistir Cross Ange porque sua sinopse e seus trailers prometiam um anime de mechas que combatem dragões. Mas quantos combates entre mechas e dragões teve até agora? Poucos e mal animados. Mas não faltou o episódio do casal perdido na selva nem o episódio obrigatório de praia. Os personagens não evoluíram praticamente nada, a história soçobra num mar de perda de tempo e desrespeito a assuntos graves. Agora ela finalmente tem um horizonte, ainda que pareça ser bem idiota de todo modo. Não me importo com histórias auto-conscientes de seu enredo idiota desde que sejam divertidas. Eu adorei Nobunagun! Então, Cross Ange, será que dá para começar a ser divertido agora, e se não for pedir demais, parar de tratar discriminação de forma caricata e idiota? É só se concentrar no caminho desenhado nesse episódio que vai ser legal, mesmo se a Ange continuar sendo uma idiota sem salvação até o fim.

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